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Capítulo 04

Author: C.Emmzy
POV de Serena

Toda a expressão de Kael mudou no instante em que ele ouviu a voz de Lyra. A preocupação em seus olhos ao notar minha mala pronta desapareceu, substituída por algo mais suave e atento.

— Já vou! — ele gritou para ela, então se voltou para mim. — Na verdade, Sera, há algo que preciso te contar.

Continuei dobrando as roupas, sem olhar para ele.

— O que é?

— É sobre a Lyra. — Ele pausou, e eu podia sentir os olhos dele em mim. — Ela vai morar conosco de agora em diante.

Minhas mãos pararam sobre o suéter que eu segurava, mas mantive minha expressão vazia.

— Morar conosco?

— Sim. Ela está grávida e não deveria ficar sozinha na condição dela. Não é seguro para ela nem para o filhote. — Ele falou rapidamente. — É apenas temporário, até ela dar à luz.

Eu me virei para encará-lo lentamente.

— Quem é o pai?

A mandíbula de Kael se contraiu.

— Isso não importa.

— Não importa? — repeti com a voz plana.

— Não, não importa. — O tom dele era firme e defensivo agora. — Tudo o que importa é o conforto e a segurança dela. Ela precisa de apoio agora e, como Alfa da alcateia e cunhado dela, é minha responsabilidade providenciar isso. Ela ficará no quarto principal temporariamente.

O quarto principal. O nosso quarto.

Olhei para ele por um longo momento, observando enquanto ele se preparava para a minha reação. Ele claramente esperava lágrimas, objeções ou uma discussão.

Em vez disso, apenas dei de ombros e me voltei para a minha mala.

— Tudo bem. Deixe-me arrumar minhas coisas então.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— O quê? — A voz de Kael estava cheia de confusão.

— Eu disse tudo bem. — Abri outra gaveta e comecei a retirar minhas roupas. — Se a Lyra precisa do quarto principal, então eu me mudo para um dos quartos de hóspedes. Não é um problema.

— Sera... — Ele se aproximou, franzindo a testa. — Espere. Você está bem?

— Sim — respondi sem emoção, sem olhar para ele enquanto continuava a arrumar a mala.

O franzir de testa dele se aprofundou. Eu sentia os olhos dele me perfurando, tentando entender minha falta de reação.

— Você ainda está brava por causa da cerimônia? — Sua voz tinha um tom de irritação. — É por isso que está fazendo birra e agindo de forma tão irritante?

Eu me virei para encará-lo, incrédula.

— Birra?

— Sim, birra! — Sua voz se elevou em frustração. — Eu te disse que a Lyra estava muito doente e que eu tinha que cuidar dela. Ela poderia ter perdido o filhote, Sera! Você entende o quão sério isso foi? Mas, em vez de ser compreensiva e solidária, você está agindo de forma fria e distante. O que deu em você?

Abri a boca para responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Lyra falou do corredor.

— Kael, por favor, não grite com ela! — disse ela suavemente. — A culpa é toda minha.

Ela colocou a mão sobre o ventre enquanto olhava para nós dois com olhos arregalados e lacrimejantes.

— Sinto muito, Serena — disse Lyra, com a voz tremendo. — Eu nunca tive a intenção de causar problemas entre vocês dois. Eu sou a intrusa aqui. Sou a forasteira. Talvez... talvez eu devesse apenas ir embora antes de causar mais problemas.

A expressão de Kael mudou imediatamente para alarme. Ele lançou-me um olhar acusador antes de se desviar de mim e ir em direção a Lyra.

— Não, não, não diga isso — disse ele com urgência, colocando uma mão protetora no ombro dela. — Você não é uma intrusa. Você é da família. Você era a companheira de Marcus e agora está grávida. Seu lugar é aqui.

Os olhos de Lyra brilharam com lágrimas enquanto ela olhava para ele.

— Mas a Serena...

— A Serena entende — Kael a interrompeu firmemente, sem nem olhar para trás para confirmar comigo. — Não entende, Sera?

Não disse nada, apenas observando tudo friamente.

Quando não respondi imediatamente, Kael me fulminou com o olhar como se eu estivesse sendo difícil de propósito.

— Vamos — disse ele para Lyra, a voz suavizando novamente enquanto voltava toda a sua atenção para ela. — Você não deve se estressar por nada. Não é bom para o filhote.

Ele a guiou gentilmente em direção à porta, com uma mão ainda protetoramente em seu ombro.

Logo antes de saírem, ele se voltou para mim com outro olhar afiado.

— Conversaremos sobre isso mais tarde, Serena. E espero uma atitude melhor.

Então ele se foi, conduzindo Lyra escada abaixo, murmurando garantias suaves para ela que eu não conseguia ouvir.

Fiquei sozinha no quarto, cercada por malas semi-arrumadas.

Eu só tinha que sobreviver por mais seis dias.
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