LOGINDaniela tocou a campainha, e Catarina abriu a porta.Ela falou em voz baixa:— As crianças estão tirando uma soneca.Daniela entrou e, enquanto trocava os sapatos, explicou:— Voltei para pegar algumas roupas e coisas de uso pessoal para o Eduardo.— Ele está bem?— Teve outra fratura. O Paulo fez a cirurgia pessoalmente, com uma fixação minimamente invasiva. Ele vai ficar internado por dois dias em observação.Catarina respirou aliviada.— Ele ainda é jovem. Com um tempo de recuperação, provavelmente não vai ficar com nenhuma sequela, né?Daniela suspirou.— O Paulo disse que, em princípio, não. Mas eu também tenho uma parcela de culpa. A Dália está justamente naquela fase de querer explorar tudo e mexer em tudo. Eu estava trocando a fralda dela e me distraí por um instante. O Eduardo caiu porque tentou proteger ela.Catarina franziu a testa.— Como isso pode ser culpa sua? A Dália está numa idade em que a curiosidade é enorme. Num lugar diferente, é normal ficar mais agitada e arteir
Eduardo respondeu com tranquilidade:— Foram. Esse projeto é importante. Você e a Yasmin podem ficar aí mais alguns dias e avaliar tudo com calma. Não precisam voltar correndo.— Mas a gente já viu praticamente tudo o que precisava. Amanhã à tarde já dá para voltar para Cidade dos Ventos!— É cedo demais.Benjamin ficou confuso.— Voltem só na semana que vem.— Mas a vistoria praticamente acabou. E, como o senhor ainda não pode ir para a empresa por enquanto, eu preciso voltar para acompanhar as coisas por lá...Eduardo baixou a voz.— O que for necessário da empresa, eu resolvo pela internet. Faz como estou dizendo. Se esse projeto der certo, seu bônus de fim de ano vai dobrar.— O quê? Dobrar meu bônus de fim de ano?Benjamin ficou tão empolgado que acabou engasgando. Precisou tomar alguns goles de água até conseguir parar de tossir.Quando finalmente se recuperou, falou com toda a seriedade:— Não brinca comigo, porque eu vou levar isso a sério. Vou até anotar o que o senhor acabou
O clima, que até então estava relativamente leve, ficou estranho no instante em que Eduardo fez aquela pergunta.Daniela desviou os olhos.— Com as condições que você tem, mesmo que ficasse inválido de verdade, não precisaria que ninguém sustentasse você. E você está muito bem agora, então para de se fazer de coitado de propósito.Eduardo, porém, continuou olhando fixamente para ela.— Você sabe no que eu estava pensando enquanto estava na sala de cirurgia?Daniela não respondeu. Apenas encarou ele.Ela tinha uma vaga ideia do que Eduardo estava prestes a dizer, mas não tentou impedir.E aquele silêncio acabou dando a ele coragem para continuar.— Eu estava pensando que, se realmente ficasse inválido, talvez finalmente tivesse um motivo legítimo para me fazer de coitado. Aí eu não ia mais me importar com orgulho, dignidade, nada disso.— Você não apareceu nesses últimos dias, e só então percebi como o tempo pode passar devagar. Mesmo com as três crianças comigo todos os dias, eu contin
Daniela olhou para ele, sem saber o que dizer.— É tão estranho assim eu me preocupar com você? Você se machucou por causa da Dália. Se realmente ficar com alguma sequela, as três crianças vão ficar tristes, e eu também vou me sentir culpada.Eduardo respirou fundo antes de responder:— Fica tranquila. O Dr. Paulo é um ótimo médico, e eu ainda sou jovem. Meu corpo se recupera rápido. Não vou ficar inválido.Daniela olhou para ele.— Com esse rosto branco desse jeito, não dá para acreditar muito no que você está dizendo.Eduardo ficou sem resposta.Daniela suspirou.— Vou fazer a ligação. Não tenta se mexer. Ana, fica aqui com ele e não deixa ele tentar levantar sozinho.— Pode deixar! Eu vou cuidar direitinho do papai!Ana se agachou ao lado de Eduardo, franziu as sobrancelhinhas e ficou observando ele com atenção. Seus olhos eram tão parecidos com os de Daniela que Eduardo não sabia se ria ou se suspirava.As duas filhas se pareciam muito com ela, principalmente quando encaravam algu
