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CAPÍTULO 2

ผู้เขียน: Rosemary
A chuva batia contra os vidros da janela.

Maya preparou um chocolate quente para mim e se sentou no sofá à minha frente.

Permanecemos em silêncio.

Não havia nenhuma palavra capaz de melhorar aquela noite.

Já passava das duas da manhã quando meu celular começou a tocar.

Era Luca.

Atendi.

— Anna...

A voz dele parecia calma.

Quase divertida.

— Você deixou o anel na mesa de recepção.

Fez uma pequena pausa.

— Eu peguei. Amanhã coloco de volta no seu dedo.

— Eu sei.

Houve um breve silêncio.

— Você sabe?

— Fui eu quem deixou o anel lá.

A linha ficou muda por alguns segundos.

Então ele soltou uma risada baixa.

— A situação desta noite foi injusta com você.

Sua voz continuava tranquila.

— Amanhã eu explico o lado da Clara.

— A culpa pelo vinho não foi dela.

Respirou fundo.

— Todo mundo viu você emprestando o vestido.

— Só vão pensar que você foi generosa.

Fechei os olhos.

— Luca...

— Acabou.

Dessa vez...

O silêncio demorou muito mais.

Quando ele voltou a falar, sua voz carregava impaciência.

— Anna... Para de fazer drama.

— Eu não estou fazendo drama.

Ele suspirou.

— Sempre que fica chateada você diz que vai embora.

— E sempre volta.

Seu tom tornou-se mais gentil.

Era exatamente a voz que ele usava quando acreditava estar me acalmando.

— Amanhã eu vou buscar você.

— Vamos jantar naquele restaurante italiano de que você gosta.

Balancei a cabeça, mesmo sabendo que ele não podia me ver.

— Eu não quero.

— Então escolhemos outro restaurante.

Respirei lentamente.

— Eu quis dizer...

— Que acabou.

Percebi sua respiração mudar.

— Tudo isso... Por causa de um vestido?

— Não foi por causa de um vestido.

— Então foi por causa da Clara?

Sua paciência começou a desaparecer.

— Anna...

— Eu e a Clara crescemos juntos.

Continuou antes que eu respondesse.

— O pai dela morreu em um dos portos da família Moretti.

— A mãe foi embora antes mesmo de ela completar dezesseis anos.

Sua voz parecia cheia de justificativas.

— Ela não tem família.

— Não tem ninguém para protegê-la.

— Quando alguma coisa acontece...

— Ela procura por mim.

— Você sabe disso.

Olhei pela janela.

A chuva continuava caindo.

— E daí?

Ele respirou fundo.

— Então para de transformar tudo em uma competição.

Sua voz endureceu.

— Você vai se tornar a Donna da família Moretti.

— Não uma garota da periferia brigando por migalhas.

Cada palavra atravessou meu peito.

— Abandona esse costume pequeno e mesquinho.

Apertei com força a caneca quente entre as mãos.

Então era isso.

Para ele...

Minha paciência era apenas uma obrigação.

Minha dor era falta de educação.

E o meu sofrimento...

Não passava de um hábito de garota pobre que ele pretendia corrigir.

Sorri sem alegria.

— Você tem razão.

Minha voz saiu baixa.

— Eu sou apenas uma garota da periferia.

Fechei os olhos.

— Não mereço ser a Donna da família Moretti.

— Anna...

Ele finalmente percebeu que algo estava diferente.

Mas já era tarde.

— Nem se preocupe em devolver o anel.

Sua voz ficou grave.

— Cinco anos...

— E você realmente acha que consegue ir embora?

Fez uma pequena pausa.

— Não esquece...

— Você não tem família.

— Você só tem a mim.

Olhei para as luzes borradas de Chicago através da janela molhada pela chuva.

Depois respondi calmamente.

— Luca...

— Você está errado.

Ele permaneceu em silêncio por um instante.

— Errado sobre o quê?

Sorri.

Um sorriso pequeno.

Livre.

— Eu tenho uma família.

Desliguei.

Maya continuava me observando.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Ele ainda acha que você é órfã?

Assenti.

— Sim.

Ela parecia incrédula.

— Você nunca contou a verdade?

Cinco anos antes...

Eu havia chegado a Chicago usando o nome de Anna Vale.

Queria viver uma vida completamente diferente daquela que o sobrenome Valenti carregava.

Queria descobrir quem realmente se apaixonaria por mim...

Sem enxergar o peso da minha família.

Passei a fazer trabalho voluntário em uma cozinha beneficente.

Foi lá que conheci Luca.

Naquela época...

Ele ainda era apenas o jovem herdeiro da família Moretti.

Em uma noite congelante...

Ele me entregou um copo de café quente.

E me olhou...

Sem interesse.

Sem cálculo.

Sem medo.

Foi naquele instante que comecei a me apaixonar.

Nunca contei que meu verdadeiro nome era Anna Valenti.

Nunca revelei que todas as famílias da máfia de Chicago abaixavam a cabeça quando meu pai entrava em uma sala.

Continuei esperando.

Esperando que Luca me amasse por quem eu era.

Não pelo sobrenome que carregava.

No fim...

Tudo o que consegui...

Foi um homem que dizia diante de todos que eu nunca teria coragem de deixá-lo.

Meu celular acendeu novamente.

Uma mensagem de Luca apareceu na tela.

[Durma. Amanhã pare de ser teimosa.]

Nem me dei ao trabalho de responder.

Virei o aparelho com a tela para baixo.

Naquele momento...

O telefone criptografado escondido dentro da minha mala começou a vibrar.

Aquele número...

Apenas os Valenti possuíam.

Atendi imediatamente.

— Anna.

Era Dante.

Meu irmão mais velho.

Braço direito do meu pai.

Sua voz permaneceu calma.

— Os carros já estão a caminho.

Fez uma breve pausa.

— O papai quer saber se devemos retirar os Moretti da lista de convidados do casamento ainda esta noite.

Olhei novamente para a chuva.

Acabei soltando uma pequena risada.

— Não transforme isso em uma guerra.

Respirei fundo.

— Eu só estou deixando o Luca.

Do outro lado da linha...

Dante permaneceu alguns segundos em silêncio.

Então respondeu:

— Entendido.

Sua voz era firme.

— Vou buscar você antes do amanhecer.

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