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CAPÍTULO 3

작가: Rosemary
Na tarde seguinte, Luca apareceu no apartamento de Maya.

Ele estava parado diante da porta segurando um saco de papel branco de uma antiga confeitaria.

Atrás dele, um Bentley preto permanecia ligado.

O mesmo carro que, anos antes, me deixou sozinha no dia do meu aniversário porque Clara precisava de uma carona.

Maya cruzou os braços na porta.

— Ela não quer ver você.

Luca olhou além dela e encontrou meu olhar.

— Anna... me dá dois minutos.

Maya soltou uma risada sem humor.

— Dois minutos?

Balançou a cabeça.

— Foi exatamente isso que você pediu antes de colocar a Clara no vestido de noivado dela.

Luca respirou fundo.

— Maya... isso é entre mim e a Anna.

Ela não recuou.

— Então pare de dizer o nome dela como se ainda fosse dono dela.

Toquei levemente o braço de Maya.

— Deixa ele entrar.

Luca entrou no apartamento e colocou o saco de papel sobre a mesa de centro.

— Bombas de creme de pistache.

Olhou para mim.

— Você adorava.

Sentou-se à minha frente.

Calmo.

Controlado.

Com a postura de quem estava ali apenas para resolver um problema.

Depois perguntou:

— O que você quer que eu faça?

Olhei diretamente para ele.

— Eu já disse.

— Quero terminar.

Ele balançou a cabeça.

— E eu já disse para você não tomar uma decisão definitiva por causa de uma única noite ruim.

Sua voz permanecia equilibrada.

— Anna... deixar aquele anel sobre a mesa me colocou numa situação muito difícil.

Olhei para ele sem acreditar.

— Você ficou numa situação difícil?

Luca suspirou.

— Não foi isso que eu quis dizer.

Passou a mão sobre a testa.

— Quero dizer que nós não podemos continuar brigando por causa da Clara.

Olhou para mim.

— Ela é minha amiga de infância.

— Só isso.

Sorri sem humor.

— Só isso?

Minha voz permaneceu calma.

— No ano passado, no meu aniversário, reservei uma mesa no La Vittoria com dois meses de antecedência.

Ele permaneceu em silêncio.

— A Clara ligou dizendo que o aquecedor da casa tinha quebrado.

Respirei fundo.

— Você me deixou esperando até o restaurante fechar.

Luca respondeu imediatamente.

— Estava nevando.

— Ela mora em um bairro perigoso.

Assenti.

— Depois você me deu um par de brincos.

Ele confirmou.

— Exatamente.

Olhei nos olhos dele.

— E comprou o mesmo par para a Clara.

Pela primeira vez, ele hesitou.

— Ela estava passando por uma semana difícil.

Soltei uma risada baixa.

— A Clara está sempre passando por uma semana difícil.

Continuei antes que ele falasse.

— Quando um cano estoura, ela está passando por uma fase difícil.

— Quando a inscrição dela dá errado, ela está passando por uma fase difícil.

— Quando alguém olha torto para ela, ela está passando por uma fase difícil.

Levantei lentamente os olhos.

— Enquanto a Clara chorar...

— Você pode faltar ao meu aniversário.

— Ao nosso aniversário de namoro.

— À prova do meu vestido.

— E até à nossa festa de noivado.

O apartamento mergulhou em silêncio.

Mas eu ainda não tinha terminado.

— No mês passado...

Cruzei os braços.

— Você mandou meu motorista buscá-la porque ela não deveria voltar sozinha de um bar.

Olhei para ele.

— Naquela mesma noite...

— Um homem me seguiu por três quarteirões quando saí do trabalho.

A expressão de Luca mudou.

— Você nunca me contou isso.

Balancei a cabeça.

— Eu liguei.

Minha voz saiu firme.

— Você não atendeu.

Continuei.

— E o xale de renda que minha avó mandou da Sicília?

Ele baixou os olhos.

— Você emprestou para a Clara usar no jantar da bolsa de estudos porque ela não podia parecer pobre.

Respirei fundo.

— Quando vinho caiu em cima dele...

— Você disse que era velho e que compraria outro.

Luca engoliu em seco.

— Eu não sabia que ele era tão importante para você.

Olhei fixamente para ele.

— Você não sabia...

— Ou simplesmente não se importou?

Pela primeira vez...

Ele não tentou se justificar.

Depois de alguns segundos...

Voltou a me olhar com a mesma expressão de decepção de sempre.

— Eu sempre achei que você fosse diferente das outras mulheres.

Sorri de leve.

— Diferente como?

Ele respondeu sem hesitar.

— Você conhece as dificuldades da vida.

— Achei que entenderia a Clara.

Suspirou.

— Ela não tem ninguém.

— Você tem a mim.

— Tem o sobrenome Moretti.

— Tem o lugar de futura Donna.

Abriu as mãos.

— Então por que se apegar a coisas tão pequenas?

Balancei a cabeça lentamente.

— Porque eu estava dentro dessas pequenas coisas.

Ele franziu a testa.

Continuei.

— Eu não estou contando vestidos.

— Nem motoristas.

— Nem xales.

Minha voz permaneceu serena.

— Estou contando todas as vezes em que você escolheu a Clara...

— E depois exigiu que eu aceitasse isso com elegância.

Luca respondeu imediatamente.

— Eu nunca deixei de escolher você.

Olhei diretamente para ele.

— Você só nunca me escolheu primeiro.

O rosto dele escureceu.

— A Clara não tem mais ninguém.

Inclinei levemente a cabeça.

— E eu?

Sem hesitar, ele respondeu:

— Você tem a mim.