No quarto de hóspedes, Daniela tinha acabado de trocar a fralda de Dália e ainda nem tinha conseguido colocar a calça nela quando ela se virou e começou a engatinhar depressa pela cama.A porta não estava totalmente fechada. Quando Eduardo empurrou e entrou, encontrou Daniela ao lado da cama, com a calça de Dália nas mãos, tentando convencer ela a voltar.— Dália, vem cá. Deixa eu colocar sua calça.— Não.— Você não pode sair por aí sem calça.— Não.Daniela foi atrás dela, mas Dália imediatamente engatinhou para o outro lado.Dália era muito mais rápida do que parecia. Era a primeira vez que Daniela via ela tão arteira, e acabou rindo.— Quando você colocar a calça, a gente vai procurar o Eduardo!— Não.Assim que viu Daniela se aproximando outra vez, Dália soltou um gritinho animado, se virou e engatinhou ainda mais depressa.Ela estava tão entretida brincando de fugir da mãe que nem percebeu que já tinha chegado à beirada da cama. Mais um pouco e cairia.O coração de Daniela ape
Sarah sorriu e tomou mais alguns goles do suco.— Então vou aproveitar.Viviane observou Sarah por um instante e achou que ela tinha uma personalidade bastante direta.Depois, voltou a atenção para Daniela e Eduardo.Os cinco estavam reunidos, e aquela cena em família parecia especialmente acolhedora.Era uma pena que Daniela e Eduardo ainda não tivessem voltado a ficar juntos.Viviane perguntou para Daniela:— Você está com pressa para ir embora?Daniela se levantou e olhou para ela.— Por quê?— Dei uma olhada agora há pouco e quase não tem nada na geladeira. Se você não estiver com pressa, quero passar no supermercado aqui perto para comprar algumas coisas. Senão, vai ser difícil preparar o almoço.Daniela virou o rosto para Eduardo.Ele também estava olhando para ela.— Você tem algum compromisso hoje? Daniela respondeu com sinceridade:— Marquei de encontrar a Catarina à tarde. De manhã, não tenho mais nada.— Então fica para almoçar aqui?Era raro Eduardo falar com ela daquele j
Catarina não acreditou. Por isso, decidiu acompanhar Daniela até a Villa do Lago.O Porsche Panamera branco de Daniela continuava estacionado no mesmo lugar de ontem.Dentro do carro, Catarina, sentada no banco do passageiro, apontou para a mansão à frente.— Esse estilo arquitetônico... nem dá para
Era uma noite de verão. No quarto principal, mergulhado na penumbra, o colchão da cama grande afundava sob o peso de dois corpos.A cortina leve deixava passar a luz branca da lua.As respirações se misturavam no ar, e as sombras se moviam silenciosamente.Eduardo havia bebido. Seus movimentos não
Nos três dias em que Eduardo não voltou para casa, Daniela também não ficou parada.Ela começou a separar tudo o que lhe pertencia. Tudo o que era seu foi cuidadosamente embalado, e ela chamou uma empresa de mudanças para levar as caixas embora.Viviane, ao ver aquela movimentação, percebeu que des
— Papai, você ouviu o que eu disse? — Diego balançou a mão de Eduardo. — Eu quero bolo de chocolate!Eduardo desviou o olhar de Daniela e baixou a cabeça para encarar o menino.A voz saiu grave:— Você acabou de melhorar da febre. Ainda não pode comer.Diego ficou um pouco desapontado. Fez bico, mas







