Share

CAPÍTULO 4

Author: Sea One
Dante ficou em silêncio.

Eu sabia o motivo: ele estava pensando em qual identidade seria mais segura para me apresentar.

Estendi a mão para Camille primeiro.

— Serafina Vescari. Estou passando por um divórcio agora, então vim pedir uma ajuda a Dante.

Pude ver Dante relaxar um pouco. Ele se agarrou a minha desculpa sem hesitar.

— O pai dela não anda muito bem de saúde. Quer que ela volte para Chicago por um tempo.

Camille assentiu, mas seus olhos ainda oscilaram várias vezes entre nós dois. Em seguida, ela enlaçou delicadamente o braço ao de Dante.

— Estamos interrompendo alguma coisa? — Perguntou ela.

Dante olhou para mim por instinto, como se estivesse verificando minha reação.

Apenas balancei a cabeça com calma.

— Não. De qualquer forma, já estava quase acabando.

Camille olhou de volta para mim quase imediatamente e perguntou:

— Você também está se divorciando?

Sorri de leve.

— Meu marido está apaixonado por outra pessoa.

Dante congelou por um segundo e me encarou. Camille apenas sorriu suavemente.

— Entendo perfeitamente. Mas as coisas melhoram com o tempo.

Então, ela ergueu os olhos para Dante, com o olhar cheio de ternura.

— Dante me ajudou muito. Sinceramente, acho que eu não teria conseguido passar pelo meu divórcio sem ele.

Assenti de leve. Sim, ele ajudou bastante. Principalmente na parte mais difícil: ele já tinha assinado meus papéis do divórcio sem sequer notar.

Depois disso, Dante levou Camille embora de carro.. Virei-me e voltei para casa.

Quatro horas antes do embarque. Retirei daquela casa até o último vestígio que ainda era meu.

Três horas antes do embarque. Juntei todos os vídeos que filmei mais cedo naquele dia.

Duas horas antes do embarque. Terminei a edição do vídeo, abri a gravação de tela no celular, apontei a câmera para mim e apertei o play.

Então peguei minha mala e fechei a porta atrás de mim. A única coisa que ficou sob a mesa de cabeceira foi a cópia dos papéis do divórcio.

Meu avião já decolava. Enquanto isso, Dante finalmente voltava para casa.

A sala estava silenciosa, por instinto, ele olhou ao redor: O sofá, a adega, a cozinha. Todos os meus vestígios tinham desaparecido.

Dante franziu a testa. Um vazio estranho, de repente, subiu pelo peito dele.

Subiu depressa e abriu o closet. Metade dele também estava vazia.

Só então, Dante finalmente compreendeu: eu disse que estava enviando alguns itens para Chicago, mas havia levado tudo.

Ele se virou de repente, quase revirou a casa inteira atrás de mim, mas não havia mais ninguém ali.

Por fim, empurrou a porta do quarto. Um celular estava quieto sobre a mesa de cabeceira; ao lado dele, estavam os papéis do divórcio assinados.

Dante encarou o celular. Era o mesmo que eu carregava pela universidade mais cedo naquele dia. Ele o pegou e apertou play.

A primeira imagem na tela era a entrada da faculdade de direito. Eu estava de pé sob os degraus, sorrindo suavemente:

— Dante, você se lembra deste lugar?

— Você costumava me esperar aqui todos os dias depois da aula. Todo mundo achava que você era algum político jovem ou um advogado de Wall Street.

— Mas, na verdade, você tinha acabado de resolver aquele tiroteio no Brooklyn para o meu pai. Havia sangue no seu punho da camisa, e mesmo assim você teve coragem de vir me buscar.

A câmera se moveu levemente parando na biblioteca.

— Você sempre se sentava no canto mais distante.

— Fingindo ler documentos jurídicos, quando na verdade resolvia negócios para a família Vescari Uma vez, fui escondida até você e o beijei.

— Você nem levantou os olhos. Só disse uma coisa. — Abaixando a voz, imitei o tom de Dante:

— Serafina. Pare com isso.

No vídeo, eu ria primeiro, mas, aos poucos, o sorriso desapareceu.

A câmera se moveu até o muro de rosas no fim da pista de corrida.

— Você costumava me esperar aqui.

— Naquela época, eu realmente achava que, se corresse na sua direção, você sempre me seguraria.

A tela ficou em silêncio por um longo tempo, só restou o som do vento.

No fim, sorri de leve.

— Então eu estava errada.

O último trecho era o vídeo que gravei antes de ir embora:

— Dante, nem acredito que nos conhecemos há dez anos.

— Sete anos amando você. Três anos de casamento. Eu realmente achei que, se ficasse tempo suficiente, um dia você também me amaria um pouco.

— Mas existem coisas que não se conquistam, não importa o quanto a gente tente. Então estou deixando você ir. E, finalmente, estou me libertando também.

Fiquei em silêncio por um momento, antes de dizer apenas uma última coisa:

— Dante Valieri, estamos divorciados.

