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Capítulo 2

Penulis: Yanira Fey
Mas ele não se prendeu a isso por muito tempo.

Logo em seguida, Tatiane voltou a falar:

— Amanhã é segunda-feira. Você teria tempo à tarde? Talvez possamos ir antes ao cartório e resolver tudo de uma vez. Afinal, adiantar dois meses não deve ser um problema, certo?

Depois da assinatura, ainda haveria o período obrigatório de um mês de reflexão e, até lá, o parto já estaria próximo.

Henrique voltou o olhar para ela. Por trás daquela postura calma, quase indiferente, havia algo a mais em seus olhos, como se a estivesse avaliando em silêncio.

Pouco depois, desviou o olhar e respondeu friamente:

— Quem decide isso sou eu.

Tatiane baixou os olhos e não disse mais nada.

O carro logo chegou à residência principal da família Barbosa. Lorena realmente os chamara por causa da criança que Tatiane carregava no ventre.

A família Barbosa apresentava um desequilíbrio evidente: muitos homens e poucas mulheres.

Lorena tivera dois filhos, o mais velho, Luciano Barbosa, e o mais novo, Wallace Barbosa.

Luciano tinha dois filhos homens. O primogênito, Wellington Barbosa, havia se casado anos antes e já era pai de gêmeos, dois meninos de cinco anos. O segundo, Roberto Barbosa, tinha vinte e quatro anos e ainda era solteiro.

Wallace, por sua vez, tinha apenas um filho, Henrique.

Por isso, ao saber que Tatiane estava grávida de uma menina, tanto Lorena quanto o avô, Alexandre, ficaram extremamente felizes.

— Essa criança veio na hora certa. — Disse Lorena, sorrindo. — Até a saúde de Alexandre parece ter sido abençoada por causa dela.

Ao ver a sogra tão satisfeita, Bianca acompanhou o entusiasmo, elogiou Tatiane algumas vezes e disse palavras gentis da forma mais adequada possível.

Tatiane permaneceu sentada ao lado, respondendo com educação, obediente e discreta.

Mas, ao observar aquela figura inchada, de cabeça baixa e postura submissa, Bianca sentia uma irritação difícil de disfarçar. Ainda assim, por respeito a Lorena, conteve-se.

De bom humor, Lorena mandou trazer uma joia valiosa e presenteou Tatiane com um colar.

Tatiane ficou surpresa e constrangida. Recusou apressadamente, dizendo que não precisava.

Foi Bianca quem interveio:

— Se a vovó está dando, você aceita.

Típico. Aquela mentalidade mesquinha, aquela falta de elegância… Realmente não estava à altura daquele ambiente.

Tatiane não insistiu mais. Pegou o colar com cuidado.

— Obrigada, vovó.

— Cuide bem da gravidez. — Disse Lorena, satisfeita. — Traga ao mundo um bebê saudável.

Tatiane sorriu e assentiu com a cabeça. Sabia muito bem que aquela bondade não era por causa dela, mas apenas da criança que carregava no ventre.

Originalmente, Tatiane e Henrique ficariam na residência principal para o jantar, até que o celular dele tocou.

O sorriso que surgiu em seus olhos foi espontâneo, leve, quase carinhoso. Havia ternura em sua expressão, como se estivesse falando com um animal de estimação.

Henrique chamou o nome com voz suave, carregada de afeto:

— Mel.

Se ele se casasse com a mulher que realmente amava, provavelmente seria um bom pai.

— Tudo bem… Então eu vou agora mesmo.

Depois de desligar, Henrique saiu da varanda e se deparou com Tatiane, parada ali.

Ela se assustou. Por um instante, não reagiu. Quando levantou a cabeça e encontrou o olhar do homem, viu apenas um rosto frio, sem qualquer vestígio da ternura de antes.

O peito de Tatiane se contraiu.

— A vovó pediu para você ir ao escritório. — Disse ela apressadamente.

Henrique não respondeu. Apenas passou por ela e seguiu adiante.

Tatiane permaneceu parada no mesmo lugar. O coração doía, como se algo o atravessasse por dentro, repetidas vezes.

Não sabia quanto tempo levou até finalmente conseguir se recompor.

Henrique entrou no escritório. Lorena e Alexandre já o aguardavam.

