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Capítulo 6

Autor: Yanira Fey
— Tati, seu pai e seu irmão chegaram. — Mônica bateu de leve à porta enquanto falava.

Tatiane não pensou muito. Fechou o álbum de fotos, levantou-se e saiu do quarto. Assim que viu os dois entrando, o rosto dela se iluminou.

— Pai, mano.

Cristiano e Marcos olharam para Tatiane quase ao mesmo tempo.

— Tati, trouxe um presente pra você. Vem ver se gosta. — Cristiano a chamou, com um sorriso descontraído.

Os olhos de Tatiane brilharam na mesma hora.

— Que presente?

Cristiano carregava várias sacolas. Colocou tudo sobre a mesa de centro e, em seguida, tirou de dentro uma caixa elegante de joias de marca, entregando-a a ela.

— Abre.

Tatiane pegou a caixa com cuidado. Ao abrir, encontrou uma pulseira de ouro, de trabalho delicado e acabamento impecável. O sorriso dela se alargou.

— Obrigada, mano. Eu adorei.

— Que bom que gostou.

Cristiano estendeu a mão e bagunçou de leve o cabelo dela, num gesto cheio de carinho.

Além disso, ele havia comprado para Mônica uma pulseira de ouro mais discreta, adequada ao estilo dela. Para as duas, trouxe também conjuntos de produtos de cuidados com a pele. Para Marcos, café e vinho. Sem falar nos produtos típicos da região, todos escolhidos com atenção.

A sala foi se enchendo de uma sensação aconchegante e harmoniosa.

Era só em casa que Tatiane sentia o corpo e o coração realmente relaxarem.

— Tati, quando é a data prevista do parto? — Cristiano perguntou, claramente preocupado.

Com aquela barriga enorme, ela realmente parecia já estar no fim da gravidez.

— Ainda faltam dois meses. — Respondeu Tatiane.

— Essa barriga aí… Com certeza é menina. — Mônica disse, sorrindo.

— É menina mesmo. — Tatiane assentiu.

— Já fizeram o exame? — Marcos perguntou.

Mônica percebeu algo no tom da conversa e, sem querer, ficou tensa.

— Fizemos sim. E a Lorena dá muita importância a essa criança.

Marcos finalmente relaxou, soltando o ar que parecia prender havia um instante.

— Ainda bem. Enquanto houver uma criança, você e o Rick, com o tempo, acabam se acertando.

Tatiane baixou os olhos. O coração pareceu afundar, pesado e sem apoio. Um aperto silencioso fechou-lhe o peito. Por um instante, ela não encontrou forças para dizer a verdade.

"Henrique já falou em divórcio comigo."

Mas aquilo era impossível de esconder por muito tempo.

Além disso, ela já tinha decidido sair do Residencial Aurora e voltar a morar com a família.

"Deixa pra lá. Melhor falar depois do jantar."

Mônica preparou uma mesa farta, cheia de pratos caseiros, tudo com aquele cuidado que só ela tinha.

Naquela época, Cristiano havia aberto uma empresa de tecnologia em sociedade com alguns amigos. Dois anos antes, ainda no início da criação do negócio, Marcos não havia hesitado nem por um segundo em investir uma boa quantia como capital inicial. Agora, a empresa ia muito bem, focada principalmente em tecnologia de IA. Aquela viagem tinha sido justamente para fechar parcerias, e tudo tinha corrido melhor do que o esperado.

Marcos, por sua vez, estava resolvendo os últimos trâmites para vender a própria empresa.

Mesmo que, algum tempo antes, graças ao dote pago pela família Barbosa, a empresa tivesse conseguido respirar um pouco, o cenário econômico não ajudava. A tentativa de transformação fora difícil demais, e manter o negócio funcionando já não era viável.

Ele estava envelhecendo. A energia já não era a mesma de antes. Pelo contrário, ele acreditava profundamente no futuro da empresa de Cristiano. Como o negócio entraria em fase de captação de investimentos no fim do ano, Marcos decidiu vender tudo o que restava da própria empresa e aplicar o dinheiro integralmente na empresa do filho.

E então anunciou outra boa notícia.

Marcos e Mônica iriam, finalmente, oficializar o casamento.

Os olhos de Mônica se encheram de lágrimas na mesma hora.

Depois de tantos anos de companhia silenciosa, aquele momento finalmente tinha chegado.

Tatiane não teve nenhuma objeção. Ela sabia muito bem que o pai nunca aceitara se casar antes porque, no fundo, ainda guardava a lembrança da mãe.

Ela também nunca conseguiu entender por que a mãe, tendo um marido tão bom, escolhera se divorciar e deixá-lo.

Mas isso já não importava mais.

Era um dia tão bom.

Um clima tão bonito.

Tatiane simplesmente não tinha coragem de quebrar aquela atmosfera.

