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Capítulo 3

Author: Sofia Braga
Catarina não acreditou. Por isso, decidiu acompanhar Daniela até a Villa do Lago.

O Porsche Panamera branco de Daniela continuava estacionado no mesmo lugar de ontem.

Dentro do carro, Catarina, sentada no banco do passageiro, apontou para a mansão à frente.

— Esse estilo arquitetônico... nem dá para dizer que parece com a casa onde você e o Eduardo moram. É praticamente uma réplica.

Assim que terminou de falar, Catarina se arrependeu imediatamente.

Cobriu a boca e lançou um olhar cauteloso para Daniela.

Daniela permanecia sem expressão, apenas olhando pela janela.

— Ontem saiu uma nova regulamentação na legislação matrimonial. — Disse ela com calma. — Se alguém sabe que a outra pessoa é casada e mesmo assim passa a viver com ela como se fossem marido e mulher, pode ser acusado de bigamia. Eu não quero apenas que Eduardo saia do casamento de mãos vazias. Também vou processar Agatha. Quero arruinar os dois.

Catarina murmurou, ao ver o olhar decidido de Daniela:

— Você realmente se preparou bem para esse divórcio...

Depois acrescentou em voz baixa:

— Mas você precisa de provas de que eles vivem juntos.

— Isso não é difícil. — Respondeu Daniela friamente. — A prova está bem diante dos nossos olhos.

Catarina ainda parecia hesitante.

— Será que não houve algum mal-entendido? O Eduardo sempre foi um pouco frio, mas sempre tratou você bem... não parece o tipo de homem que faria algo assim.

Daniela voltou o olhar para Catarina.

— Antes de ontem, eu pensava exatamente como você. Eu sei que o Eduardo tem uma personalidade distante, mas eu o amo. Foi o homem que escolhi para ser meu marido. Durante esses cinco anos depois que perdemos nossos filhos, mesmo sabendo que ele se irritava com meu estado emocional, eu nunca o culpei.

Ela continuou com a voz tranquila:

— Eu sempre tentei encontrar o problema em mim mesma. Decidi mudar, me reconstruir... mas nunca imaginei que, logo depois de eu perder meus dois filhos, ele já tivesse tido um filho com Agatha.

A voz dela permanecia calma.

Era como se tanto o amor quanto o ódio tivessem morrido no dia anterior.

Quando o coração morre, a pessoa fica fria até consigo mesma.

Catarina ficou olhando para ela, atônita.

Antes que pudesse dizer algo, Daniela apontou para fora da janela.

— Olhe. Eles estão comemorando. Hoje é o aniversário de cinco anos daquele menino.

Catarina virou a cabeça imediatamente.

No terraço panorâmico do segundo andar, as risadas alegres de uma criança ecoavam claras e vibrantes, como se ele possuísse o tesouro mais precioso do mundo.

Daniela pensou em seus próprios filhos.

Sem hesitar, abaixou o vidro do carro, abriu o aplicativo de câmera do celular e começou a gravar o terraço.

Diante de uma mesa coberta com toalha, Eduardo segurava Diego nos braços.

Nos braços de Diego havia um boneco Transformers de edição limitada.

Agatha, vestindo um vestido branco, estava sentada ao lado deles, segurando o celular.

A luz do sol caía sobre os três.

Eles olhavam juntos para o telefone na mão de Agatha.

Diego fez uma pose travessa.

Agatha inclinou a cabeça e encostou no ombro de Eduardo.

E Eduardo, que normalmente era tão frio e nunca gostava de tirar fotos, naquele momento sorria abertamente para a câmera.

Uma cena perfeita de uma família feliz.

Daniela pressionou o botão de pausa e salvou o vídeo.

O vidro do carro voltou a subir lentamente.

Ela olhou para Catarina e curvou os lábios em um sorriso amargo.

— Ainda acha que é um mal-entendido?

Catarina já estava chorando.

Olhou para Daniela e disse, entre lágrimas:

— Como o Eduardo pôde te trair? No começo, o casamento de vocês foi arranjado pelas famílias, mas ele gastou uma fortuna para organizar o casamento, mandou fazer o anel de casamento e o vestido sob medida para você... Todos os nossos amigos diziam que, depois de tantos anos correndo atrás do Eduardo, você finalmente tinha conseguido o que queria...

Sim.

Mesmo sem um amor arrebatador no início, o casamento entre Daniela e Eduardo ainda era considerado harmonioso.

