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CAPÍTULO 3

Author: Sea One
— É a Julie. Ela está se divorciando. — No instante em que respondi, a tensão nos ombros de Dante diminuiu um pouco.

— Ela soube que você é advogado e perguntou se saberia o que fazer.

Dante se recostou na cadeira, tocando a tela do celular com uma caneta, sem sequer olhar para mim.

— Eu não sou advogado de divórcio, mas posso indicar um. — Disse ele.

"Não era você quem estava cuidando do divórcio de Camille esse tempo todo? Acho que qualquer coisa que não tenha relação com ela simplesmente é ignorada por você." Murmurei em pensamento.

Dante continuou olhando para o celular, sorrindo sozinho de vez em quando. Eu já não queria mais saber o que ele estava vendo.

Finalmente, recebi alta do hospital. Pelo menos aquilo não atrasaria minha viagem para casa.

Fiquei do lado de fora, perto da entrada de veículos, esperando por ele.

Foi ele quem insistiu em me buscar depois da alta; caso contrário, eu teria chamado um táxi.

Então, liguei para ele. Ele atendeu, mas, ao fundo, ouvi a melodia de uma ópera tocando.

— Estou fora da cidade. — Dante disse, calmo.

Abri o Instagram de Camille. Ela tinha postado uma foto da casa de ópera.

Se isso acontecesse antes, eu ficaria furiosa a ponto de quebrar o celular. Mas, agora, apenas abri o aplicativo pra chamar um Uber.

Depois, conferi mais uma vez o horário da minha partida, a lista de bagagens e as informações do voo. Queria garantir que nada desse errado; queria ter certeza que eu realmente deixaria Nova York para trás.

Naquela noite, Dante voltou para cas. Ele até me trouxe flores.

— Amanhã completa dez anos desde que nos conhecemos. Tirei o dia de folga para você. Aonde quer ir?

Eu ainda queria visitar minha antiga universidade; queria rever os lugares onde passei todos esses anos.

Fim de outono em Nova York. O chão estava coberto de folhas douradas de ginkgo.

Olhei para Dante e, por um instante, senti como se tivesse voltado cinco anos no tempo. Naquela época, eu olhava para ele como garotas olhavam para ídolos: como se ele fosse intocável.

E agora ele ainda estava ali, sob as árvores. Mas, desta vez, tudo o que eu via era um homem que sabia mentir.

De repente, sorri. Estranhamente, eu estava de bom humor. Enlacei meu braço ao dele, casualmente e disse:

— Vamos.

No instante em que chegamos ao prédio da biblioteca, o celular dele vibrou. Era uma mensagem de Camille:

[Estou com febre.]

Em silêncio, observei a expressão de Dante mudar. Primeiro, o desconforto; depois, a hesitação.

Quando falou de novo, já tinha voltado a ser o Dante Valieri calmo e controlado.

— Aconteceu uma urgência no escritório. Preciso ir.

Olhei para ele. Eu estava prestes a assentir, mas algo me passou pela cabeça. Por isso, perguntei de propósito:

— Não pode esperar mais uma hora?

Exatamente como eu esperava, Dante respondeu:

— Não.

De repente, já não me senti mais triste. Eu já sabia exatamente qual seria a resposta dele.

Antes que eu pudesse responder, ele acrescentou:

— Volto aqui com você outra hora.

Não haveria outra hora, Dante.

Sozinha na pista de atletismo, agachei-me na posição de largada.

Naquela época, Dante costumava me esperar na linha de chegada.

Preparar. Correr. Disparei até o fim.

Mas, esperando por mim ali agora, havia apenas um muro coberto de rosas. Daquele momento em diante, nenhum final da minha vida teria qualquer relação com ele.

Caminhei sozinha por todo o campus, gravando incontáveis vídeos.

Eu estava prestes a publicá-los no Instagram quando vi que Camille postou outra foto no hospital:

[Estou com febre, mas, felizmente, ele está aqui. Assim, nem dói tanto.]

De repente, desisti de postar.

"Sabe, Dante? Se você simplesmente tivesse me dito que ia vê-la, eu teria deixado você ir. Por que precisou se esforçar tanto para mentir para mim?"

Dez anos juntos. Eu estava ali para celebrá-los naquele dia ou para enterrá-los? Acho que aquilo era uma despedida.

Meu celular vibrou com a notificação de embarque. Amanhã, eu finalmente poderia voltar para casa.

Naquela noite, enquanto levava o lixo para fora, vi Camille saindo do carro de Dante. Caminhei até eles e parei calmamente diante dos dois.

Camille inclinou levemente a cabeça enquanto me olhava.

— Dante, quem é essa garota?
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