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Capítulo 4

Author: Sofia Braga
— Papai, você ouviu o que eu disse? — Diego balançou a mão de Eduardo. — Eu quero bolo de chocolate!

Eduardo desviou o olhar de Daniela e baixou a cabeça para encarar o menino.

A voz saiu grave:

— Você acabou de melhorar da febre. Ainda não pode comer.

Diego ficou um pouco desapontado. Fez bico, mas não reclamou.

Eduardo passou a mão na cabeça dele.

— Quando você estiver melhor, eu compro um para você.

— Tá bom! — Diego assentiu obedientemente.

Sem fazer birra, virou a cabeça e apontou novamente para a vitrine de bolos.

— Então hoje a gente compra o bolo de morango que a mamãe mais gosta, pode ser?

— Pode.

Em seguida, pediu ao atendente que embalasse um bolo de morango e pegou o celular para pagar.

Durante todo o processo, ele não voltou a olhar para Daniela.

Daniela continuou sentada, observando os dois sem piscar.

A forma paciente e carinhosa com que Eduardo tratava o menino realmente parecia a de um pai exemplar.

Se os filhos dela estivessem vivos... Eduardo também teria sido tão paciente e gentil?

Se fosse antes, Daniela teria corrido até ele para exigir uma explicação.

Mas agora não faria mais isso.

A indiferença de Eduardo já havia lhe dado a resposta mais clara possível.

Aquele Diego ocupava todo o amor paternal de Eduardo.

Ele já havia esquecido os gêmeos.

Agora tinha uma nova família.

Um novo filho.

E já não era mais o marido que deveria ser.

O casamento deles havia apodrecido.

Questionar ou discutir já não fazia mais sentido.

Mesmo assim, vendo Eduardo tratar aquele menino com tanto carinho, Daniela não conseguia deixar de sentir ressentimento.

Ela se sentia injustiçada pelos filhos que perdera.

Como Eduardo podia estar tão tranquilo?

O ressentimento de Daniela parecia simplesmente não existir para ele.

Com uma mão segurando o bolo e a outra segurando a mão do menino, Eduardo saiu do café.

Sua figura era alta e elegante.

Ao lado dele, Diego caminhava com passos leves.

Os dois, banhados pela luz do sol, seguiram em direção ao Maybach estacionado à beira da rua.

Era uma cena bonita e acolhedora.

Dentro do café, uma jovem funcionária observava o pai e o filho se afastando e suspirou, apoiando o rosto nas mãos.

— É assim que tem que ser... se for para casar, tem que escolher um marido bonito. O pai é bonito, o filho também... que genética maravilhosa! Que mulher de sorte deve ser a esposa dele...

Nem a música ambiente do café conseguiu abafar a voz da funcionária.

Naquele momento, aquelas palavras soavam como um deboche cruel para Daniela.

Catarina olhou para ela com cautela:

— Você... está bem?

Os lábios pálidos de Daniela estavam firmemente cerrados.

Uma das mãos se fechava com força, as unhas cravando na própria carne.

Na memória dela, Eduardo sempre fora um viciado em trabalho, um homem de personalidade fria.

Mas, em todas as datas comemorativas, ele sempre pedia ao seu assistente que preparasse presentes para ela, garantindo que ela recebesse o respeito e a consideração que uma esposa merecia.

Ela sempre acreditou que ele simplesmente era assim.

Mas, nos últimos dois dias, a realidade havia lhe dado um tapa brutal no rosto.

Cinco anos de casamento.

E dois filhos que morreram antes de nascer.

Ainda assim, nada disso conseguiu competir com a obsessão de Agatha... nem com o apego de Diego a ele.

O celular dentro da bolsa vibrou.

Daniela tirou o aparelho.

Era uma mensagem de Eduardo: [Hoje à noite eu volto.]

Uma frase curta.

Não era uma explicação, era uma ordem.

Daniela ficou olhando para a mensagem.

Um sorriso frio surgiu em seus lábios.

Naquele som estavam condensados inúmeros amargores, dores e lágrimas.

