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last update publish date: 2026-09-06 13:11:34

Dias depois...

Decidido a espairecer a mente daquela pressão sufocante, Alexander resolveu sair à noite. Dirigiu-se a um bar sofisticado na região central; sentou-se no balcão e pediu uma bebida forte. Seus olhos varreram o estabelecimento até pousarem na figura de uma mulher atraente que estava sozinha em uma mesa isolada.

Alexander aproximou-se dela e puxou conversa com facilidade. A mulher, claramente interessada pelo porte dele, começou a flertar abertamente. Embora não amasse a esposa, Alexander sentia no fundo da consciência que aquilo era errado; contudo, deixou-se levar pelo momento de distração. Conversaram por um bom tempo, mas, antes que a situação escalasse para algo mais íntimo, ele tratou de se desculpar e foi embora.

Ao retornar à mansão, encontrou Lauren no corredor. Ela estreitou os olhos ao vê-lo chegar àquela hora. Notara perfeitamente sua ausência e, embora o temesse, a curiosidade falou mais alto.

— Onde você estava? — quis saber, com a voz ligeiramente trêmula.

Alexander a encarou com supremo desdém, impassível diante da acusação implícita.

— Isso não é da sua conta — cuspiu friamente. — Eu faço o que bem entender, na hora que eu quiser.

Lauren sentiu a raiva queimar-lhe o peito. Depois de tudo o que era obrigada a aguentar, como ele ainda tinha a pachorra de traí-la descaradamente?

— Como você ousa, Alexander?! — esbravejou, perdendo o controle das emoções. — Acaso não lhe basta me manter trancada e me usar na cama sempre que tem vontade?

Alexander soltou uma risada debochada, completamente indiferente ao confronto.

— Do que você está falando agora? Por favor, Lauren, não seja ridícula. Eu sou o dono desta casa e posso fazer o que me aprouver. Você é apenas minha esposa, nada mais do que isso. Não tem o menor direito de me cobrar satisfações. Fora da minha vista, agora!

As palavras dele caíram como um balde de água congelante. Sentindo-se totalmente impotente, Lauren avançou e empurrou-o pelo peito, decidida a enfrentá-lo. Não suportaria mais aquele tratamento humilhante.

— Eu não sou o seu brinquedo! — gritou, com lágrimas de fúria escorrendo pelo rosto. — Eu mereço respeito, Alexander! Você não pode sair por aí transando com qualquer uma! Você está cheirando a álcool barato e tem marca de batom na gola da camisa, por que diabos...

— Cale a boca! — rugiu ele, empurrando-a com força contra a parede. Lauren soltou um gemido abafado de dor, aterrorizada com a violência do gesto. — O que exatamente você quer de mim? Você me detesta, me odeia, e agora vem bancar a ciumenta? Eu não entendo mais nada!

Ela abriu a boca para responder, mas, num impulso irracional, Alexander agarrou sua nuca e a beijou com ferocidade. Aquele ataque surpresa nublou-lhe a mente e roubou o pouco de ar que lhe restava nos pulmões. Quando finalmente se afastaram, ele a fitou com os olhos brilhantes, escurecidos por um desejo incontrolável e animalesco.

Lauren abaixou a cabeça, derrotada. Mas ele ergueu-lhe o queixo bruscamente, forçando-o a um contato visual obrigatório onde ambos lutavam contra a própria confusão.

— Você não merece nada, Lauren. É apenas uma insignificância na minha vida. Eu nunca vou amá-la, você jamais passará de um fardo para mim.

— Por que você me odeia tanto assim? — sussurrou ela, com a voz quebrada.

— Eu não preciso de um motivo para desprezá-la.

Aquelas palavras funcionaram como estocadas certeiras no peito de Lauren.

De sua parte, Alexander perdeu-se naqueles olhos castanhos que pareciam desmoronar bem diante dele. No fundo, sabia que não havia um motivo lógico para aquele ódio; no início, ele apenas a rotulara como uma oportunista comum, mas com o passar do tempo percebera que ela era completamente diferente das mulheres que conhecia — a suntuosidade e a riqueza material nunca haviam seduzido Lauren. Com o tempo, ele próprio passara a se sentir terrivelmente confuso, pensando nela muito mais do que deveria, preocupando-se em silêncio embora jamais movesse uma palha para remediar a situação.

