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Capítulo 3

Autor: Yanira Fey
Quando Leandro ergueu o olhar e viu a mulher parada à porta, hesitou por um instante. Não a reconheceu de imediato.

Foi apenas quando Tatiane falou, em voz baixa:

— Professor Leandro.

Então ele se recompôs, sem deixar transparecer nada no rosto.

— Veio mesmo.

Tatiane tirou a máscara e entrou no escritório.

— Professor Leandro… Quanto tempo.

Leandro sorriu com gentileza.

— Faz tempo mesmo. Quase não te reconheci.

Tatiane puxou o canto dos lábios num sorriso de autodepreciação.

— Do jeito que estou agora, quase não tive coragem de vir vê-lo.

Leandro levantou-se e contornou a mesa.

— Alterações no corpo durante a gravidez são normais. — Disse com naturalidade. — Depois que o bebê nascer, tudo melhora. Sente-se.

Tatiane sentou-se no sofá.

Leandro serviu um copo de água morna e o entregou a ela.

— Para se aquecer um pouco.

— Obrigada. — Respondeu Tatiane, aceitando.

O olhar dele passou rapidamente pela barriga já saliente.

— Quantas semanas?

— Vinte e cinco.

Leandro fez um breve cálculo mental.

— Então, quando as aulas começarem no fim de janeiro do próximo ano, você ainda estará perto da data prevista para o parto.

Tatiane apertou levemente o copo nas mãos.

— Professor… Eu queria pedir sua ajuda. Posso adiar o início do doutorado?

Dar à luz era inevitável. Mas ela realmente não queria perder aquela oportunidade.

Leandro ficou sério.

— Por que você quer ir?

Tatiane baixou os olhos.

— Depois que o bebê nascer, Henrique pretende se divorciar de mim. Eu também não quero continuar essa relação. Quero recomeçar… Viver a minha própria vida.

Seis meses. Não era muito tempo. Mas, para ela, pareciam uma vida inteira.

Leandro franziu levemente a testa. Aquela garota que antes era luminosa e confiante havia mudado drasticamente em tão pouco tempo. Era impossível não imaginar o quanto ela sofrera, física e emocionalmente.

— Fico aliviado em ver que você conseguiu pensar com clareza e quer se reerguer. — Disse ele, com sinceridade. — Você e Henrique realmente não combinam. No futuro, com certeza encontrará alguém que a ame de verdade.

Tatiane manteve o olhar baixo e assentiu em silêncio.

Desde o início, Leandro fora contra a decisão de Tatiane de trabalhar ao lado de Henrique como assistente. Mas ela insistira. E, no fim, acabara se chocando com a realidade, saindo ferida, machucada por todos os lados.

De repente, Tatiane perguntou:

— Professor, na sua opinião… Que tipo de pessoa Henrique realmente é?

Leandro ficou em silêncio por um instante. Depois, falou com calma:

— Alguém que faz qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Um homem movido apenas por interesses. Pessoas assim dificilmente sabem o que é amor.

— É mesmo? — Murmurou Tatiane.

Ainda assim, a ternura que ele demonstrara com aquela garota não parecia falsa. Talvez só quem ama de verdade seja capaz de baixar a guarda daquela forma. Talvez apenas mulheres bonitas e perfeitas fossem dignas de alguém como ele.

Tatiane não fez mais perguntas.

— Já que você decidiu. — Disse Leandro. — Posso ajudá-la a solicitar oficialmente o adiamento da matrícula.

— Obrigada, professor.

Leandro entregou-lhe um formulário. Tatiane o preencheu com cuidado.

— Depois que a criança nascer… — Leandro perguntou de repente. — Você pretende deixá-la com a família Barbosa?

Tatiane curvou levemente os lábios num sorriso impotente.

Mesmo que quisesse levar o bebê consigo, isso simplesmente não seria possível. A única coisa que podia fazer era pedir desculpas àquela criança.

— A família Barbosa deve cuidar bem dela. — Respondeu, em voz baixa.

