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capítulo 5

last update Data de publicação: 2026-08-27 00:32:22

Hana olhou discretamente para o relógio de pulso.

Já passava das nove da noite.

Ela terminou de beber a água, levantou-se da cadeira e sorriu educadamente.

— Bom... foi um prazer rever a senhora, dona Fernanda.

Fernanda sorriu de volta.

— O prazer foi meu, querida.

Hana voltou o olhar para Xavier.

— E foi um prazer conhecer o senhor Xavier.

Ele apenas fez um leve aceno com a cabeça.

— Mas agora eu realmente preciso ir para casa trocar de roupa. Daqui a pouco tenho um plantão.

Xavier franziu o cenho.

— Você ainda vai trabalhar hoje?

— Vou, sim.

Ela pegou a bolsa.

— Hoje tem show na casa de eventos. Preciso bater a meta e vender o máximo de bebidas possível.

Ele demonstrou curiosidade.

— Como assim, meta?

— A casa estabelece uma meta de vendas para cada garçonete.

— E quanto é essa meta?

— Depende do movimento, mas normalmente tento vender oito mil reais em bebidas.

Fernanda arregalou os olhos.

— Oito mil?

Hana sorriu.

— Tem dias que vendo cinco mil. Em outros consigo chegar aos oito.

Xavier perguntou:

— E o que você ganha com isso?

— Se eu atingir os oito mil, recebo trinta e cinco por cento das vendas.

— Trinta e cinco por cento? — ele repetiu.

— Sim.

Ela deu de ombros.

— Se vendo menos, ganho bem menos também. Mas às vezes recebo boas gorjetas.

Percebendo a expressão dos dois, ela resolveu explicar melhor.

— Eu não fico no bar preparando bebida.

Os dois continuavam ouvindo.

— Eu ando pelo salão com a maquininha de cartão. Vou de mesa em mesa perguntando o que os clientes querem beber. Eles pagam comigo, depois eu busco os baldes de cerveja ou as bebidas e entrego.

Fernanda assentiu.

— Entendi.

— Alguns clientes também oferecem bebida para mim.

Ela sorriu sem graça.

— Mas eu quase não bebo.

Xavier perguntou:

— E o que faz quando ganha?

— Levo para casa.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Para beber depois?

Ela balançou a cabeça.

— Não.

Sorriu discretamente.

— Tem um depósito de bebidas perto de casa. Eu revendo tudo lá.

Fernanda ficou surpresa.

— Você revende?

— Sim.

— E eles compram?

— Compram. Não pelo mesmo valor, claro. Mas já ajuda bastante.

Ela respirou fundo.

— No fim do mês faz diferença.

Xavier permaneceu olhando para ela.

— Então você trabalha praticamente para sustentar sua mãe.

Hana respondeu sem hesitar.

— Sim.

— Sua mãe é solteira?

— Não.

Fernanda não conseguiu esconder a surpresa.

— Sua mãe é casada... e mesmo assim você sustenta a casa?

Hana abaixou os olhos por um instante.

— Está complicado, senhora.

Sua voz continuava calma.

— É uma situação complicada.

Ela levantou novamente o olhar.

— Eu ajudo minha mãe porque ela precisa.

Fez uma pequena pausa.

— Só isso.

Depois sorriu educadamente.

— Mas agora eu realmente preciso ir.

Fernanda levantou-se.

— Eu peço para o motorista levar você.

— Não precisa, dona Fernanda.

— Tem certeza?

— Tenho.

Hana sorriu.

— Chamo um táxi rapidinho, passo em casa, troco de roupa e vou trabalhar.

Ela fez um pequeno aceno.

— Muito obrigada pelo jantar.

— Boa noite.

— Boa noite, querida — respondeu Fernanda.

— Boa noite, senhor Xavier.

— Boa noite.

Hana caminhou até a porta da mansão e desapareceu alguns segundos depois.

O silêncio tomou conta da sala.

Fernanda continuou olhando para a porta fechada.

Então virou-se para o filho.

— E aí?

Xavier permaneceu calado.

Ela cruzou os braços.

— Ainda acha que ela é uma oportunista?

Ele respondeu sem alterar o tom.

— Não podemos confiar em alguém tão rapidamente.

Fernanda sorriu de canto.

— Eu não falei em confiar rapidamente, Xavier.

Ela caminhou lentamente pela sala.

— Mas eu nunca vi nenhuma mulher se aproximar de você dizendo que não quer o seu cartão black.

