LOGINDepois de sair da clínica, Henrique voltou para o Residencial Aurora.Fazia muito tempo que não colocava os pés em casa.Assim que entrou na sala, foi recebido por um silêncio incômodo, pesado demais para um lugar que um dia lhe parecera tão familiar.Uma das empregadas o viu e se apressou em recebê-lo.— Senhor Henrique, o senhor voltou.Henrique não respondeu.Subiu direto para o quarto.Ao abrir a porta, deixou o olhar percorrer o ambiente e imediatamente percebeu que alguma coisa estava diferente.Foi até o closet e abriu o armário.O espaço onde antes ficavam as roupas de Tatiane estava completamente vazio.Henrique permaneceu parado diante dele por alguns segundos, sem qualquer reação aparente.Depois, caminhou até a penteadeira.Nas vitrines de vidro, as joias que comprara para Tatiane continuavam exatamente onde sempre estiveram, intactas, novas em folha, como se nunca tivessem sido usadas.Ele as encarou em silêncio por um longo momento.Então soltou uma risada baixa, amarga.
Henrique falou em voz baixa, mas havia uma frieza cortante em cada palavra.— Não deveriam ser vocês a me dar uma explicação?Bianca entrelaçou os dedos com força.Ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder, séria, tentando fazê-lo encarar o que, para ela, era óbvio.— Rick, a essa altura você já deveria ter entendido quem a Tatiane realmente é. Você acha mesmo que ela ainda ama você? Se realmente se importasse, acha que um documento de divórcio seria suficiente para mantê-la afastada? Você desapareceu sem dar notícias e ela simplesmente voltou para o Brasil. Depois, enquanto você estava internado, nem sequer procurou saber como você estava. Se ainda sentisse alguma coisa por você, não conseguiria agir com tanta indiferença.Bianca respirou fundo antes de continuar.— Então me diz, de que adiantaria continuar casado com uma mulher assim, mesmo que vocês ainda tivessem uma certidão de casamento? Eu só não quero ver meu filho sofrendo outra vez por causa de uma mulher.O se
Felipe baixou o celular e conferiu qual era o voo mais próximo de Santa Vitória para Nova Aurora.Ao meio-dia, ainda não havia recebido nenhuma ligação de Henrique.Tentou mais uma vez.Dessa vez, ele atendeu.— Já voltou para Nova Aurora?— Já.— Vamos almoçar juntos?— A gente se fala à noite.Felipe não insistiu.— Tudo bem.Uma hora depois, um Rolls-Royce entrou devagar na propriedade da família Barbosa.Um dos seguranças se aproximou para abrir a porta.Henrique saiu do carro e seguiu em direção à casa principal.Havia algo pesado em sua presença, uma tensão que parecia acompanhá-lo a cada passo.O mordomo veio recebê-lo e parou por um instante ao vê-lo.Em todos aqueles anos, Henrique sempre lhe parecera frio, reservado e impecavelmente elegante. Jamais o tinha visto daquele jeito, abatido, exausto e muito distante da postura controlada que costumava manter.— Sr. Henrique, ainda bem que voltou. Todos estão esperando pelo senhor na sala de jantar.Henrique não respondeu.Apenas c
— Tudo bem."Então essa menina é mesmo filha da Tati. E aquele homem assustador de ontem à noite era o ex-marido dela... Só de olhar dava para perceber que não era alguém fácil de lidar. E o Leandro claramente gosta da Tati. Nossa, que situação complicada."Tatiane levou Bia até a cozinha para lavar as mãos e ficou com ela durante o café da manhã.Assim que terminou de comer, a menina começou a bocejar, já sem conseguir disfarçar o sono. Não era para menos. Tinha acordado às cinco da manhã.Tatiane a levou de volta para o quarto e ficou ao seu lado até que adormecesse.Pouco depois, recebeu uma ligação de Patrícia. Para não acordar Bia, saiu em silêncio e foi atender na varanda.— Paty.— Tati, hoje nós vamos aí te ver. Seu irmão também vai.Tatiane estranhou.— Ele está com você?Patrícia suspirou.— Estou falando do Cristiano. Desde que voltamos, o Felipe só me chamou para jantar uma vez e depois desapareceu. Ontem até levei almoço para ele de propósito, mas nem consegui encontrá-lo.
Na sala, Henrique pegou o celular e fez uma ligação.Recostado no sofá, Leandro ouviu tudo em silêncio.Quando encerrou a chamada, Henrique abaixou o aparelho e voltou a atenção para o homem à sua frente.— Eu ainda não desisti dela. Então nem pense que você tem alguma chance.A ameaça em sua voz era clara.Leandro não respondeu.A sala mergulhou num silêncio absoluto.Naquela noite, Tatiane passou horas se revirando na cama sem conseguir dormir. Só adormeceu quando o dia já estava quase amanhecendo e, mesmo assim, dormiu por apenas três horas.Ao despertar, sentia a cabeça pesada e o corpo inteiro entorpecido.Permaneceu imóvel, apoiada na cabeceira, com uma aparência abatida e solitária. Uma das mãos repousava sobre o baixo-ventre, embora ainda fosse cedo demais para sentir a presença do bebê.Não soube quanto tempo ficou assim até ouvir algumas batidas na porta.— Tati?Era a voz da Neide.Tatiane saiu de seus pensamentos, afastou o cobertor e se levantou. Caminhou até a porta e abr
Assim que Leandro terminou de falar, uma rajada violenta invadiu o apartamento e escancarou a janela com um estrondo seco.Assustados, os dois gatinhos correram para debaixo do sofá.A chuva entrou pela abertura, levada pelo vento. Embora a noite de agosto estivesse abafada, uma corrente gelada atravessou o apartamento.Tatiane estava prestes a abrir a porta quando ouviu o barulho da janela. Estremeceu e permaneceu imóvel no corredor.Não soube dizer quanto tempo ficou ali. Quando recuperou a noção de onde estava, os pés já doíam de tanto permanecer parada.Respirou fundo, apertou a sacola entre os dedos e entrou.Os dois homens ainda estavam sentados frente a frente à mesa, imóveis. Assim que Tatiane apareceu, Henrique voltou para ela um olhar frio e cortante.Leandro virou o rosto para Tatiane assim que ela entrou. Em seguida, levantou-se e foi ao seu encontro.— Comprei alguns sabores diferentes, mas não trouxe muita coisa. Primeiro vamos ver de qual eles gostam mais.Tatiane assent