FAZER LOGIN"A traição é um ácido: se você souber manipulá-lo, ele endurece a alma. Após ver meu império de cristal virar pó na Toscana, aprendi a sobreviver a Nova York. Ao ver Christopher Davis desmoronar no meu sofá, não senti apenas pena; senti o chamado do dever. Eu era o único ali que falava a língua da ruína."
Enzo Romano
Nova York tem uma forma peculiar de testar do que você é feito.
Para Christopher Davis, o teste veio em uma noite de chuva ácida no East Village.
Eu estava no meu estúdio, o cheiro de alho e ervas tentando abafar o odor de derrota que emanava do meu melhor amigo.
Chris estava jogado no sofá, um homem quebrado pelo próprio sangue.
Katherine, a mulher que ele amava, o traíra.
E o pior: o pai dele, o influente Richard Davis, era o arquiteto da própria podridão.
— Olhe para mim, Chris — ordenei, segurando-o pelos ombros com uma firmeza que beirava a agressividade.
— Você acha que é o único? Acha que o mundo acabou porque o sangue do seu sangue é podre? — disparei, sacudindo-o.
Chris levantou os olhos vermelhos e inchados, transbordando uma humilhação que eu conhecia por nome e sobrenome.
— Ele é meu pai, Enzo... E ela... eu ia pedir a mão dela em casamento no mês que vem — soluçou ele, a voz falha.
— Então agradeça aos céus por ter descoberto agora — retruquei sem qualquer pingo de anestesia. A dor dele era o meu espelho.
— Meu pai traiu minha mãe com a melhor amiga dela. E a minha namorada desde a adolescência me traiu junto com eles.
Chris prendeu a respiração.
Alex e Jasmine pararam o que estavam fazendo, ouvindo cada detalhe sórdido que eu nunca revelara.
— Eu peguei o ódio deles e fiz dele a minha fundação.
“Decidi que ninguém, nunca mais, teria o poder de me ver quebrado.”
— E você, Christopher, vai fazer exatamente o mesmo.
“Ou você se torna o predador, ou continua sendo o prato principal.”
Fui até a cozinha e comecei a preparar a polenta.
O ato de cozinhar era minha meditação, meu grito de guerra silencioso.
Enquanto o aroma de vinho tinto preenchia o ambiente, eu dava as ordens como um general preparando seus soldados.
— Você vai chorar esta noite, Chris. Vai comer essa polenta e deixar o álcool queimar o que restou dessa ilusão de família.
— Mas amanhã, quando o sol bater naquele vidro sujo, o Christopher "bom moço" estará morto e enterrado — sentenciei.
Alex se aproximou, fechando o notebook.
— Ele tem razão. O sistema de manipulação deles falhou. Vamos criar o nosso próprio método.
— Nós seremos o nosso próprio legado — Jasmine acrescentou, sentando-se no braço do sofá com um olhar predatório.
— Eles têm o sobrenome, mas nós temos o futuro. E eles não fazem ideia do que estamos prestes a construir — completou ela.
Passamos a noite em claro.
Eu não deixei Chris afundar na autopiedade; eu o arrastei para a realidade fria da nossa nova aliança.
Contei sobre a frieza da minha família e como a Toscana se tornou pequena para minha ambição.
Mostrei que vingança se faz com sucesso.
A partir daquela noite, o trauma de Chris foi o catalisador.
Decidimos que o amor era uma mentira e a família, uma armadilha.
O prazer seria nossa única moeda de troca honesta.
E Nova York estava prestes a conhecer um novo tipo de caçador.
Nos meses seguintes, nós três — Chris, Alex e eu — passamos a frequentar os clubes mais exclusivos do Meatpacking District.
Nunca éramos meros convidados.
Éramos os rostos que todos queriam tocar, mas que ninguém conseguia prender ou possuir.
Chris usava sua fúria silenciosa para atrair mulheres com o mesmo magnetismo destrutivo que herdara do pai corrupto.
Alex, com seu jeito cerebral e desapegado, tornou-se o mestre da sedução sutil, jogando com as mentes de quem cruzasse seu caminho.
E eu? Eu me tornei o "Chef Safado" muito antes de o primeiro restaurante Aurora abrir suas portas triunfais.
Eu era o mestre de cerimônias.
Usava meu humor ácido para desarmar qualquer mulher que tentasse cruzar a linha da minha intimidade.
Eu era o homem que cozinhava jantares inesquecíveis às três da manhã e desaparecia às seis, sem deixar rastros.