Leandro não insistiu.

— Por acaso, estou precisando de uma assistente. Seria apenas por um mês. Você gostaria de tentar?

Tatiane aceitou sem hesitar.

— Quero, sim.

Desde que engravidara, Henrique a transferira para um setor irrelevante do secretariado. Da posição de assistente executiva, ela caíra da noite para o dia para um papel invisível. Todos os seus esforços haviam se transformado em nada.

Ela realmente precisava de um novo trabalho. Algo que ocupasse a mente. Que fizesse a vida voltar a girar.

Além disso, seria uma ótima preparação para o futuro doutorado.

Como naquele dia já havia pedido dispensa, Tatiane permaneceu na universidade e começou imediatamente o trabalho como assistente de Leandro.

Ela já fora aluna dele. Somada à experiência intensa que tivera ao lado de Henrique, mesmo após meses de desgaste e estagnação, aprendia rápido. Executava as tarefas com naturalidade, sem esforço aparente.

Naquele momento, Tatiane sentiu, quase em transe, que reencontrava a si mesma. Reencontrava o valor da própria existência.

Como Leandro dissera, ela nascera para brilhar no trabalho.

O amor jamais deveria ser o único centro da vida de alguém.

Naquela noite, Henrique não voltou para casa. Como de costume. Afinal, ele só aparecia ali de vez em quando.

Mas, desta vez, isso já não importava.

No dia seguinte, Tatiane preparou a carta de demissão com antecedência.

Henrique controlava o setor financeiro do Grupo Barbosa: bancos, fundos de investimento, todo o núcleo mais sensível do império.

Num campo de batalha movido por interesses, intrigas e sangue-frio, ser capaz de assumir o coração do grupo e ainda expandi-lo continuamente não exigia apenas inteligência excepcional e habilidade estratégica. Exigia, acima de tudo, um coração implacável.

Tatiane chegou à empresa e, por coincidência, encontrou Henrique descendo do carro.

Postura ereta.

Terno impecável.

O rosto bonito, severo.

A combinação de poder, riqueza e status o envolvia numa aura de maturidade irresistível.

— Sr. Henrique.

Os funcionários se curvaram levemente, cumprimentando-o com respeito.

Tatiane voltou a si e baixou a cabeça apressadamente, dando dois passos para trás.

Henrique passou por ela como se não a tivesse visto. Entrou diretamente no prédio.

Tatiane seguiu adiante e entregou a carta de demissão a Floriana.

Floriana era a secretária pessoal de Henrique. Antes, fora subordinada de Tatiane. Agora, as posições haviam se invertido.

Quando Tatiane fora rebaixada de forma repentina, todo o departamento ficara surpreso.

Ela assumira o cargo de assistente executiva logo após se formar na universidade. Aquela função não exigia apenas competência, mas também aparência.

Tatiane não tinha beleza chamativa nem um corpo atraente. E, ainda assim, fora escolhida.

Isso, por si só, era prova suficiente de sua capacidade. O próprio presidente, conhecido pela rigidez, já havia elogiado seu trabalho.

Mas Floriana sempre soubera a verdade.

Na visão dela, Tatiane não passava de um sapo feio sonhando com um cisne, uma mulher que tentava subir na vida usando a cama como atalho.

Por mais competente que fosse, para ela não passava de lixo.

Era exatamente por isso que o Sr. Henrique a detestava.

Floriana olhou rapidamente a carta de demissão. Em seguida, seu olhar deslizou até a barriga de Tatiane. O canto dos lábios se curvou num sorriso carregado de desprezo.

— Uma pessoa precisa ter noção do próprio lugar. — Disse, com ironia. — Quando não tiver nada para fazer, olhe mais vezes no espelho. Não pense que, só porque está grávida, pode subir de patamar. A família Barbosa não é um lugar qualquer… e você devia saber muito bem quem você é.

O registro do casamento entre ela e Henrique…

Ninguém na empresa sabia.

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