Naquele instante...

Senti apenas cansaço.

Ele jamais entenderia.

Passei anos suportando tudo porque acreditava que tinha Luca.

Enquanto isso...

Ele entregava, pouco a pouco, pedaços de si para Clara...

E dizia que aquilo deveria ser suficiente para mim.

Sorri.

— Você tem razão.

Ele relaxou discretamente.

— Eu tenho tudo.

Seu semblante finalmente suavizou.

Completei:

— Inclusive o suficiente para viver sem você.

Ele congelou.

— Anna...

Apontei para a porta.

— Vai embora.

Antes de sair...

Ele parou no batente.

Sem olhar para trás, disse em voz baixa:

— Você não era assim.

A porta se fechou.

Maya caminhou até a mesa de centro.

Pegou o saco de doces.

E o jogou no lixo.

Depois olhou para mim.

— Você está bem?

Respirei lentamente.

— Ainda não.

Olhei pela janela.

— Mas também sei que não vai piorar.

Naquela mesma noite...

O carro de Dante parou em frente ao prédio.

Saí levando apenas uma mala.

Não levei nenhum dos presentes que Luca havia me dado.

Eles pertenciam à Anna Vale.

À garota que acreditava que paciência podia ser trocada por amor.

Não à Anna Valenti...

Que finalmente estava voltando para casa.

Antes de sair...

Deixei sobre a mesa de centro a pasta com todo o planejamento do casamento.

Na capa estava escrito:

Capela Santa Rosália.

O lugar onde um dia acreditei que me casaria com Luca.

Agora...

Era apenas papel.

Na terceira manhã...

Recebi uma mensagem dele.

[A casa segura da Clara teve um problema. O primo dela está devendo dinheiro para os russos. Preciso resolver isso primeiro. Adie por alguns dias a reunião do planejamento do casamento.]

Menos de um minuto depois...

Outra mensagem chegou.

[Explique isso para a cerimonialista. Você vai ser a Donna. Essa responsabilidade também é sua.]

Li as duas mensagens.

E não senti absolutamente nada.

Dante estava sentado à minha frente no terminal particular.

Seu casaco preto repousava sobre a cadeira.

Sem sequer olhar para meu celular, perguntou:

— Vai responder?

Balancei a cabeça.

— Não.

Desliguei o aparelho.

Retirei o chip.

Quebrei-o ao meio.

E joguei tudo no lixo.

Do outro lado da parede de vidro...

Um jatinho particular sem qualquer identificação aguardava.

Os Valenti sempre preferiram o poder silencioso.

Saí de casa usando um nome falso...

Porque queria provar para mim mesma que era capaz de construir algo puro.

No fim...

A única coisa realmente pura...

Foi a minha estupidez.

Peguei o novo celular que Dante havia me entregue.

Liguei para a cerimonialista.

— Quero cancelar a Capela Santa Rosália.

A mulher do outro lado da linha ficou em silêncio.

Depois perguntou, completamente surpresa:

— Senhorita Vale... faltam menos de duas semanas para o casamento.

Respirou fundo.

— Aquela capela tem fila de espera de um ano.

— E o sinal não é reembolsável.

Fez uma pausa.

— A senhora tem certeza?

— Tenho.

Ela hesitou novamente.

— O senhor Moretti sabe disso?

Olhei pela janela do terminal.

— Ele não precisa saber.

Depois que desliguei...

Entreguei a Dante meu antigo celular e a pasta do casamento.

— Se livra disso para mim.

Dante pegou os dois objetos.

Seu rosto permanecia frio.

— Você realmente não quer que o papai intervenha?

Balancei a cabeça.

— Não.

Ele continuou:

— Luca Moretti humilhou publicamente a filha do Presidente da Máfia durante a festa de noivado.

Sua voz era firme.

— Se isso se espalhar...

— Metade de Chicago vai esperar vê-lo ajoelhado.

Sorri de leve.

— Eu não estou deixando o Luca porque quero vê-lo ajoelhado.

Dante me observou por alguns segundos.

Depois assentiu.

— Então...

Levo você para casa.

Naquele mesmo momento...

Luca estava na casa segura de Clara.

Ela segurava uma caneca com as duas mãos.

Os olhos continuavam vermelhos.

— Luca...

Sua voz era baixa.

— Me desculpa.

— Eu só continuo trazendo problemas para você.

Respirou fundo.

— A Anna deve estar furiosa.

Luca olhou rapidamente para o celular.

Eu ainda não havia respondido nenhuma mensagem.

Ele franziu a testa.

Mas não demonstrou preocupação.

— Ela vai superar isso.

Clara abaixou a cabeça.

— Mas a reunião do casamento era importante.

Luca vestiu o casaco.

Com a mesma certeza de sempre, respondeu:

— Ela é minha noiva.

— Esse tipo de responsabilidade faz parte do papel dela.

Terminou de fechar o casaco.

— Vai ficar brava por alguns dias...

— Depois volta para casa.

Quando retornou ao cobertura onde morávamos havia três anos...

Já era tarde da noite.

A sala estava completamente escura.

A princípio...

Achou que eu estivesse dormindo.

Chegou até a tirar os sapatos para não fazer barulho.

Mas...

Quando abriu o closet...

Parou imediatamente.

O meu lado estava quase vazio.

Meus casacos.

Meu passaporte.

Minhas malas.

Meus documentos.

Tudo havia desaparecido.

Sobre a penteadeira...

O anel de esmeralda da família Moretti repousava sobre a pasta do casamento.

Havia apenas um bilhete.

''O casamento foi cancelado.''

O rosto de Luca mudou completamente.

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