Ele permaneceu ouvindo.

— Nunca vi nenhuma dizer que não quer o seu sobrenome.

Ela respirou fundo.

— Muito menos alguém que se contentaria com uma aliança de bijuteria...

Olhou diretamente para o filho.

— Sabendo que você pode comprar o anel de diamante mais caro do mundo.

Xavier permaneceu em silêncio.

Fernanda continuou:

— E outra coisa me chamou atenção.

— O quê?

— Ela trabalha até a exaustão para sustentar a mãe.

Fez uma pausa.

— Uma mãe que é casada.

Xavier também havia percebido aquela contradição.

— Isso não faz sentido.

— Exatamente.

Fernanda suspirou.

— Provavelmente esse padrasto dela é um homem folgado... ou pior.

Xavier não respondeu.

Ela continuou, pensativa:

— E quando ela disse que usar uma aliança facilitaria a vida dela...

Seu olhar ficou sério.

— Aquilo não foi uma frase qualquer.

Xavier recordou a expressão de Hana naquele momento.

Ela não parecia feliz.

Parecia aliviada com a ideia de usar uma aliança.

— Tem alguma coisa por trás disso — disse ele, pela primeira vez concordando com a mãe.

Fernanda assentiu.

— Tem.

O silêncio voltou a tomar conta da sala.

Depois de alguns segundos, Xavier pegou o celular sobre a mesa.

Fernanda percebeu o movimento.

— O que vai fazer?

Ele respondeu sem desviar os olhos da tela.

— Investigar.

Ergueu o olhar para a mãe.

— Antes de casar com Hana Monteiro... eu quero saber de quem ela está tentando se proteger.

Na manhã seguinte, Xavier chegou cedo à empresa.

Assim que entrou em sua sala, apertou o botão do interfone.

— Gustavo, venha até aqui.

Menos de um minuto depois, seu advogado e homem de confiança entrou no escritório.

— Bom dia, doutor.

— Bom dia. Sente-se.

Gustavo percebeu pela expressão do chefe que o assunto era sério.

— Preciso que faça uma investigação discreta.

— Sobre quem?

Xavier abriu uma pasta e retirou uma cópia do documento de Hana.

Empurrou a folha pela mesa.

— Hana da Silva Monteiro.

Gustavo pegou o documento.

— O que exatamente o senhor quer saber?

— Tudo.

O advogado esperou que ele continuasse.

— Onde mora. Quem mora com ela. Quem é a mãe. Quem é o marido da mãe. Quero saber se ela tem dívidas, se alguém a ameaça, se existe algum processo envolvendo o nome dela...

Ele fez uma pequena pausa.

— Mas sem invadir a privacidade dela de forma ilegal.

— Entendido.

— E, principalmente...

Gustavo levantou os olhos.

— Descubra por que uma mulher de vinte e cinco anos trabalha em quatro empregos e disse que uma aliança de casamento facilitaria a vida dela.

— Certo.

— Seja discreto. Ela não pode descobrir que está sendo investigada.

— Pode deixar.

Gustavo saiu da sala.

Xavier permaneceu sentado, olhando pela janela.

A imagem de Hana voltava à sua cabeça sem que ele percebesse.

A simplicidade.

A calma.

O jeito como ela recusou qualquer vantagem.

Aquilo não combinava com alguém interessado em dinheiro.

Ele respirou fundo e voltou ao trabalho.

Enquanto isso, Hana caminhava apressada até a lanchonete.

Os olhos denunciavam o cansaço da noite anterior.

Ela havia chegado em casa depois das seis da manhã, dormido poucas horas e já estava novamente de pé.

Assim que entrou no estabelecimento, o gerente olhou para ela.

— Bom dia, Hana.

— Bom dia.

— Dormiu?

Ela deu uma risadinha.

— Mais ou menos.

— Você vai acabar desmaiando qualquer dia desses.

— Ainda estou firme.

Ele balançou a cabeça, já acostumado com a resposta.

— Você é teimosa.

Hana apenas sorriu e amarrou o avental na cintura.

Pegou a comanda e começou mais um turno.

Como fazia todos os dias.

Sem imaginar que, naquele mesmo momento, alguém começava a juntar as peças da vida que ela escondia tão bem.

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Último capítulo

  • ELA ERA APENAS UM CONTRATO ATE ELE QUASE PERDE-LA    capítulo 40

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  • ELA ERA APENAS UM CONTRATO ATE ELE QUASE PERDE-LA    capítulo 35

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