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Capítulo 06

Author: C.Emmzy
POV de Serena

Lyra imediatamente caiu no choro.

— Kael! Graças à Deusa você está aqui!

Comecei a me levantar do chão, com o ombro doendo.

— Ela... ela me atacou! — Lyra soluçava, com a voz embargada. — Eu só vim me desculpar, tentar fazer as pazes, e ela ficou tão brava! Ela me acusou de tentar roubar você e, quando tentei sair, ela me empurrou! O filhote, Kael, e se algo aconteceu com o filhote?

— O quê? — Encarei-a incrédula, depois me voltei para Kael. — Não foi isso que aconteceu. Ela entrou aqui e...

— Basta! — Kael rugiu, com o rosto contorcido de raiva.

Tentei novamente, levantando-me por completo.

— Kael, por favor, apenas me escute. Ela está mentindo. Ela admitiu que...

O tapa veio do nada.

Minha cabeça virou para o lado, a dor explodindo em minha bochecha. A força do golpe me fez cambalear para trás, minha mão voando para tocar meu rosto ardendo.

O quarto mergulhou em silêncio.

Olhei para Kael, atordoada, e vi o horror surgindo em seus olhos quando ele percebeu o que havia feito. Sua mão ainda estava erguida, tremendo levemente, sua expressão mudando de fúria para choque.

Os olhos de Lyra brilhavam de satisfação e malícia, e um pequeno sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.

— Sera, eu... — Ele deu um passo à frente, tentando me alcançar.

— Não toque em mim — sussurrei, recuando dele.

— Kael! — A voz de Lyra cortou a tensão, aguda de dor. — Kael, por favor! Minha barriga dói, algo está errado! O filhote!

A atenção de Kael voltou-se imediatamente para Lyra; todos os pensamentos sobre mim foram esquecidos em um instante. Ele caiu de joelhos ao lado dela, com as mãos pairando sobre o ventre dela.

— O que houve? Onde dói? — Sua voz estava frenética de preocupação.

— Dói, dói tanto — Lyra gania, segurando a barriga. — Por favor, precisamos ir para a clínica. Agora!

Kael a pegou nos braços sem hesitação, já se movendo em direção à porta. Ele parou por apenas um segundo, olhando para trás para mim com algo que poderia ser arrependimento.

Mas Lyra soltou outro ganido de dor, e ele se foi, correndo escada abaixo com ela nos braços, gritando para que seu Beta preparasse o carro.

Fiquei sozinha no quarto de hóspedes, minha bochecha ainda queimando pelo golpe dele.

Foi a primeira vez que ele encostou a mão em mim em seis anos.

E seria a última.

Finalmente, o dia da quarta cerimônia de união chegou.

Era o clima perfeito para uma cerimônia na qual eu não compareceria.

Fiquei no quarto de hóspedes, observando pela janela enquanto Kael ajudava Lyra a entrar no carro. Ele a estava levando à clínica da alcateia para um check-up final antes da cerimônia.

— Voltarei em duas horas — Kael me dissera mais cedo naquela manhã, com um olhar suave nos olhos. — A cerimônia começa ao meio-dia, Sera. Eu prometo, desta vez será diferente.

Eu apenas assenti, mantendo a mesma expressão vazia que usei nos últimos três dias.

Enquanto observava o carro se afastar da casa, eu finalmente me movi.

Minhas malas já estavam prontas, escondidas no closet. Passei os últimos três dias me preparando silenciosamente, garantindo que tivesse tudo de que precisava.

Os papéis de liberação assinados estavam na minha bolsa, mas eu fiz cópias para enviar a Kael.

Eu tinha três horas antes do horário previsto para o início da cerimônia. Três horas antes de Kael perceber que eu não iria. Três horas antes de ele entender que eu tinha partido.

Era tempo mais do que suficiente.

Peguei meu telefone e enviei uma mensagem rápida para meu pai.

— Estou saindo agora.

A resposta dele veio quase imediatamente.

— O motorista está esperando por você, querida. Nós te amamos.

Dei uma última olhada no quarto de hóspedes. Então, caminhei até o quarto principal, o quarto que fora meu, mas que agora pertencia a Lyra.

O colar de Luna estava sobre a cômoda. Lyra o deixara ali de forma negligente, quase como se estivesse me provocando com ele.

Peguei minhas malas no quarto de hóspedes e desci as escadas. A casa estava vazia.

Claire me enviara três mensagens esta manhã, animada por finalmente me ver tornar Luna. Não respondi. Explicaria tudo a ela mais tarde, assim que estivesse em segurança, longe daqui.

Ao chegar à porta da frente, parei e dei uma última olhada na casa que chamei de lar por seis anos. A casa onde ri e chorei.

Então, saí pela porta sem olhar para trás.
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