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Capítulo 2

Author: Hyacinth
Eu estava prestes a guardar o celular quando recebi uma mensagem de Dominic.

[Clara, vamos deixar as coisas como estão por enquanto. Bianca já disse sim na frente de todo mundo. Sou o herdeiro da família, e voltar atrás agora mancharia o nome dos De Luca. Também prejudicaria a reputação dela. Mais tarde, vou explicar que tudo não passou de um mal-entendido e que minha intenção sempre foi pedir você em casamento.]

Li a mensagem várias vezes, mas não fiquei surpresa. No instante em que Dominic disse o nome errado, soube exatamente como aquilo terminaria.

Foi como no Natal anterior. Ele mandou um cachecol para o meu apartamento, mas a encomenda acabou no endereço de Bianca por engano. Quando tentei recuperá-lo, Dominic segurou minha mão e disse:

— Desculpa, Clara. Devo ter preenchido o endereço errado. Deixa ela ficar com o cachecol, já que abriu a encomenda.

Outra mensagem chegou, dessa vez do administrador da propriedade:

[O Sr. De Luca pediu que eu avisasse que a recepção após o jantar será no salão principal. O prato principal foi alterado para massa com lagosta e trufa branca. O chef confirmou os ingredientes. Esperamos vê-la lá.]

A recepção fazia parte dos planos para o pedido. Como Dominic pediu a pessoa errada em casamento, tudo o que preparou passaria a ser para Bianca. Era assim que ele sempre resolvia as coisas.

No Instagram, vi uma foto da mesa do jantar publicada por um dos convidados. Toalha branca, castiçais de prata, arranjos de flores. O prato principal era massa com lagosta e trufa branca. Eu era alérgica a trufas, mas Dominic nunca se lembrava disso. Já para Bianca, aquele era o prato favorito.

Voltei sozinha para o meu apartamento em Manhattan. Ao abrir a porta, vi a pequena vitrola sobre o aparador da entrada, com a capa de um disco ao lado. Era uma lembrança do nosso primeiro encontro, quando Dominic me levou a uma apresentação de jazz. Mais tarde, ele comprou uma cópia autografada do disco e a colocou ali. Dizia que o primeiro disco tocado numa casa nova dava voz ao lugar.

Dominic nunca ligava muito para rituais. Fui eu quem lhe ensinou aquele ritual. Lembrei do dia em que coloquei o disco sobre o aparador. Ele se encostou no batente da porta e perguntou:

— É só um disco. Faz diferença onde fica?

Virei-me para ele e balancei a cabeça.

— Faz. Quero que todo mundo que entre aqui o veja primeiro e saiba que este lugar é um lar.

Foi a primeira vez que Dominic não discutiu comigo. Pensei que isso significava que ele começava a acreditar em mim.

Peguei a capa do disco e passei o dedo pela dobra. As imagens do jantar voltaram à minha mente. Em todas as fotos, Dominic aparecia ao lado de Bianca, descontraído, com os lábios curvados num sorriso que eu não via em seu rosto fazia muito tempo. Percebi que só eu achava que éramos felizes.

Virei a capa e a guardei numa caixa junto com o disco. Meu celular vibrou. Bianca publicou um story com uma foto do jantar e uma única frase:

[Há coisas que a vida decide por nós.]

Ela não mencionou ninguém. Não precisava.

Bloqueei a tela e procurei uma passagem aérea. Os voos da manhã seguinte estavam lotados; o único com vagas era o primeiro voo de depois de amanhã, às seis e quarenta da manhã, com chegada a Londres naquela noite. Confirmei a reserva.

[Reserva confirmada. Faltavam trinta e quatro horas para a decolagem.]
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