Ainda assim, no fim, ela falou:

— Pai… Mô… Mano… O Henrique quer se divorciar de mim.

As palavras ficaram suspensas no ar.

O clima na sala de jantar afundou num silêncio pesado. Os rostos de todos se tornaram graves, especialmente o de Marcos, que baixou a cabeça, o maxilar rígido, como se segurasse algo entalado no peito havia muito tempo.

Aquele desfecho não era exatamente inesperado.

Só tinha chegado cedo demais.

As famílias Oliveira e Barbosa até haviam se tornado parentes por afinidade, mas nunca houve cerimônia de casamento. Apenas o registro civil. Desde então, ao longo de mais de meio ano, praticamente não existira contato entre as duas famílias.

Henrique, inclusive, nunca tinha colocado os pés na casa dos Oliveira.

Fosse reunião de família ou datas importantes, o lado da família Barbosa jamais tomava iniciativa alguma.

Quem sempre aparecia sozinha era Tatiane.

Marcos e Mônica preparavam presentes com antecedência e pediam que ela levasse, tentando ao máximo evitar situações constrangedoras.

Quando os presentes chegavam à casa dos Barbosa, Lorena os aceitava com uma educação superficial. Tatiane sabia muito bem que, depois, tudo era repassado aos empregados da casa.

Já Bianca nem fingia cordialidade. Diante dela, mandava a empregada jogar tudo no lixo, dizendo para Tatiane parar de levar aquelas coisas sem nível da família dela.

Henrique ainda a advertia, num tom frio, para não insistir em gestos sem sentido.

Um casamento tão desigual nunca teria um final diferente.

A separação era apenas uma questão de tempo.

Tatiane apertou levemente os lábios e continuou, com a voz baixa, mas firme:

— Mas só depois que o bebê nascer. Eu também já aceitei o convite do professor Leandro… Em fevereiro do ano que vem vou para Stanford fazer um período de aperfeiçoamento.

Cristiano foi o primeiro a quebrar o peso daquele silêncio.

— Ir estudar fora é ótimo, Tati. Você é tão capaz. Nunca deveria ficar presa dentro de um casamento. Seja qual for a sua decisão, eu estou do seu lado.

Tatiane sorriu e assentiu, sentindo um calor discreto se espalhar pelo peito.

— Obrigada, mano.

Marcos soltou um longo suspiro. Nele havia cansaço, impotência e uma culpa que parecia se arrastar havia anos.

— Se é pra separar, então separa. — Disse, com a voz rouca. — A culpa é minha. Gente comum como a gente… Realmente nunca esteve à altura de uma família poderosa como a família Barbosa.

Os olhos de Tatiane se encheram de lágrimas. De repente, todo o sofrimento que vinha acumulando pareceu menor do que ela imaginara. Ela tinha a família ao seu lado. Tinha apoio, tinha um lar. Enquanto tivesse isso, não existia obstáculo impossível de atravessar.

Mônica percebeu na hora. Pegou um lenço de papel e enxugou com cuidado o contorno avermelhado dos olhos da filha, apressando-se em confortá-la.

No fim, a família terminou a refeição com sorrisos sinceros, tentando preservar aquela sensação rara de união.

Ao mesmo tempo...

Na região periférica da cidade, havia um condomínio residencial de alto padrão com mais de vinte anos de história. Fora um dos primeiros redutos da elite local. Com o passar do tempo, as estruturas começavam a mostrar sinais de envelhecimento, mas o lugar ainda conservava uma elegância discreta e um silêncio respeitável.

Um Bentley parou lentamente diante de uma das casas independentes.

Era justamente a antiga residência da família Oliveira, vendida anos atrás.

O vidro do carro desceu devagar, revelando um perfil masculino impecável. Ele olhava na direção da casa, onde todas as luzes estavam acesas.

A iluminação amarelada do poste refletia em seus olhos, escondendo mal a mistura de sentimentos, algo entre nostalgia e solidão.

Ele desviou o olhar e acendeu um cigarro.

Nesse instante, o celular vibrou.

Ele atendeu, a voz suave:

— O que foi, Kari?

Do outro lado, veio a voz manhosa de Karine:

— Mano, você ainda demora? Tô morrendo de fome… E o Rick não deixa eu comer antes de você chegar.

Em seguida, uma voz masculina mais grave, permeada de indulgência, soou do outro lado da linha:

— Quem foi que pediu pra eu vigiar a boca dela? Agora a culpa é minha?

Karine bufou, descontente.

— Se tá com fome, come primeiro. Eu já tô chegando.

A ligação foi encerrada.

Felipe Araujo apagou o cigarro, lançou um último olhar pela janela do carro e, então, subiu o vidro. O Bentley arrancou suavemente, afastando-se da casa iluminada e deixando para trás aquela rua silenciosa.
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