LOGINNaquele dia, muitas famílias tradicionais de Porto Nobre compareceram ao banquete de aniversário.No círculo da alta sociedade da cidade, Leandro já era famoso havia muito tempo como o típico herdeiro frio e inalcançável. Primeiro, surgiram rumores sobre sua orientação sexual. Depois, passaram a dizer que ele simplesmente não sentia desejo por ninguém, que era assexual.Ainda assim, continuava sendo o genro ideal aos olhos de inúmeras famílias ricas.Até mesmo a filha mais velha da família Rodrigues, considerada a grande beleza de Porto Nobre, já tinha demonstrado interesse por ele.E, ainda assim, Leandro nunca dera a menor abertura.Por isso, agora que finalmente o viam agir de forma diferente diante de uma mulher, era natural que aquilo causasse alvoroço.Na foto, os dois trocavam olhares.Sob a luz dos fogos de artifício, com os clarões coloridos recortando a cena, os rostos não apareciam com nitidez. Mesmo assim, a atmosfera da imagem era intensa demais para passar despercebida.A
Por fim, ele disse:— Entendido.Depois de desligar, Tatiane passou a noite na casa de Noemi com Bia.No dia seguinte, seria a festa de oitenta anos de Mateus, o avô de Noemi.O presente que Tatiane havia arrematado no leilão já tinha sido entregue alguns dias antes, quando ela estivera na casa da família.Naquela tarde, Leandro também conseguiu chegar a tempo.Assim que o viu, Tatiane percebeu o cansaço estampado entre as sobrancelhas e no olhar. Ele estava visivelmente abatido, com uma exaustão que mal conseguia disfarçar.Sérgio pousou a mão no ombro dele e comentou, sorrindo:— Então você conseguiu voltar mesmo.Leandro assentiu.— Vocês também se esforçaram bastante.Sérgio riu.— A gente? Que nada. Quem mais se desgastou foi você.Tatiane se aproximou e o cumprimentou:— Professor.Leandro olhou para ela e fez um leve aceno de cabeça.— Vou passar primeiro para falar com meu avô. Depois a gente conversa.Sérgio respondeu na mesma hora:— Vai lá.Leandro foi falar com os mais velh
Tatiane subiu para o segundo andar.Quando entrou no quarto, já tinha conseguido retomar o controle das próprias emoções.Bia ainda estava sentada na cama, bocejando.— Tia Evelyn.— A Bia acordou.Sempre que despertava, Bia queria colo.Tatiane abriu os braços e a pegou no colo.Enquanto acariciava de leve as costas da menina, sentia o coração pesar cada vez mais.— Está com fome? Quer comer alguma coisinha?Bia assentiu.Tatiane pediu à babá que trouxesse algo para ela comer. Antes disso, levou a menina para tomar banho, trocou sua roupa e vestiu nela o pijama.Quando voltaram, a babá já havia deixado a refeição pronta.— Cadê o papai?— O papai está ocupado. Vamos comer primeiro. — Respondeu Tatiane.— Ah, tá...Tatiane ficou no quarto com Bia, acompanhando a menina enquanto ela comia e assistia ao desenho animado.Só depois de fazê-la adormecer de novo foi até a janela de vidro, do chão ao teto.Dali, dava para ver perfeitamente o portão de entrada.Felipe abriu a porta do passagei
Henrique a observou em silêncio.Tatiane desceu a escada e ordenou à babá:— Suba e fique de olho na Bia.A babá lançou um olhar rápido para Henrique antes de obedecer.Sem desviar os olhos, Tatiane caminhou até eles. Então se sentou no sofá, cruzou as pernas longas, entrelaçou os braços diante do peito e ergueu ligeiramente o queixo. Havia em seus belos olhos uma frieza cortante, quase glacial.Ela encarou os dois e disse:— Continuem.Karine já tinha se afastado um pouco dos braços de Henrique. Ao ver a postura altiva de Tatiane, sentiu como se estivesse sendo julgada de cima para baixo.Quem Tatiane pensava que era para olhar os dois daquele jeito?Por um instante, Karine teve vontade de avançar e arranhar a cara daquela vadia.Mas conteve à força a raiva que fervia dentro dela e ergueu os olhos para Henrique.O rosto bonito do homem estava sombrio, e o desagrado em seu olhar era evidente.Na mesma hora, Karine se sentiu um pouco melhor.Henrique olhou para ela.— Kari, volta para c
Foi só quando o desfile dos carros alegóricos acabou que a multidão começou a se dispersar, aos poucos.Henrique soltou o pulso de Tatiane e pôs Bia no chão.Mas Bia tinha acabado de ver o pai segurando a mão da Tatiane e comentou, toda feliz:— O papai tava segurando a mão da tia Evelynn.Henrique afagou de leve a cabeça da filha.— Então agora o papai vai segurar a mão da Bia.— Tá bom.Henrique segurou a mãozinha da filha, e Bia, por sua vez, agarrou a de Tatiane, abrindo para ela um sorriso cheio de dentinhos.Ao vê-la tão contente, Tatiane também sorriu.E os três seguiram assim, de mãos dadas.Bonitos demais para passarem despercebidos, atraíam olhares por onde iam.Quando Bia tornou a notar que as outras crianças estavam acompanhadas do pai e da mãe, já não havia mais nem resquício da inveja que antes brilhava em seus olhos.Muito pelo contrário. Sempre que alguém olhava para os três, o rostinho dela se enchia de orgulho.E assim seguiram até o show de fogos, já à noite.A equip
Quanto mais Karine pensava, mais furiosa ficava.E, no fundo, o medo era ainda maior.Henrique não entrou em contato com ela em nenhum momento naquela noite.Karine passou a madrugada em claro, consumida pela ansiedade.Na manhã seguinte, ele continuava sem procurá-la.No fim, ela não aguentou e tomou a iniciativa de ligar.Henrique atendeu.E a primeira coisa que disse foi:— Kari, desta vez você passou dos limites.Ao ouvir o tom severo dele, Karine sentiu o peito apertar ainda mais. A mágoa e a revolta transbordaram de uma vez, e ela acabou despejando tudo em cima dele:— Rick, é porque ela ficou bonita agora? Você gostou dela? Aquela mulher só fez plástica para voltar e te seduzir.Karine sempre acreditara que, naquele círculo, ninguém poderia superá-la.Mas ver Tatiane daquele jeito despertava nela uma sensação de ameaça que nunca tinha sentido antes.Uma mulher que antes era feia, gorda e apagada tinha voltado de repente completamente transformada.E, para piorar, justamente para