Deixava apenas o aroma de café fresco e uma lembrança que elas tentariam, sem sucesso, repetir pelo resto da vida.
— Nomes são perigosos, Chris — eu dizia, observando o movimento de um lounge de luxo sob as luzes de neon.
— Nunca pergunte o sobrenome. Nunca prometa a manhã seguinte. O prazer é um prato que se serve quente, mas esfria rápido.
— Você aprendeu bem, italiano — Chris ria, segurando seu uísque, os olhos varrendo o salão em busca da próxima distração.
Nós nos tornamos inseparáveis.
Protegíamos as costas uns dos outros nos negócios e nas noites de excessos desenfreados.
Se um de nós começava a vacilar ou a olhar para alguém com um pouco mais de brilho nos olhos, os outros dois agiam.
Estávamos lá para lembrar do gosto amargo da polenta e das lágrimas de sangue que derramamos para chegar até aqui.
Anos se passaram. Usei a herança dos Bellini para abrir vários restaurantes Aurora — o primeiro pilar do meu império La Tavola di Enzo.
Chris mergulhou no entretenimento, transformando sua dor na base sólida para a rede Empire, um monstro do entretenimento novaiorquino.
Estávamos no topo de Manhattan.
Éramos os reis de uma cidade que havíamos conquistado com dentes, unhas e gelo no coração.
Eu era o homem que tinha tudo sob controle: minhas facas, meu menu, meus restaurantes e, principalmente, minha cama.
Eu tinha jurado solenemente: o amor era um ingrediente que nunca mais entraria na minha cozinha ou na minha vida.
Acreditei nisso até o dia em que Chris me ligou, anos depois, com uma voz carregada de um entusiasmo incomum.
Ele me convidou para a inauguração da sua joia da coroa em Las Vegas: a Empire Nights. O ápice da nossa jornada.
— Venha, Enzo. Las Vegas é o lugar onde as regras não existem — ele disse. — Vai ser a maior noite das nossas vidas.
Eu aceitei, rindo. Achava que Vegas seria apenas mais um playground para as nossas diversões de homens quebrados.
Eu não sabia que, entre as luzes de neon e o luxo desenfreado, o destino estava preparando um prato que eu não sabia temperar.
Um par de olhos magnéticos de um certo Ashford estava à minha espera, pronto para destruir todas as minhas defesas.
Pela primeira vez, o mestre do controle descobriria que, no jogo da sedução, ele era apenas um iniciante diante de um xeque-mate.
Eu achava que o banquete era meu.
Mas eu estava prestes a descobrir que, em Vegas, eu era o ingrediente principal de outra pessoa.
Enzo Romano Eu aprendi tarde demais que a pior prisão não tem grades. Ela se constrói em silêncio, dentro da gente, com cada olhar atravessado, cada palavra atravessando a alma como se fosse uma lâmina fina demais para sangrar no mesmo instante. Meu nome é Enzo Romano, e por muito tempo eu fui apenas aquilo que os outros esperavam que eu fosse — um reflexo polido, aceitável, correto. Nunca eu. Cresci em um mundo que dizia que amar devia seguir regras, que sentir precisava caber em moldes, que existir só era permitido dentro de limites invisíveis, porém rigidamente impostos. E eu tentei. Deus, como eu tentei. Vesti máscaras que não me pertenciam, engoli vontades, calei verdades que gritavam em mim como um incêndio prestes a consumir tudo. Talvez você entenda — talvez você também esteja cansado de sustentar um personagem que não é seu. O problema das máscaras é que, com o tempo, elas grudam na pele. A gente começa a esquecer como é respirar sem elas, como é sentir o vento no ros
Enzo Romano O casamento do Chris e o nascimento do Lian se tornaram um marco histórico em nosso grupo de amigos. E eu me vi no meio daquele caos de felicidade me sentindo um dos homens mais realizados do mundo. Ver os meus amigos felizes e o homem que amo com um sorriso tão lindo quanto ele no rosto não tem preço. Mas uma coisa me chamou a atenção em meio a toda aquela correria: Jazz e Alex estavam muito emotivos e próximos. Será que havia algo ali que nunca percebemos? Nosso grupo sempre foi inseparável e ela sempre foi nossa protegida. O Alex por um tempo era grudado nela, mas pensando agora, eles se afastaram bastante nos últimos meses. — O que tanto passa nessa cabeça? — Luccas se aproxima da espreguiçadeira no nosso terraço no loft com duas xícaras de chocolate quente. — Apenas observando como o mundo gira rápido, Luccas — respondo, puxando-o para sentar entre minhas pernas, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. — Você notou o Alex e a Jazz no hospital? — pergunto, enq
