Mag-log inHenrique continuou parado no mesmo lugar.Seus olhos escuros e pesados permaneceram cravados nas costas da mulher que se afastava. A pressão ao redor dele era tão densa que chegava a assustar.No caminho de volta, Tatiane recebeu uma ligação de Leandro.Mesmo sendo feriado, todos ali eram ocupados demais, sempre presos ao trabalho. Ele também só tinha encerrado o expediente naquele momento e acabara de ver a notícia.Foi assim que Tatiane soube o que havia acontecido na internet naquela tarde.A reação do lado de Henrique tinha sido rápida, rápida demais. Aquilo também lhe mostrou, de perto, o alcance dos métodos e do capital daquele homem. Em pouquíssimo tempo, ele tinha conseguido apagar qualquer vestígio que o envolvesse.Mas, afinal... Quem queria espalhar aquela história para todo mundo?— O Henrique não foi atrás de você para tirar satisfação, foi?Já completamente calma, Tatiane respondeu:— Não.— Ainda bem. Mas, Tati, por que você fez isso de repente?Tatiane respirou fundo.—
Felipe parou no meio do caminho.Virou-se para encarar a própria mãe. Quando falou, sua voz saiu baixa, carregada de ironia:— Pois é. Até um homem como o Henrique é capaz de manter um casamento por causa da filha.Eliane observou a expressão do filho. Em seguida, desviou o olhar e não disse mais nada.Felipe subiu direto.Às nove e meia da noite, o filme finalmente terminou.Bia já tinha adormecido, encostada na poltrona.Quando saíram do cinema, Henrique carregava a menina nos braços. Tatiane levava a mochilinha dela e um buquê de rosas.O buquê tinha sido comprado pouco antes, quando entraram no shopping. Havia alguém vendendo rosas na entrada, e Bia insistira para que Henrique comprasse um e entregasse a Tatiane.Eles seguiram até o estacionamento subterrâneo.Assim que saiu do elevador, Tatiane jogou as rosas na lixeira, sem hesitar.Henrique olhou para ela por um instante. Depois, desviou os olhos outra vez.Ao chegarem ao carro, ele acomodou Bia na cadeirinha infantil e reclinou
Tatiane foi apressada ao encontro de Bia.A menina correu até ela e se jogou em seus braços. Tatiane se abaixou um pouco, passou a mão pelo alto da cabeça dela e perguntou:— Bia, por que você está aqui sozinha?Bia segurou as mãos de Tatiane com suas mãozinhas e começou a puxá-la para fora.— O papai está esperando a gente lá fora. Tia Evelynn, vamos logo!As duas saíram do prédio da empresa.À beira da rua, um Rolls-Royce estava estacionado.O motorista desceu, deu a volta no carro e abriu a porta traseira. Quando Tatiane se aproximou, viu o homem sentado lá dentro, de pernas cruzadas, o corpo recostado no banco.Daquela posição, ela só conseguia enxergar metade do perfil dele, marcado por traços bem definidos. A camisa preta, a calça social passada com perfeição, sem uma dobra fora do lugar, e, nos pés, um par de sapatos vermelhos de couro fino, feitos à mão.Havia nele uma elegância limpa, contida, quase fria.Henrique abaixou o tablet que tinha nas mãos e virou o rosto para fora d
Na vez em que se encontraram para jogar bola, Evelynn havia machucado Henrique sem querer. Embora, depois disso, Henrique não tivesse feito nada, no fórum financeiro apresentado por Evelynn algum tempo depois, ele fora extremamente duro nas palavras dirigidas a Tatiane.Vendo por esse lado, parecia mesmo haver alguma rixa entre os dois.Tatiane negou com um sorriso tranquilo:— Não há nenhum conflito entre mim e o Henrique.Já que ela respondeu assim, Vinícius não insistiu.Mesmo assim, deixou claro que as duas últimas perguntas da entrevista daquele dia não deveriam entrar na reportagem.A postura de Vinícius era firme.Naturalmente, Tatiane não podia continuar batendo de frente com ele.— Entendi.— Certo. Pode voltar ao trabalho.Tatiane voltou ao escritório e continuou lidando com suas tarefas, sem demonstrar o menor abalo.Durante esse tempo, recebeu uma ligação de Patrícia.— Tati, vi sua entrevista hoje. Você continua poderosa, hein? Jogar aquilo na cara daquele canalha em plena
Mesmo depois que a transmissão foi cortada às pressas e a programação mudou no ar, Tatiane continuou sentada, perfeitamente calma, esperando a resposta de Felipe.Felipe olhou para ela.Em seus olhos escuros havia uma sombra profunda, impossível de decifrar.Um funcionário se aproximou e disse aos dois:— Presidente Felipe, Evelynn, a entrevista terminou.Felipe foi o primeiro a se levantar. Com um sorriso educado e cavalheiresco, disse a Tatiane:— Senhorita Evelynn, então fico por aqui. Até a próxima.Ele desceu do palco.O diretor correu atrás dele para se desculpar.Afinal, Felipe também era um convidado que a produção havia conseguido trazer com muita dificuldade. Não era alguém que eles pudessem se dar ao luxo de ofender.Felipe, porém, manteve uma postura cordial diante do diretor.— Não se preocupe.Não havia em seu rosto o menor sinal de irritação.O diretor olhou para ele. Pessoas importantes como Felipe sempre sabiam esconder alegria e raiva. Talvez, diante dos outros, ele d
Roberto levou Tatiane de volta para a mansão da família Oliveira.— No dia 16, vou com você para Nova York. — No caminho, disse.Tatiane virou o rosto para olhá-lo.— Um jogo que desenvolvemos teve uma repercussão excelente na América do Norte. Desta vez, vou participar de um evento de games por lá e, aproveitando a viagem, trazer mais um prêmio para casa. — Roberto explicou.Tatiane sorriu.— Então acho que já posso te dar os parabéns.Roberto também sorriu.— Quando chegarmos lá, te levo para jantar.— Combinado.Os assuntos da Alvorada Investimentos que Tatiane precisava resolver pessoalmente já estavam praticamente encaminhados. Os dois grandes projetos que ela havia conquistado naquele período seriam acompanhados por Patrícia dali em diante.Naquele dia, porém, ainda havia uma entrevista que precisava ser conduzida por ela em pessoa. Era um compromisso marcado havia muito tempo.E o convidado daquela vez não era outro senão Felipe.No ambiente de trabalho, a postura de Tatiane dia







