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Capítulo 7

Author: Yanira Fey
Naquela noite, Tatiane ficou na casa da família Oliveira.

Foi a noite mais tranquila que tivera em muito tempo. Dormiu profundamente, sem sobressaltos, como se o corpo finalmente tivesse encontrado um lugar seguro para descansar.

Pela manhã, Mônica já estava na cozinha preparando o café da manhã. Em separado, colocara uma panela no fogo para fazer uma canja de galinha especialmente para Tatiane. Também preparara um almoço nutritivo, guardado com cuidado numa marmita térmica, para que ela levasse para a empresa.

Na noite anterior, Tatiane contara que havia pedido demissão e que pretendia trabalhar por um mês como assistente do professor Leandro.

No começo, eles tinham sido contra. Queriam que ela descansasse, cuidasse da gravidez e do próprio corpo.

Mas Tatiane insistira. Tirando o fato de estar mais lenta e pesada por causa da barriga, não sentia nenhum outro desconforto. Fazer um trabalho simples não seria problema. Além disso, precisava mudar de ambiente, manter-se ocupada. Se ficasse parada, acabaria pensando demais.

No fim, Marcos não disse mais nada.

Ela até tentou ajudar na cozinha, mas Mônica não deixou.

Sem insistir, Tatiane se sentou no sofá, pegou o celular e começou a pesquisar na internet. Queria se inscrever numa aula de pilates adequada para gestantes.

Encontrou um estúdio que parecia bom e decidiu marcar um horário para ir conhecer.

Continuou rolando a tela distraidamente.

Até que, de repente, a expressão dela mudou.

Uma postagem apareceu.

Era um story no círculo de amigos.

A publicação trazia nove fotos de um jantar, tiradas num clube privado de alto padrão. O autor era Lucas Queiroz, um amigo do círculo social de Henrique. Eles tinham se adicionado quando Tatiane ainda trabalhava como assistente dele.

A legenda dizia:

[Noite de jantar. PS: mais um dia tomando "ração de casal". Quando sai esse casamento?]

Entre as fotos, três eram de Henrique e Karine juntos.

Na imagem central, Karine cobria metade do rosto, tímida, enquanto se aninhava nos braços de Henrique. O homem, bonito demais para parecer real, apoiava a mão larga no ombro dela e baixava o olhar, cheio de ternura, para a mulher em seus braços.

A intimidade e a doçura transbordavam da tela.

No círculo de Henrique, todos sabiam que ele já era oficialmente casado. Mas, para eles, Tatiane nunca fora digna desse título.

Aquela postagem de Lucas dificilmente era inocente. Muito provavelmente, fora feita para que ela visse.

Tatiane sentiu uma dor aguda apertar o peito, tão intensa que, por um instante, quase lhe faltou o ar.

Ela bloqueou o celular, tentando se recompor.

Levantou-se e foi até a varanda, forçando-se a não se importar, a não pensar mais naquilo.

Sem perceber, levou a mão ao ventre já saliente.

O coração afundava, como se carregasse um peso de toneladas.

Depois do divórcio, Henrique com certeza se casaria logo com Karine. Eles teriam filhos. Ele a amava tanto… Certamente amaria também os filhos deles.

E o seu bebê, então?

Que lugar teria?

Ainda poderia contar com aquilo que chamavam de amor paterno?

— Tati, o café da manhã tá pronto. — A voz de Mônica veio da sala.

Tatiane puxou os pensamentos de volta. Inspirou fundo, ergueu a mão e enxugou discretamente o canto dos olhos. Depois, virou-se e voltou para a sala, passando antes pelo banheiro.

Quando saiu, já parecia normal outra vez.

Depois do café da manhã, Cristiano levou Tatiane até a empresa.

Durante o trajeto, ele percebeu que havia algo errado e perguntou, com cautela:

— Tati, aconteceu alguma coisa?

Tatiane balançou a cabeça. Não queria falar.

Cristiano suspirou e disse, num tom sério e paciente:

— Tati, você está grávida. Se tiver algo te incomodando, não guarda tudo sozinha. Isso não faz mal só pra você, mas pro bebê também.

Ela ficou em silêncio por um bom tempo antes de responder.

— Não é nada demais… — Disse, por fim. — É só que o Henrique tem outra pessoa. Eu ainda não consegui aceitar completamente… Mas tudo bem. Eu vou me ajustar. Não precisa se preocupar comigo, mano.

Ela falou como se fosse algo leve.

Cristiano sabia que não era. Sabia que ela estava sofrendo, mas não encontrou as palavras certas para consolá-la. Apenas disse:

— O tempo apaga muita coisa. Aos poucos, tudo vai melhorar.

Tatiane assentiu com um leve "uhum".