Ninguém imaginaria que Eduardo fosse trair.

O que Daniela não conseguia perdoar era o fato de que Diego tinha cinco anos.

Apenas quatro meses mais novo que os gêmeos que ela havia perdido.

Ou seja...

Eduardo já a havia traído enquanto ela ainda estava grávida.

E, quando os corpos de seus filhos mal haviam esfriado, Eduardo e Agatha já estavam celebrando o nascimento de Diego.

Uma dor lancinante torceu seu peito.

Daniela fechou os olhos com força e respirou fundo.

Ela não podia desistir.

Precisava ser digna de si mesma e de seus filhos.

— Catarina, você vai aceitar esse caso ou não?

Ao ouvir isso, Catarina começou a chorar ainda mais.

— Desculpa... não é que eu não queira ajudar você. Mas entrar em um processo contra o Eduardo... isso eu realmente não posso fazer!

Daniela sentiu o coração afundar, mas também conseguia entender.

Depois que Eduardo assumiu o Grupo Soares, em apenas cinco anos o valor de mercado da empresa havia se multiplicado várias vezes.

O escritório de advocacia que o representava também era um dos mais renomados de Cidade dos Ventos.

Para um escritório pequeno como o de Catarina enfrentar aquela equipe seria realmente desvantajoso.

As chances de vitória eram praticamente inexistentes.

— Tudo bem. Eu vou pensar em outra solução.

Daniela ligou o carro.

— Daniela, eu posso apresentar todos os meus contatos e recursos para ajudar você. Só... você tem certeza de que quer mesmo se divorciar do Eduardo?

O movimento de Daniela ao engatar a marcha parou por um instante. Ela virou o rosto e olhou para Catarina.

— Você acha que eu não deveria me divorciar?

Catarina ficou sem resposta.

— Eu preciso me divorciar. Eduardo não merece ser o pai do meu filho.

Daniela voltou o olhar para frente e pressionou levemente o acelerador.

O Panamera branco fez uma curva e seguiu pela estrada do condomínio.

No terraço do segundo andar, Agatha guardou o celular.

Observou a silhueta do carro que se afastava lentamente e, em um canto onde ninguém podia ver, um sorriso satisfeito surgiu em seus olhos.

......

Embora Catarina não pudesse assumir o caso, apresentou a Daniela um advogado bastante conhecido: Simão Moura.

Na época da universidade, Simão já era uma figura famosa no curso de Direito.

Daniela também sabia bem quem ele era.

Desde pequena, Daniela sempre foi uma pessoa de ação, direta, intensa, alguém que amava e odiava sem fingimentos.

Quando tomava uma decisão, nunca hesitava.

Na manhã do dia seguinte, por intermédio de Catarina, os três marcaram de se encontrar em um café.

Quando Catarina e Daniela chegaram, Simão ainda não havia chegado.

Elas escolheram uma mesa e acabaram de se sentar quando uma voz infantil soou na entrada:

— Papai, eu quero bolo de chocolate!

Daniela congelou por um instante e levantou os olhos em direção à porta.

Eduardo entrou no café segurando a mão de Diego, que vestia um macacão jeans.

Diego apontava para a vitrine de bolos.

O rostinho, praticamente idêntico ao de Eduardo, estava cheio de entusiasmo.

Mesmo já tendo decidido se divorciar, ao ver aquela cena o coração de Daniela ainda se contraiu.

Uma sensação amarga subiu pelo nariz.

Catarina estava completamente atônita.

Com os olhos arregalados, olhava fixamente para Eduardo e Diego.

De tão perto, quase teve vontade de comentar em voz alta: Diego era literalmente uma versão em miniatura de Eduardo.

Eduardo pareceu perceber o olhar de Daniela.

Ele virou a cabeça naquela direção.

Os olhos dos dois se encontraram.

Eduardo ficou momentaneamente surpreso.

Já Daniela permaneceu impassível.

Apenas a mão que segurava a xícara apertou com força, até que as pontas dos dedos ficaram brancas.

Catarina murmurou em voz baixa:

— Nossa... que situação...

Daniela originalmente pretendia esperar reunir todas as provas e preparar o acordo de divórcio antes de confrontar Eduardo.

Mas ela não esperava encontrar ele ali.

Agora que estavam cara a cara, ela queria ver.

Diante de Diego, como ele explicaria tudo aquilo?

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