— Rick. — Começou Lorena. — Eu sei que você não gosta da Tatiane. Mas a criança vai nascer. Além disso, como pessoa, Tatiane é excelente. Formada em uma universidade de ponta, de temperamento dócil. O que o seu casamento precisa é de estabilidade. Ela é o tipo ideal para cuidar da casa e dos filhos.

Henrique permaneceu em silêncio. O cenho franzido, carregado de impaciência, deixava claro o seu desagrado.

Lorena percebia tudo. Tatiane realmente não era bonita e, ao lado do neto, os dois não combinavam em nada.

Foi então que Alexandre falou:

— Neste momento, sua situação matrimonial não pode mudar. Se você realmente não gosta dela e desde que ela não faça nada inadequado, deixe as coisas como estão por um ou dois anos.

— Exatamente. Há muitos olhos atentos a você, esperando qualquer deslize para explorar. É melhor deixá-la criar bem a criança. Depois, divorciar-se não será tarde demais. — Lorena concordou de imediato.

Henrique permaneceu em silêncio por alguns segundos. O rosto bonito e profundo não revelava o que ele pensava.

Por fim, disse apenas:

— Entendi.

Tatiane reencontrou Lorena pouco depois.

Lorena olhou para ela e explicou:

— O Rick teve um imprevisto na empresa e precisou sair. Daqui a pouco, mando o motorista levá-la de volta.

— Está bem. — Tatiane assentiu.

Antes de ir embora naquele dia, Lorena ainda a chamou à parte.

— Mesmo grávida, você precisa se movimentar mais e cuidar melhor de si mesma. Na minha época, assim como na da sua sogra, mesmo grávidas acompanhávamos nossos maridos em eventos e cuidávamos da casa. Algumas coisas podem ser fáceis de conseguir, mas mantê-las nunca é simples.

Tatiane entendeu imediatamente o que dona Lorena realmente queria dizer. Ser esposa da família Barbosa não era algo simples. Se quisesse manter sua posição, precisaria mudar quem era naquele momento. Do jeito que estava, só faria Henrique passar vergonha.

Tatiane já havia pensado em mudar, em se exercitar, praticar yoga, emagrecer. Mas lhe faltavam energia e vontade. O cansaço físico e emocional só aumentava, e o corpo parecia cada vez mais pesado.

Ainda assim, Lorena estava certa em uma coisa. Ela não podia continuar daquele jeito, mas não para manter posição alguma, e sim por si mesma.

— Eu sei, vovó. — Respondeu Tatiane, com serenidade.

À noite, para sua surpresa, o homem que pela manhã falara em divórcio voltou para casa.

— Você… — Tatiane começou, por instinto.

— Prepare algo para eu beber. — Interrompeu Henrique, com frieza. — Leve para o escritório.

Sem esperar resposta, ele subiu as escadas e entrou diretamente no escritório.

Tatiane ficou parada por um instante, atônita, até recobrar os sentidos. Foi até a cozinha, preparou uma xícara de café quente e subiu.

Empurrou a porta e levou a bebida até o escritório.

Henrique folheava os documentos em mãos. As sobrancelhas cerradas, o olhar severo, envolto naquela aura fria e distante que sempre o acompanhava.

Tatiane não o interrompeu. Virou-se e saiu do escritório.

Mesmo com ele em casa, os dois dormiam em quartos separados. Henrique ficava na suíte principal, no segundo andar. Ela dormia no quarto de hóspedes, no térreo.

No dia seguinte, como Henrique estava em casa, as babás prepararam um café da manhã farto.

Ele sentou-se à cabeceira da mesa, mas não viu Tatiane.

Normalmente, quando ele estava em casa, Tatiane acordava cedo para passar as roupas dele e ainda preparava pessoalmente o café da manhã. Era, de fato, uma esposa correta, dedicada e discreta.

Mas naquela manhã não havia roupas passadas, e o café fora preparado pelas funcionárias.

— Onde ela está? — Perguntou Henrique, impaciente.

Aline começou a reclamar imediatamente:

— Fui chamá-la logo cedo. Ela fica deitada, não levanta de jeito nenhum. Todo dia temos que levar comida no quarto. A gente pergunta o que ela quer comer, e ela não responde. Não somos adivinhas, né? Ela só está grávida, não é inválida. Quando a senhora Bianca estava grávida do senhor Wallace, cuidava de tudo direitinho. Já essa daí… Veio mesmo foi para se aproveitar.

