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Capítulo 6

作者: Sofia Braga
Se fosse antes, Daniela já teria corrido até ele para exigir explicações.

Mas agora não.

Ela tinha visto com os próprios olhos, na Villa do Lago, como Eduardo mimava Agatha e Diego.

Sabia que Eduardo havia mudado.

Mesmo que tivessem outro filho, nada entre eles voltaria a ser como antes.

Ela não queria mais um homem que já tinha mudado de coração e de cama.

Mas, mesmo que se divorciasse, jamais deixaria Agatha sair ganhando.

Daniela caminhou até a mesa com o rosto frio e se sentou na cadeira em frente a Eduardo.

Não tocou na tigela de sopa.

Apenas o encarou.

— A empresa foi criada por mim. Eu não concordo que você tenha transferido ações para a Agatha.

A voz saiu gelada.

— Não quero perder tempo discutindo. Você me traiu, então é o culpado pelo divórcio. Nós vamos nos divorciar. Exceto os bens originais do Grupo Soares, tudo o que foi adquirido ao longo do casamento vai ficar comigo.

A atitude era firme.

Nos olhos bonitos brilhava uma determinação que não aparecia havia muito tempo.

Por um instante, Eduardo teve a impressão de ver novamente a Daniela de antigamente, a mulher que lutava ao lado dele no mundo dos negócios.

Mas cinco anos mudaram muitas coisas.

Sem alterar a expressão, ele pegou um pedaço de carne e colocou na tigela vazia diante dela.

— Não é um bom momento para falar disso durante o jantar. Eu sei que você está com raiva. Mas o médico disse que você precisa comer três refeições por dia, nos horários certos. Não jogue fora o progresso que conseguiu nos últimos meses.

Daniela olhou para o pedaço de carne na tigela e soltou uma risada fria.

— Só de olhar para você eu já fico enjoada. Não consigo comer.

Eduardo fez uma breve pausa.

Levantou os olhos para ela.

Quando os dois se encararam, o olhar dele estava escuro e profundo.

A leve ruga entre suas sobrancelhas revelava um traço de impaciência.

Daniela sustentou o olhar.

Não havia o menor sinal de recuo ou submissão.

Desde o momento em que descobriu a verdade, ela disse a si mesma que não precisava mais se humilhar.

O ambiente ficou pesado.

Era evidente que aquele jantar não poderia continuar.

Eduardo largou a tigela e pressionou levemente a testa com os dedos.

— Aqueles executivos foram promovidos por você. Eles não respeitavam Agatha. Quando você entregou a empresa nas mãos dela, não foi justamente porque queria que ela tivesse capacidade de se virar sozinha? Eu dei ações para ela justamente para que tivesse mais autoridade dentro da empresa e pudesse ajudar a administrar tudo melhor para você.

— Parece uma justificativa perfeita.

Daniela soltou uma risada cheia de escárnio.

— Só que depois que recebeu as ações, Agatha começou a expulsar todos os talentos que eu treinei pessoalmente!

Eduardo franziu a testa:

— Você está fora da empresa há cinco anos. É impossível que não haja nenhuma mudança de pessoal em cinco anos. Não volte a agir como antes, deixando as emoções dominarem e confundindo certo e errado.

— Sou eu que estou confundindo as coisas? Ou foi Agatha que, com o seu apoio, virou as costas para mim?

Daniela gritou e ficou de pé de repente.

Mas, no mesmo instante, o mundo começou a girar diante de seus olhos.

— Daniela!

Eduardo avançou e a segurou quando o corpo dela começou a cair.

O cheiro familiar de zimbro se aproximou.

Ela foi erguida nos braços de Eduardo.

Enquanto a consciência oscilava, ela ouviu Eduardo chamar Viviane e mandar que chamasse o motorista para levar eles ao hospital.

Ao pensar na gravidez, o coração de Daniela afundou.

Ela reuniu as últimas forças e agarrou a camisa dele.

Eduardo parou no meio do caminho até a porta e abaixou a cabeça.

— Você acordou?

Daniela abriu os olhos.

O rosto estava pálido.

Franzindo a testa, falou com dificuldade:

— Eu não vou para o hospital...

— Em uma hora dessas você ainda quer fazer drama?

— Eu não estou fazendo drama...

A mão que segurava a camisa dele apertou com mais força.

— É só hipoglicemia. Não precisa exagerar...

Ao ouvir isso, a expressão de Eduardo suavizou um pouco.

Depois de hesitar por alguns segundos, ele a carregou escada acima.

— Viviane, esquente a comida e leve para o quarto.

— Sim, Sr. Eduardo! — Respondeu Viviane.

......