Descobrir que estava começando a se apaixonar por sua própria esposa o enfurecia sobremaneira. Essa constatação funcionava como um combustível que o tornava ainda mais agressivo com ela; por isso, odiava-a com todas as forças.

Recusava-se a cair naquela armadilha sentimental. Não repetiria os erros do passado.

Sem acrescentar uma única palavra, Lauren virou-se, correu para o quarto e trancou a porta. Uma vez a sós, desabou sobre a cama, chorando copiosamente.

Ao menos dormiam em cômodos separados; ela jamais suportaria dividir o mesmo leito com um homem tão implacável quanto ele.

Dois meses depois...

A luz do banheiro era fraca, iluminando precariamente o pequeno bastão de plástico branco que Lauren segurava entre as mãos trêmulas. Nos últimos dias, vinha sentindo o corpo estranho, tomado por uma tontura persistente e um cansaço inexplicável. Seus pensamentos giravam em torno de hipóteses cada vez mais aterradoras, até que finalmente tomou coragem para fazer o teste.

Com um suspiro fundo, seguiu rigorosamente as instruções impressas na embalagem. Conforme os segundos se escoavam, o silêncio no cômodo tornava-se ensurdecedor. Fitava o aparelhinho fixamente, como se pudesse alterar o resultado através da força de vontade. Quando o cronômetro interno marcou o tempo limite, seu coração deu um salto no peito. Aproximou-se da luz e arregalou os olhos ao constatar as duas linhas rosadas bem nítidas, confirmando o seu pior pesadelo.

— Não, não, não... — balbocou, sentindo o mundo girar ao seu redor. Apoiou-se nas bordas da pia, absorvendo o impacto daquela revelação que caía sobre seu peito como uma laje de chumbo. Estava grávida. A palavra ecoava em sua mente feito um alarme de incêndio.

Lauren deslizou pelo azulejo frio, abraçando o próprio corpo enquanto a mente se perdia em um turbilhão caótico. O que faria agora? Jamais poderia contar a Alexander. Ele não queria filhos!

Fechou os olhos com força, aterrorizada com o futuro incerto que se desenhava à sua frente.

O medo crescia descontroladamente dentro dela. Não podia permitir que aquela criança nascesse e crescesse em meio a um ambiente tão tóxico e doentio. Como criaria um filho num casamento desprovido de afeto, trancafiada entre os muros opressivos daquela mansão? Não, não podia tolerar aquilo. Tinha de fugir dali, precisava encontrar uma saída para recuperar sua liberdade a qualquer custo.

Avaliando mentalmente suas opções, sabia que Alexander jamais permitiria sua partida voluntária; ele faria o inferno na terra para mantê-la sob seu cabresto.

Até que, numa tarde em que a empregada entrou em seu quarto para recolher a bandeja, Lauren fitou-a com uma determinação feroz nos olhos.

— Preciso que você me ajude em uma coisa — pediu em um sussurro quase inaudível. — Vou fugir desta casa, e preciso da sua ajuda para conseguir. Estou grávida, e você sabe disso... Alexander não pode saber de jeito nenhum, pois com certeza exigirá que eu aborte, e eu jamais tirarei a vida de um inocente.

A funcionária encarou-a surpresa, mas logo um lampejo de solidariedade transpareceu em seu semblante.

— Senhora, tem certeza do que está dizendo? — inquiriu com cautela. — O senhor Alexander nunca vai perdoá-la. Ele vai rastreá-la até debaixo da terra se for preciso.

Lauren assentiu com firmeza irredutível.

— Eu sei de tudo isso — respondeu resoluta. — Mas não posso continuar respirando este ar. Preciso recuperar minha liberdade, ir embora daqui o quanto antes.

A empregada avaliou a situação por alguns instantes e, num gesto cúmplice, acabou concordando:

— Farei o que estiver ao meu alcance para ajudá-la... Mas saiba que isso é extremamente perigoso.

— Eu sei... Obrigada.

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