Henrique franziu o cenho.

— Vá chamá-la para levantar.

— Sim, senhor.

Na verdade, Tatiane já estava acordada. Ela apenas esperava que Henrique saísse de casa.

Nesse momento, Aline empurrou a porta sem bater.

Ao ver Tatiane sentada no sofá, seu olhar se encheu de desprezo.

— Então agora você se acha a dona da casa? — Zombou. — Sentada aí, esperando que alguém venha te servir?

Tatiane ergueu os olhos. A voz saiu calma, fria, sem qualquer elevação.

— Não sou. E você é?

Durante todos aqueles meses, Tatiane sempre mantivera a cabeça baixa, obediente e silenciosa. Aline jamais imaginara que ela ousaria revidar.

— Se vocês continuarem sem respeitar limites. — Disse Tatiane, com tranquilidade. — Não me culpem se eu contar à senhora Lorena exatamente o que andam fazendo por aqui.

De qualquer forma, o divórcio estava próximo. Nos dois meses que restavam, ela não precisava mais engolir humilhações.

Aline arregalou os olhos.

— Você…

No dia anterior, Bianca havia telefonado, ordenando que cuidassem bem de Tatiane. Embora fosse uma menina, a criança era a única garota da terceira geração da família Barbosa.

Era por pura sorte que aquela mulher tivesse engravidado de uma menina e, por isso, recebesse tanta atenção de dona Lorena.

Aline só pôde engolir a raiva.

— O senhor Henrique está esperando você na sala de jantar.

Tatiane se surpreendeu. Ainda assim, foi até lá.

Henrique tomava o café da manhã. Ao erguer os olhos, seu olhar percorreu Tatiane rapidamente.

Ela vestia um suéter branco de tricô comprido, o tecido deformado pelo corpo inchado. Os passos eram lentos, instáveis. A barriga grande demais, como se carregasse mais de uma gestação.

Tatiane percebeu o olhar dele e, instintivamente, sentou-se em um lugar distante.

Então ouviu a voz dele, fria e indiferente:

— Aline e Ana vieram da residência principal. São funcionárias antigas. Você não pode exigir que se adaptem a tudo por sua causa. É apenas gravidez, não é como se você estivesse incapacitada.

"Apenas gravidez?"

Era isso mesmo. Aquele filho, que chegara de forma inesperada, para ele talvez não significasse absolutamente nada.

Aquela repreensão sem sentido só podia ter vindo das intrigas de Aline diante dele. Não era a primeira vez.

— Se elas acham tão difícil ter que se adaptar a mim. — Disse Tatiane, mexendo a colher na tigela de mingau. — Talvez seja melhor voltarem para a residência principal. Eu consigo me virar sozinha.

O tom dela era calmo, quase indiferente.

Afinal, ela já fazia tudo sozinha. Cozinhava para si, lavava suas próprias roupas, arrumava o próprio quarto. As babás apenas fingiam servir quando Henrique estava por perto.

Henrique franziu a testa. Tatiane conhecia bem aquele gesto. Era um sinal claro de desagrado.

Tanto no trabalho quanto na vida pessoal, Henrique sempre fora um homem dominante, incapaz de tolerar qualquer contestação.

— Estou te advertindo. — Disse ele friamente. — Não pedi sua opinião.

Tatiane baixou a cabeça e não respondeu.

Henrique a observou por alguns segundos. Aquela aparência abatida, sem vida, só o deixava ainda mais irritado.

Por fim, ordenou a Aline e às outras:

— A partir de agora, tudo o que for dela, ela mesma resolve. Não precisam mais servi-la.

A mão de Tatiane apertou involuntariamente os talheres.

Depois do café da manhã, Henrique saiu.

Tatiane pegou suas coisas e foi para a Universidade A.

Chegou ao escritório de Leandro.

O jovem sentado atrás da mesa usava um terno bem cortado. O nariz alto sustentava óculos de armação fina, e sua postura transmitia maturidade e segurança.

Leandro tinha apenas vinte e nove anos.

Era o mais jovem professor titular do Departamento de Finanças da Universidade A e um verdadeiro gênio reconhecido no meio financeiro.

Tatiane levantou a mão e bateu à porta.

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