Minha palma cobriu a lente.
Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 10

    O vento à beira do lago estava frio. Sentei-me no banco, olhando para a água calma ao longe.Dante se sentou ao meu lado. Nenhum de nós falou.Sinceramente, tudo o que precisava ser dito havia terminado em Nova York. Mesmo assim, ele não se movia, como se tentasse prolongar o tempo.Mas eu não compreendia o que ainda restava para prolongar. Por fim, ele falou em voz baixa:— Chicago é sempre tão fria assim?Respondi com naturalidade:— Você nunca esteve aqui antes?O ar pesou de repente. Dante pareceu completamente pego de surpresa.No passado, ele nunca veio a Chicago por minha causa; vinha pelo meu pai. Para resolver negócios, sepultar problemas.E eu sempre fui apenas a garotinha que ele observava de passagem. Dante abaixou a cabeça e deu um sorriso fraco.— Faz muito tempo.Não respondi. O vento à beira do lago continuou silencioso, mas, ele permaneceu estático.Até que, por fim, virei o rosto em sua direção:— Você ainda precisa de alguma coisa?A garganta de Dante

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 9

    A ligação era de Camille. Dante encarou o nome dela por um longo tempo na tela antes de, finalmente atender.— Dante, você está livre amanhã? Ainda faltam algumas coisas para levar ao meu apartamento novo. Você pode vir me ajudar?A sala permaneceu em silêncio.— Não vou, Camille. — E não entre mais em contato comigo.Do outro lado, houve dois segundos de silêncio.Camille claramente ficou atônita.— Por quê?Dante se recostou no sofá.Pela primeira vez, ele finalmente disse aquelas palavras em voz alta:— Porque sou casado. Não quero que minha esposa entenda errado.No instante em que as palavras saíram de sua boca, ele sentiu um alívio maior do que em qualquer outro momento da vida. Finalmente, ele não precisava mais mentir para si mesmo.Durante todos aqueles anos, aquilo a que se agarrava nunca fora um amor inesquecível; era apenas uma obsessão da juventude da qual ele não conseguia se libertar.A pessoa que realmente fez parte da sua vida sempre foi apenas uma mulher.

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 8

    Às quatro da manhã, Dante estava deitado, meio adormecido. Por instinto, estendeu a mão para o outro lado da cama. Não tocou em nada.Só então acordou devagar. Eu já estava longe havia dez dias. Sabendo que não conseguiria dormir novamente, ele se levantou.Parou diante da porta do escritório. Por um instante estúpido, ele realmente esperou que, ao abrir aquela porta, eu ainda estivesse ali como antes: abraçada a um travesseiro, encolhida no sofá enquanto esperava por ele.Mas como isso seria possível? A porta se abriu. O escritório estava vazio. Eu não o esperaria mais.Dante voltou para a sala. Os papéis do divórcio assinados ainda estavam sobre a mesa de centro; ao lado deles, estava o celular que eu deixei para trás.A tela estava rachada. Ele assistiu ao vídeo tantas vezes que já perdeu a conta; toda vez, era como uma lâmina abrisse seu peito uma vez mais.Mesmo assim, ele não conseguia parar de assistir. De repente, o celular vibrou. Àquela hora? Quem entraria em contato na

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 7

    Subi as escadas e abri o armário que sempre ficava trancado. Lá dentro, estava um velho taco de beisebol.No primeiro dia em que conheci Dante, eu segurava aquele taco quando desci as escadas correndo, empolgada. Naquela época, meu pai havia acabado de chegar em casa com ele.Os pais dele morreram em um expurgo entre gangues rivais. Um garoto adolescente estava parado no meio da nossa sala, coberto de ferimentos.O ódio nos olhos dele era mais frio que o gelo do Lago Michigan. Meu pai o ordenou que estudasse comigo, impondo apenas uma condição: Ele precisava me proteger, e Jamais poderia me deixar chorar.Mas Dante mal me dava atenção. Eu podia dizer dez frases, e ele talvez não respondesse nem uma sequer.Mais tarde, o clube da escola organizou um jogo de beisebol. Nosso time perdeu de forma vergonhosa. Fiquei com tanta raiva que bati o taco no chão enquanto todos ao redor riam.Foi então que Dante, que esperava do lado de fora da cerca o tempo todo, de repente invadiu o campo.

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 6

    Dante pegou o celular, pronto para ligar para meu pai. No instante em que o número do Don apareceu na tela, Dante parou de repente.Como ele explicaria aquilo? Que se casou com a filha do Don anos atrás e escondeu esse casamento por três anos?Que assinou pessoalmente os papéis do divórcio? Que havia me perdido?Dante baixou os olhos e encarou a palavra "Don" na tela. Pela primeira vez, percebeu uma coisa: existiam situações que nem ele sabia como consertar.Mas, alguns segundos depois, a ligação foi feita. O telefone chamou por um longo tempo, até que, por fim, alguém atendeu.— Olá, Don. Queria perguntar se Serafina voltou para casa.Naquele mesmo instante, eu estava sentada no escritório do meu pai. O fogo na lareira tremeluzia suavemente.Meu pai estava atrás da mesa, folheando documentos. No instante em que ouvi o nome de Dante, ergui os olhos para ele.Balancei a cabeça em silêncio. Meu pai me lançou um cúmplice e atendeu o telefone.No segundo seguinte, soltou uma risa

  • Ele Assinou Nosso Divórcio Sem Nem Olhar   CAPÍTULO 5

    Dante pegou os papéis do divórcio, os olhos fixos na assinatura ao final. Era realmente a letra dele: afiada, descuidada.Não era diferente das assinaturas que ele colocava em contratos de fusão ou pedidos de fiança depois de tiroteios. Só que, desta vez, ele havia assinado o próprio divórcio.O quarto mergulhou em silêncio. O celular escorregou da mão dele e bateu no chão com um estalo; a tela se quebrou, mas o vídeo continuou tocando:— Dante Valieri, estamos divorciados.Ele continuou parado, imóvel.Quando eu tinha começado a planejar tudo aquilo? Por instinto, ele começou a repassar as memórias em sua mente.Aquele dia. Eu fui ao escritório dele com documentos para assinar. No instante em que Camille entrou, os olhos dele imediatamente a seguiram.Que documento era, o que estava escrito nele... Ele sequer olharaDepois de assinar, ainda me perguntou: "O que eu acabei de assinar?" E como eu respondi? "Nada importante."A respiração dele parou de repente. Eu tinha lhe contad

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status