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uma carona inesperada

last update Petsa ng paglalathala: 2026-06-12 12:07:43

Lívia permaneceu em silêncio por alguns segundos.

A proposta de Arthur a havia pegado completamente de surpresa.

Não era todos os dias que o dono da empresa se oferecia para levar uma funcionária para casa.

— Não quero incomodar — disse ela.

— Não está incomodando.

— Mesmo assim…

— Lívia, é apenas uma carona.

Ela acabou sorrindo.

— Tudo bem.

Arthur assentiu.

Pela primeira vez naquele dia, sentiu uma estranha satisfação.

Os dois caminharam até o estacionamento.

Quando chegaram, Lívia quase parou de andar.

O carro luxuoso estacionado diante deles parecia valer mais do que o apartamento inteiro onde ela morava.

Arthur percebeu sua reação.

— Assustador?

— Um pouco.

Ele riu.

— Prometo que não morde.

Lívia não conseguiu evitar uma risada.

E Arthur percebeu como gostava daquele som.

Depois que entraram no carro, o silêncio dominou o ambiente por alguns instantes.

Não era um silêncio desconfortável.

Mas ambos pareciam procurar algo para dizer.

— Há quanto tempo trabalha na empresa? — perguntou Arthur.

— Quase três anos.

— Gosta do que faz?

— Sim.

— Mesmo com toda a pressão?

— Faz parte do trabalho.

Arthur observou-a discretamente.

Ela respondia de forma simples.

Sem tentar impressioná-lo.

Sem interesse.

Sem segundas intenções.

Aquilo era raro.

Muito raro.

— E você? — perguntou ela de repente.

Arthur arqueou uma sobrancelha.

— Eu?

— Gosta do que faz?

Ele pensou por alguns segundos.

Ninguém costumava lhe fazer esse tipo de pergunta.

As pessoas geralmente queriam saber sobre dinheiro, negócios ou fama.

Não sobre ele.

— Às vezes.

— Só às vezes?

— Construir empresas é mais difícil do que parece.

— Imagino.

— Existem dias em que tudo depende de uma única decisão.

— E isso deve ser cansativo.

Arthur ficou surpreso.

Ela não estava admirando sua fortuna.

Estava tentando entender o peso que ele carregava.

E isso o tocou mais do que gostaria de admitir.

A chuva continuava caindo do lado de fora.

As luzes da cidade refletiam nas ruas molhadas.

Por alguns minutos, conversaram sobre assuntos simples.

Livros.

Filmes.

Viagens.

E, para a surpresa dos dois, descobriram que tinham mais coisas em comum do que imaginavam.

Quando chegaram ao bairro onde Lívia morava, Arthur reduziu a velocidade.

Não era uma região luxuosa.

Mas era organizada e tranquila.

— É aqui.

Arthur estacionou.

Lívia soltou o cinto de segurança.

— Obrigada pela carona.

— Foi um prazer.

Ela sorriu.

— Boa noite, senhor Montenegro.

— Arthur.

Lívia riu.

— Boa noite, Arthur.

Por algum motivo, ouvir seu nome sair dos lábios dela fez seu coração acelerar.

Ela abriu a porta e desceu do carro.

Mas antes de entrar no prédio, virou-se.

— E obrigada por confiar em mim.

— Pelo quê?

— Pela conversa.

Arthur observou-a por alguns segundos.

— Acho que sou eu quem deve agradecer.

Lívia sorriu mais uma vez e entrou.

Arthur permaneceu parado por alguns instantes.

Sem entender por que não conseguia ir embora.

Algo naquela jovem o fazia sentir-se diferente.

Mais leve.

Mais humano.

E isso era perigoso.

Muito perigoso.

Do outro lado da janela do apartamento, Laura observava tudo.

Ela havia visto o carro.

Visto o homem.

E visto sua irmã sorrindo.

Curiosa, correu até a sala.

Assim que Lívia entrou, Laura cruzou os braços.

— Quem era aquele?

Lívia parou.

— Um colega de trabalho.

— Mentira.

— Laura…

— Eu vi o carro.

Aquele não é carro de colega de trabalho.

Lívia suspirou.

Sabia que esconder seria impossível.

— Foi Arthur Montenegro.

Os olhos de Laura se arregalaram.

Por alguns segundos, ela ficou em silêncio.

Depois, um sorriso estranho surgiu em seus lábios.

Um sorriso que Lívia não percebeu.

Mas que revelava algo perigoso.

Naquele momento, uma ideia começou a nascer na mente de Laura.

E aquela ideia mudaria o destino de todos eles.

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