Ao chegar à empresa, ela desceu do carro com a marmita térmica nas mãos, despediu-se de Cristiano e entrou no prédio.

Assim que passou pela porta, encontrou Henrique outra vez.

Henrique quase não ficava em casa.

E o único motivo de ela ter continuado trabalhando ali, mesmo depois de ser rebaixada, era simples demais. Ela queria poder vê-lo todos os dias.

Mas, ao longo daqueles meses na empresa, ela quase nunca o encontrava. E, quando encontrava, ele era ainda mais frio do que antes.

Não imaginava que, em dois dias seguidos, acabaria cruzando com ele.

O homem desceu do carro. Vestia um terno impecável. Ombros largos, cintura fina, pernas longas que chamavam atenção à primeira vista. O rosto de traços definidos e profundos continuava tão impressionante quanto sempre, bonito demais, imponente, carregando naturalmente uma aura de autoridade e distância.

E, ainda assim, era justamente aquele homem tão inacessível que também possuía um lado gentil, capaz de demonstrar afeto.

Um aperto ácido subiu ao peito de Tatiane.

Ela baixou os olhos, deu um passo para o lado e abriu passagem, chamando-o com respeito:

— Senhor Henrique.

Henrique, como de costume, a tratou como se fosse invisível. Ao notar sua presença, a expressão dele não suavizou. Pelo contrário, ficou ainda mais fria. Passou por ela a passos largos, sem sequer lançar um olhar.

Só quando o homem entrou no elevador exclusivo da presidência foi que Tatiane conseguiu reagir.

Ela então seguiu para o elevador dos funcionários e subiu.

No dia anterior, depois do clima constrangedor que tivera com Floriana, era previsível que as coisas não melhorassem. E, de fato, naquele dia, Floriana mal escondia a impaciência, delegando a outra pessoa o processo de transição de tarefas com Tatiane.

Tatiane não se importava com a atitude dela. Tudo o que queria era concluir logo a entrega do trabalho e ir embora daquele lugar.

A manhã de trabalho terminou.

O tempo estava agradável. Atrás do prédio da empresa, havia um parque ecológico. Tatiane decidiu descer com a marmita térmica e almoçar do lado de fora, aproveitando para caminhar um pouco e espairecer.

Pegou o elevador para descer.

Ao chegar ao saguão da empresa, deu de frente com duas pessoas que acabavam de entrar.

Uma delas era Lucas.

Ao lado dele, havia outro homem. Postura ereta, presença marcante, um ar naturalmente distinto. Pelo jeito, devia ser amigo de Henrique, embora Tatiane nunca o tivesse visto antes.

Tatiane não tinha intenção alguma de cumprimentá-los. Baixou a cabeça e acelerou o passo, seguindo em direção à saída.

Mas, assim que entrou no saguão, Lucas já a tinha visto.

A barriga saliente e o corpo mais pesado chamavam atenção demais para passarem despercebidos.

Percebendo que ela tentava evitá-lo, Lucas avançou a passos largos e bloqueou o caminho dela.

Tatiane parou. Levantou o olhar e deu de cara com a expressão de puro desprezo no rosto dele.

— Tá cega ou o quê? Não sabe nem cumprimentar as pessoas?

Quando ainda era assistente de Henrique, Lucas sempre fora educado, até cordial.

Agora, aos olhos deles, Tatiane não passava de uma mulher feia, gorda e presunçosa. Uma oportunista que não sabia o próprio lugar.

Ela abaixou os olhos novamente e respondeu num tom neutro:

— Senhor Lucas.

Lucas soltou uma risada curta, carregada de sarcasmo.

— Que atitude é essa? Acha mesmo que virou princesa só porque deu sorte uma vez? Um sapo não vira princesa assim, não.

Os dedos de Tatiane se fecharam com força em torno da marmita térmica. A humilhação queimava por dentro. Sem dizer mais nada, ela virou o corpo, tentando contornar Lucas e ir embora.

Foi então que ele esticou a perna de repente.

Tatiane não teve tempo de reagir.

Tropeçou violentamente e caiu para a frente. Os dois joelhos bateram com força no chão duro, produzindo um som seco que ecoou pelo saguão. A dor foi imediata. O rosto dela empalideceu, e os dentes começaram a tremer de forma involuntária.

A marmita voou de suas mãos. A tampa se abriu, e a canja quente, junto com a comida, se espalhou pelo chão.

Um pouco mais afastado, Felipe, que observava a cena, se assustou ao ver o que tinha acontecido.

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Comments (2)
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Bárbara Marques
eu estava lendo esse livro e o meu telefone foi rakeado na sei como chegar aos capítulos 1100
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NATHÁLIA EMANUELLE DE OLIVEIRA DOS SANTOS
red flag das grandes
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