로그인Agora, Ceci queria ficar com o pai.Noemi estava preocupada. Se aquilo continuasse, e se, no futuro, Ceci não conseguisse aceitar Cristiano?Talvez essa fosse a maior diferença entre homens e mulheres: uma mulher jamais conseguia ser tão fria quanto eles. Para uma mãe, um filho era sempre seu vínculo mais profundo, sua maior preocupação.— Ele não vai ficar no Brasil para sempre. Mais cedo ou mais tarde, vai embora. E, quando a Ceci estiver melhor, você pode levá-la de volta para Porto Nobre.Noemi murmurou em concordância.— Eu também pensei nisso. Vou aproveitar e levar a Ceci para passar o Natal com meus pais, em Porto Nobre. O problema é que o Cristiano anda tão ocupado ultimamente… E você também.Às vezes, Noemi mandava mensagem para Tatiane e só recebia resposta muito tempo depois.— Fim de ano é assim mesmo, não tem jeito. Quem está levando uma vida tranquila é você.Noemi riu.— Eu nunca fui tão ambiciosa assim. Gosto de levar uma vida mais sossegada. Como é que vou me comparar
Tatiane entregou o casaco a Henrique, calçou os chinelos e entrou apressada.— Vai com calma, senão você acaba caindo.Sempre que via a mãe, Bia parecia um coelhinho feliz, cheia de vida. Já estava bem melhor, embora a tosse ainda não tivesse passado de vez.Nos últimos dias, o tempo também não ajudava. O céu vivia fechado, a temperatura seguia baixa, e não dava para levar Bia para brincar lá fora. A menina só podia ficar dentro de casa.Tatiane se sentou com ela no tapete e passou a acompanhá-la enquanto montavam blocos de encaixe.Henrique trouxe uma xícara de chá de gengibre e a entregou a ela.— Toma. Vai te aquecer um pouco.Tatiane aceitou a xícara.Henrique se sentou no sofá ao lado e observou mãe e filha por alguns instantes. Então disse a Tatiane:— No Natal, a gente vai jantar na casa da minha avó. Vai ser um jantar em família.Tatiane tomou um gole do chá de gengibre e segurou a xícara com as duas mãos, aquecendo os dedos.— Fiquei sabendo que Karine sofreu um acidente de ca
Tatiane olhou para o homem atrás de si e disse:— Não precisa. Eu mesma dirijo até lá.Henrique também não insistiu.— Tudo bem.Tatiane e Leandro saíram primeiro e entraram no carro.Quanto ao motivo de Henrique estar ali, Leandro sabia muito bem.— Sobre o que você queria conversar comigo?Tatiane tirou um documento da bolsa e o entregou a Leandro.— Professor, dê uma olhada.Leandro pegou o arquivo.Assim que viu o conteúdo, entendeu imediatamente o que estava acontecendo. Ergueu os olhos para Tatiane.— Foi Henrique quem lhe deu isso.Tatiane assentiu.— Você quer esse projeto.— Eu também não sou nenhuma santa imune a interesses materiais. É uma proposta difícil demais de recusar.— E, ao entregar um contrato desses, o que ele quer que você faça?Tatiane soltou uma risada baixa, cheia de ironia.— Ele diz que é uma compensação. Só quer que eu fique ao lado da Bia.Em seguida, entregou a ele o contrato que Henrique havia assinado naquele dia.— Fui procurá-lo hoje para que assinass
Ela usava uma blusa azul de gola alta, combinada com um colar de pérolas, o que lhe dava um ar elegante e intelectual.Só quando Tatiane olhou em sua direção, Henrique encontrou seus olhos. Ainda assim, sustentou o olhar com naturalidade, curvando os lábios num sorriso discreto, sem o menor constrangimento por ter sido flagrado.No começo, Tatiane nem havia prestado atenção ao homem sentado ali. Mas o olhar dele era direto demais, evidente demais para ser ignorado.Por um instante, os olhares dos dois se cruzaram.Tatiane o encarou por alguns segundos.— Por que está me olhando desse jeito?Henrique sorriu de leve.— Você parece gostar bastante de pérolas. E elas realmente combinam com você.Na maioria das vezes em que a via usando algum acessório, eram pérolas.Tatiane desviou os olhos e voltou a encarar a tela do computador. Disse, num tom indiferente:— Não sabia que você também entendia que tipo de joia combina com uma mulher.— Tenho observado bastante você ultimamente. Naturalmen
— Ela está bem. Você não precisa mais se preocupar.Felipe falou, com o olhar carregado:— A Kari sempre foi teimosa. Sempre teve pavor de sentir dor. Mesmo assim, desta vez, chegou ao ponto de se jogar na frente de um carro.O acidente de Karine não tinha sido exatamente um acidente.Ela mesma havia se lançado contra o veículo.Nos últimos dois dias, Karine não parara de implorar a Felipe para que não a mandasse para fora do país. Não queria deixar Nova Aurora. Muito menos ver Rick ao lado daquela mulher.Eliane tentara acalmá-la, dizendo que ela iria para o exterior apenas por um tempo, até as coisas esfriarem. Depois que Felipe resolvesse tudo, ela poderia voltar.Karine entendia. Mas a inquietação no fundo do peito simplesmente não a deixava ir embora.— Arrume alguém para cuidar bem dela. — Disse Henrique.Naquele dia, Tatiane terminou de revisar uma leva de dados e, por volta das três da tarde, foi até a redação de revista financeira. Ficou ocupada ali até quase oito da noite.Só
Henrique acabou rindo.— É só uma caneta. Está com tanta pena assim de me dar?Tatiane apenas lançou a ele um olhar irritado e não respondeu. Guardou o contrato na bolsa e colocou a alça no ombro.— Pelo menos almoce antes de ir.— Tenho coisas para resolver. Depois do expediente, volto para ver a Bia.Henrique não insistiu. Apenas a acompanhou até a porta.— Dirija com cuidado.Tatiane não respondeu. Inclinou-se, entrou no carro e foi embora.Henrique se virou e voltou para a mansão.Pouco depois, recebeu uma ligação.— Senhor Henrique, a senhorita Karine sofreu um acidente de carro.Meia hora antes, Felipe havia mandado alguém levar Karine ao aeroporto. Mas, ao chegarem lá, os seguranças se descuidaram por um instante. Karine aproveitou a brecha, fugiu do aeroporto e acabou sendo atropelada.Ela já havia sido levada às pressas para o hospital.Felipe decidira mandar Karine para fora do país depois de conversar com Eliane. A ideia era tirá-la de Nova Aurora por um tempo, para que ela