"Eu pensava que a Sicília era o destino final da minha jornada de aceitação, mas descobri que o meu verdadeiro 'para sempre' começa onde quer que o Enzo esteja segurando a minha mão." Luccas Ashford O céu de Nova York parecia mais azul pela janela do avião, mas nada se comparava à clareza que eu sentia dentro de mim. Pousamos no JFK trazendo na bagagem muito mais do que ternos italianos e vinhos da Sicília; eu trazia uma alma leve e a certeza de que a sombra da insegurança havia finalmente desaparecido. Assim que entramos no loft, o silêncio durou apenas o tempo de fecharmos a porta, pois a adrenalina da viagem e a vitória sobre o passado de Enzo explodiram em uma necessidade urgente de contato. — Você tem noção do que acabamos de fazer naquelas terras, Luccas? — Enzo perguntou, a voz rouca enquanto me prensava contra a madeira fria da porta. — Eu sei que você recuperou a dignidade de um Romano, Chef — respondi, puxando-o pelo colarinho, sentindo o calor do seu corpo grande con
"O passado é um fantasma que assombra, mas o futuro é um território que eu acabei de conquistar com o peso do meu ouro e a força do meu desprezo." Enzo Romano Estar em solo italiano me levou a um intenso sentimento de nostalgia. O cheiro da minha terra, das minhas raízes; o lugar onde nasci e ao qual pertenço, independentemente de onde eu esteja. O ar da Sicília tem um perfume único, uma mistura de maresia, limão siciliano e a poeira das oliveiras centenárias que parecem guardar segredos de gerações. Luccas apertou minha mão assim que saímos do aeroporto, sentindo a tensão que emanava de cada poro do meu corpo enquanto o sol do Mediterrâneo nos recebia. — Você está bem? — ele perguntou, a voz suave sendo o único bálsamo capaz de acalmar o monstro que rugia dentro de mim. — Estou voltando para o lugar de onde nunca pensei em sair, Luccas. Mas desta vez, eu não volto como um convidado, eu sou o dono — respondi, com uma frieza que me surpreendeu. Antes de enfrentar os vivos, eu pr
"A justiça é um banquete que se serve frio, mas eu pretendo incendiar a mesa antes que o primeiro prato chegue à Sicília." Enzo Romano Após o circo armado pela ala suja dos Ashford, seguimos nossa rotina com os preparativos para nossa ida à Itália. — Vou me reunir com a Jazz e o Alex agora. Nos vemos no almoço — dou um leve beijo nos lábios do Luccas e sigo para a sala de reuniões da Empire. Era engraçado ver o queixo dos funcionários ali presentes cair ao ver essa cena; quem imaginaria o grande Chef Enzo Romano apaixonado por um homem? — Por que fez isso? — Luccas sussurrou, envergonhado ao perceber os olhares curiosos das pessoas ao redor. — Não era você que me incentivava a sair do armário? — respondo com outra pergunta óbvia e um sorriso de canto. Não tenho mais motivos para esconder quem sou ou o que quero; o medo de decepcionar meus amigos se dissipou e o apoio deles é tudo que importa. Entro na sala de reuniões onde Jazz, minha RP implacável, e Alex, o mestre em tecnolo
"Há parasitas que confundem laços de sangue com um passe livre para a exploração, mas o meu chicote é a lei e o meu escudo é o amor que elas jamais entenderão." Enzo Romano Após o café da manhã, saímos em direção à Empire Night. A casa noturna do meu amigo Christopher é o lugar de maior sucesso no ramo de entretenimento de Nova York. O sucesso é tanto que investidores globais têm se interessado em entrar no negócio, querendo uma fatia do império que Chris construiu com sangue e suor. — O evento de amanhã da Empire será um marco na história desta casa noturna — comentou Luccas, enquanto eu dirigia com confiança. — Esse mistério todo está deixando o Chris ansioso — respondi, observando o perfil determinado do meu garoto pelo canto do olho. — Ah, mas tenha certeza de que valerá a pena. A surpresa vai calar a boca de muita gente — ele garantiu, com um sorriso que iluminava o interior do carro. — A Jazz está organizando nossa ida à Europa. Veja com ela as datas e vamos adiantar as c