Catarina olhava para Daniela sem conseguir dizer nenhuma palavra de consolo. Em seus olhos havia apenas compaixão.

Nesse momento, o celular de Catarina tocou.

Era Simão.

Ela atendeu:

— Febre? Tudo bem, a criança vem primeiro. Fique tranquilo, eu explico tudo para a Daniela aqui...

Daniela observou Catarina. Quando ela desligou, perguntou:

— O que aconteceu?

Catarina pousou o celular na mesa e respondeu com um suspiro:

— O Simão disse que a filha está com febre. Ele precisa levar ela ao hospital agora. Vamos ter que remarcar.

— Simão é casado?

— Não. Aquela filha é da namorada da época da faculdade.

Catarina se inclinou um pouco, baixando a voz:

— Antes de morrer de câncer, a primeira namorada dele deixou a filha sob os cuidados dele.

— Então a menina não é filha biológica do Simão?

— Claro que não!

Sempre que falava sobre Simão, Catarina acabava suspirando.

— Eles terminaram logo depois de se formarem. O Simão foi para o exterior e ela se casou. Descobriu que estava com câncer quando já estava grávida. E ainda por cima era uma menina. A família do marido não gostou nada, e a própria família dela também não quis se envolver... O Simão, por consideração ao passado deles, pagou o tratamento. Depois que ela morreu, ninguém quis ficar com a criança. Então ele acabou adotando a menina.

Ao ouvir isso, Daniela levou a mão instintivamente ao abdômen.

Catarina continuou:

— A menina nasceu prematura e é difícil de cuidar. Eu a vi uma vez em um jantar na casa do meu antigo professor. Ela já tem cinco anos, mas parece ter dois ou três. Muito pequena e magrinha. Mas é bonita... embora nem pareça com a mãe. Enfim, a criança vive doente. Os médicos disseram que ela não se adaptava ao clima no exterior. Foi por isso que o Simão decidiu voltar ao país com ela.

Ser capaz de fazer tudo isso por uma criança adotada...

Daniela realmente admirava aquilo.

Pelo menos, depois de ouvir a história, ela sentia que o caráter de Simão era confiável.

Quanto à competência profissional dele, nem precisava questionar.

Daniela decidiu que Simão seria o advogado que cuidaria de seu divórcio.

— Diga ao Simão para cuidar primeiro da filha. Eu posso esperar.

Catarina fez um gesto de aprovação:

— Certo. Vou mandar uma mensagem para ele.

......

Depois de saírem do café, Daniela e Catarina se despediram.

Daniela não voltou para casa.

Ainda tinha uma coisa a fazer.

Diante do edifício da YAH Joias, Daniela estacionou o carro e desceu, segurando a bolsa.

Aquela era a empresa de joias que ela e Eduardo haviam fundado juntos seis anos antes.

Daniela possuía 61% das ações.

Eduardo tinha 30%.

Os 9% restantes estavam distribuídos entre outros acionistas.

Como fundadora, Daniela havia conduzido a empresa a resultados impressionantes já no primeiro ano de existência.

Naquele ano, a marca entrou para o ranking internacional de joalherias.

Foi Daniela quem treinou pessoalmente Agatha.

Quando estava grávida de cinco meses, promoveu Agatha ao cargo de vice-presidente da empresa e deixou o trabalho para cuidar da gestação em casa.

Naquele dia, Agatha segurou as mãos dela com lágrimas nos olhos e jurou:

— Eu jamais vou trair a confiança e o investimento que você fez em mim! Fique tranquila em casa, cuidando da gravidez. Eu e todos aqui vamos proteger a empresa. Quando você voltar, vamos conquistar ainda mais sucesso juntas!

E agora...

Ela estava parada no saguão do prédio, sendo barrada por dois seguranças que gritavam que pessoas não autorizadas não podiam entrar.

Daniela olhou friamente para os dois.

Cinco anos era tempo demais.

Tudo havia mudado.

Daniela estava prestes a falar quando as portas do elevador no saguão se abriram.

Agatha saiu primeiro, seguida por um grupo de pessoas.

E caminhou diretamente na direção dela.

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