登入Na noite anterior ao Dia da Mentira do ano seguinte, recebi uma ligação de um número desconhecido de Nova York.Quase deixei o telefone tocar até cair na caixa postal.Mas atendi.A voz de Wilson surgiu rouca, pesada pelo álcool.— Vivian.Não respondi.— Amanhã é nosso aniversário. No ano passado eu disse que esse seria o ano. Eu tinha tudo planejado, sabia? O anel. O restaurante à beira-mar. Todo aquele discurso idiota…Ouvi o som de um copo sendo apoiado em alguma superfície.— Você realmente foi embora. Todo mundo dizia que você voltaria. Eu também achei que voltaria. Pensei que, se encontrasse as palavras certas, você acabaria cedendo outra vez.Fechei os olhos por um instante.— Mas você foi embora de verdade.Olhei para o jardim escuro além da janela.Lá embaixo, Luca conversava calmamente com os seguranças da noite, com a gola do casaco erguida contra o vento frio.— Você ainda acha que eu fui embora em um único momento — falei por fim. — Não foi assim. Eu fui embo
Wilson continuou aparecendo.Toda sexta-feira à tarde, ele dirigia até Long Island e estacionava do lado de fora dos portões dos Vescari. Às vezes levava flores. Outras, café do meu antigo bairro. Em uma ocasião apareceu com um bolo Floresta Negra que já estava desmanchando por causa da chuva antes mesmo de alguém tocá-lo.No começo, os seguranças relatavam cada visita.Depois da quarta semana, Matteo apenas arqueava uma sobrancelha e dizia:— Seu admirador chegou.— Ele não é meu admirador.— Não — respondeu Matteo secamente. — Admiradores geralmente sabem quando não são bem-vindos.Quase ri.Provavelmente foi exatamente por isso que ele falou daquela forma.Chloe demorou menos de um mês para tentar se transformar na vítima.Ela postou um vídeo chorando nas redes sociais, com o rímel borrado e a voz trêmula, dizendo que eu tinha usado as conexões da minha família para destruir sua vida por causa de uma brincadeira inocente. Alegou que Wilson era como um irmão para ela. Disse
Meu pai me esperava na escadaria principal no momento em que o carro parou.Alessio Vescari tinha alguns fios grisalhos nas têmporas e aquele tipo de calma que fazia qualquer ambiente silenciar automaticamente. As pessoas o chamavam de implacável.E não estavam erradas.Mas, quando os olhos dele pousaram sobre a gaze no meu queixo e o hematoma espalhado pela minha bochecha, a frieza dele se tornou algo muito mais perigoso.Pessoal.— Quem fez isso?A voz saiu baixa.Matteo Russo retirou minha bagagem do porta-malas enquanto respondia calmamente:— O médico está esperando lá em cima, senhorita.Meu pai desceu um degrau da escada e ajeitou meu casaco com as próprias mãos.— Você não precisa falar hoje à noite — disse ele. — Mas minha filha não volta para casa ferida enquanto protege as pessoas responsáveis por isso.Minha garganta apertou imediatamente.Durante seis anos, convenci a mim mesma de que ir embora significava ser forte. Esqueci que força de verdade não era enfrent
Ponto de Vista em Terceira PessoaA cobertura estava silenciosa quando Wilson chegou.Os chinelos de Vivian já não estavam perto da entrada. Os livros haviam desaparecido da mesa lateral. No banheiro, a bancada estava vazia. O perfume dela, o protetor labial e os pequenos grampos de pérola que ele costumava encontrar espalhados pela casa tinham sumido.No closet, restavam apenas cabides vazios nos lugares onde antes ficavam os vestidos dela.Na lixeira da cozinha, Wilson encontrou um pedaço de papel amassado.[Zona de Perigo. Proibida a Entrada de Vivian.]Ele pegou o cartaz e ficou olhando para aquelas palavras até que sua visão começasse a embaçar.Tinha feito aquilo anos atrás, depois que Vivian se queimou tentando cozinhar para ele. Naquela noite, prometeu a si mesmo que manteria longe dela qualquer coisa capaz de machucá-la.Em algum momento, ele próprio se tornou a pior delas.Sobre a mesa de centro havia uma caixa preta de presente.Dentro estavam os abotoaduras de ôni
Ponto de Vista em Terceira PessoaWilson esperou no quarto do hospital durante dez minutos antes de sentir o primeiro aperto real de medo no peito.O olhar dele ia da porta para o celular, depois para a cama desarrumada que Vivian havia deixado para trás. Tentava convencer a si mesmo de que ela estava no banheiro, conversando com alguma enfermeira ou simplesmente se acalmando em algum canto.Porque era isso que Vivian fazia.Ela se afastava em silêncio.Depois voltava quando ele encontrava as palavras certas.Só que, dessa vez, o quarto parecia vazio demais.Chloe estava sentada na ponta da cadeira de acompanhantes, balançando o salto com impaciência.— Onde ela foi? Porque, sinceramente, se ela demorar muito mais, eu não vou fazer discurso de desculpas nenhum. Já falei que não empurrei ela.Wilson ergueu os olhos lentamente.— Você devia pedir desculpas, volte ela ou não.Chloe soltou uma risada curta.— Uau. Olha só você. Tudo começou com uma aposta e agora está agindo co
Acordei no hospital com uma gaze presa ao queixo e uma dor pulsando ao longo da maçã do rosto.A enfermeira me explicou que eu tinha levado alguns pontos. Nada que colocasse minha vida em risco, segundo ela.Como se aquilo devesse me consolar.Wilson estava sentado ao lado da cama. Assim que abri os olhos, segurou minha mão imediatamente.— Viv… graças a Deus. Você me assustou.Por um segundo, quase acreditei que ele finalmente estivesse me enxergando.Então ele disse:— A Chloe não queria que você caísse. Ela achou que aquela brincadeira de noiva faria você rir. Você sabe como ela é. Ela exagera, mas nunca quis te machucar.Fiquei olhando para ele até meus olhos começarem a arder.— O maior erro da minha vida foi acreditar que você me protegeria.Antes que pudesse responder, o celular dele acendeu.O nome de Chloe apareceu na tela.Wilson se levantou rápido demais.— Já volto. Descansa, tá?Quando a porta se fechou, o silêncio do quarto finalmente permitiu que a verdade