No quarto principal do segundo andar, Eduardo colocou Daniela sobre a cama.

Daniela se apoiou na cabeceira e levantou a mão para pressionar as têmporas.

A tontura de antes havia sido causada pela emoção intensa somada ao fato de ter se levantado rápido demais.

Agora ela já havia se recuperado um pouco, embora ainda sentisse o corpo fraco.

Eduardo sentou ao lado da cama.

Nos olhos escuros dele, aparecia o rosto pálido dela.

— Você não comeu na hora certa hoje de novo?

A mão de Daniela, que pressionava a têmpora, parou.

Ela levantou os olhos e encontrou o olhar dele.

Um sorriso irônico surgiu em seus lábios.

— Um marido trai a esposa e ainda tem um filho com outra mulher. Que mulher conseguiria continuar comendo normalmente depois de descobrir isso?

Eduardo ficou surpreso.

— Você disse que estava em viagem de trabalho, mas na verdade estava na Villa do Lago. Estava lá comemorando o aniversário daquele menino com a Agatha!

Eduardo franziu levemente a testa:

— Como você sabe da Villa do Lago? Você andou me investigando?

Daniela soltou uma risada fria:

— Você teve coragem de esconder sua amante e seu filho na Villa do Lago. Ainda tem medo de que eu investigue? Ou você achava que eu seria enganada por você para sempre, como uma idiota?

— Eu nunca planejei esconder isso de você para sempre.

A expressão de Eduardo ficou complexa.

— Essa situação é mais complicada do que você imagina. Depois eu explico tudo para você.

— Aquele menino te chama de pai, chama Agatha de mãe e é a sua cara! O que ainda precisa ser explicado? Você vai dizer que não escondeu isso de propósito de mim? Ou vai dizer que não teve nada com Agatha logo depois que nossos filhos morreram?!

Quanto mais Daniela falava, mais agitada ficava.

De repente, levantou a mão e deu um tapa em Eduardo.

O rosto dele virou para o lado com o impacto.

A expressão de Eduardo escureceu imediatamente.

— Já faz cinco anos. Você ainda não cansou dessa loucura?

Ele agarrou o pulso de Daniela com força. Nos olhos havia uma onda de raiva.

— Diego não é como nossos dois filhos. Ele é inocente...

Os olhos de Daniela estavam vermelhos.

Ela encarava Eduardo com ódio.

— Diego tem cinco anos! Ele é apenas quatro meses mais novo que os nossos filhos mortos! Quando você estava comemorando o aniversário dele, pensou naqueles dois pobres bebês? Ele é inocente? Então nossos filhos mereciam morrer?!

A voz dela subiu até virar um grito.

— Você esqueceu que eles morreram por sua causa?! Foi por sua causa!

Era o grito dilacerante de uma mãe.

O sequestro de cinco anos atrás tinha sido direcionado a Eduardo.

Mas, no fim, foram os filhos dela que pagaram o preço.

Durante cinco anos, inúmeras noites ela acordou de pesadelos, chorando até perder a voz.

Na mente, repetia mil vezes aquela tragédia, tentando imaginar o que poderia ter feito para impedir o sequestro... ou como poderia ter se salvado naquela situação para mudar o destino de seus filhos.

Ela já havia enlouquecido.

Já havia se machucado.

Mas nunca culpou Eduardo.

Porque, certa noite, ela o viu chorando sozinho no escritório.

Por isso acreditou profundamente que ele amava aqueles filhos tanto quanto ela.

Acreditou que ele, mais do que qualquer outra pessoa, jamais teria desejado que aquilo acontecesse.

Até o dia em que ela viu Eduardo com Diego nos braços, tratando o menino com tanto carinho.

Só então percebeu que tudo não passava de uma ilusão criada por ela mesma.

Ela tinha sido estúpida.

Como nos últimos cinco anos, as discussões entre eles terminaram da mesma forma: com Eduardo se afastando friamente.

Desta vez não foi diferente.

Mas, no momento em que ele se virou para sair, Daniela o encarou com os olhos vermelhos e declarou com firmeza:

— Eu quero me divorciar. Você e a Agatha... eu jamais vou perdoar.

Eduardo apenas hesitou por um segundo.

Depois saiu sem sequer olhar para trás.

Depois daquela noite, ele não voltou para casa durante três dias seguidos.

Daniela já não se importava.

Já que havia decidido se divorciar, Eduardo também não precisava saber da gravidez.

Ela escondeu o resultado do exame.

E começou a planejar ir para o exterior para dar à luz depois do divórcio.

Pelo resto da vida, ela criaria aquele filho sozinha.

E começaria uma nova vida.

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