Share

Atualmente

Author: Julie LIon
last update publish date: 2023-03-30 19:36:03

Roman

Já são 8 anos sem eles e ainda não superei é uma dor latente, persistente, suas mortes doem como se ainda fossem ontem. Fazendo a faca rodar dentro do meu peito pela esperança que tinha em um futuro causando uma saudade do gosto de tudo o que poderia ter sido e jamais terei como descobrir.

Suspiro, diante da realidade suja a qual voltei a enfiar minha carne fraca e mesmo desejando todos os dias, não morri junto com ela, hoje fodo com tantas putas que os soldados se perguntam como meu pau ainda não caiu ou não fui parar no hospital com alguma DST, claro quando estão longe o suficiente da minha presença, Kyro que faz questão de falar para encher o saco a todo momento fazendo piadas idiotas. 

Sinto que a idade não pesa tanto, mas às vezes cobra com uma dor de cabeça infernal após uma noite de bebedeira, sexo e torturas quando encontro algum desavisado, lembro que farei 38 anos, meu aniversário chegando na próxima semana.

Saindo de Moscou , segui direto para o aeroporto e cá estou, descendo no aeroporto internacional de Fortaleza.No Brasil, um país perfeito para fraudes, lavagem de dinheiro, drogas e claro contrabandear armas. Prefiro fazer rotas diferentes das esperadas pelos idiotas que costumam achar que se não foi encontrado uma vez, nunca irá ser pego. 

Um erro de principiante que não cometo.

Me viro sentindo o calor e o vento quente no meu rosto colocando os óculos de sol, verifico o local que desembarcamos e vejo um dos soldados acertando o pagamento com nossos contatos de segurança. 

–Kyro, veja se o prefeito já liberou a agenda para me receber, aproveite e fale com o Hugo, quero fechar as encomendas de Zapov até o anoitecer, aquele homem me irrita a cada vez que respira. – O vejo revirar os olhos e colocar os óculos. – Algum problema para atender minhas ordens?

–Jamais ousaria  desobedecer uma ordem do meu Parkhan, Roman. Apenas não confio em Zapov, aquele tem o rabo preso e ainda descobrirei em que. - Ele tinha seus instintos e eu respeitava aquilo, afinal, o mantém longe da morte. 

–Contanto que nesse período ele continue me dando lucros, caso não mantenha, terei prazer em dar-lhe sua cabeça de presente. – abri um meio sorriso pensando em como torturar o tal.

–Tão generoso Roman, chego a me emocionar. – Kyro não tinha medo da morte, o idiota é bom no que faz, pior de tudo  o considero um bom amigo. 

Ninguém esperava nada de um soldado, um simples vory, e ali ele estava ao meu lado, levando tiros por mim, mesmo que tivesse subido de cargo, continuava me respondendo como fazia quando pedia para acompanhar minha raposa ao shopping.

Kyro esteve ao meu lado enquanto perdia a cabeça, investigou a morte de Eva e foi o único que teve coragem de me enfrentar para que recuperasse a cabeça . 

No carro com o ar condicionado no máximo, ainda suava tanto que me sentia no próprio inferno, porra de clima tropical que me fodia, estava tão irritado com o calor que pensava em descarregar stela em algum idiota.

–Não pense em sair atirando em alguém por aí Roman, temos uma facilidade para fazer negócios aqui, vamos manter assim anh?

–Você é uma Bruxa Kyro. – Solto as palavras encarando enquanto volta sua atenção às ruas, e eu aumentei o som. –Precisamos chegar logo ao hotel, antes que esse calor faça com que perca a cabeça de vez.

–O Prefeito já está lhe esperando para fechar negócios, parece que quer um investimento para construir novos postos de saúde – Kyro soltou uma risada falsa e continuou – Aposto que por saúde quer dizer um novo implante capilar.

Ri daquilo, afinal o prefeito era um gordinho,careca e ganancioso, nem ele aguentava o clima da própria cidade, afinal suava como um porco indo ao abate naquelas roupas sociais, sempre buscando manter uma elegância forçada enquanto rouba dinheiro dos eleitores desviando verba para seus interesses pessoais.

– Sabe, aquela médica é brasileira. 

Parei de olhar as mensagens da secretária responsável em cuidar de algumas coisas na empresa informando dos negócios legais, remarcando algumas reuniões.

Virei-me para ele tão impassível como sempre.

–Que médica? – Me fiz desentender.

–Aquela que você ouviu te chamando de volta, ela tinha tratado alguns dos nossos homens umas semanas antes do atentado. 

Refleti sobre isso, e mantive minha cara de pôquer.

–Pensei que ninguém soubesse quem era pelo que me disse.Pelo visto você e meus homens andam mentindo pra mim.

Solto de maneira ácida, engolindo a fúria pela omissão. Ainda sou atormentado pela voz de sereia que percorre vários dos meus pensamentos nos momentos mais sombrios quando deixo o diabo à solta para brincar.

–Todos estavam felizes que você estava vivo Roman, quando você falou sobre ela, não encontramos nada.Ontem ao conversar com Zippo, descobri que ele e mais alguns foram atendidos por ela, mas que não sabiam que era dela que você falava.

Escutei e resolvi ficar calado,  afinal ele não deve ter terminado já que ainda não escutei o que mais desejo saber.Detesto falhas, perguntei sobre essa mulher há quatro anos quando ela falou comigo em um russo tão fluente,jamais imaginei que fosse brasileira. 

Os médicos que estavam no hospital garantiram que apenas  devido a inteligência dela e sua insistência em achar uma hemorragia que sofria com o impacto da bomba, ela foi capaz de me salvar da morte, mesmo sem saber ela trouxe o demônio de volta para a vida e nem mesmo queria ser salvo.

O Tiro que levei, tirou muito sangue, mas o arremesso a longos metros devido a explosão, arrebentou com uma ligação que se não fosse pela tal médica, poderia sobreviver  tetraplégico, pelo que entendi ela estava cursando algum tipo de especialização e todos ali disseram em unanimidade que a garota é brilhante manuseando os equipamentos médicos, uma aluna que supera o professor salvando um paciente que nenhum deles tinha coragem sem tocar.

Além de me salvar da morte, a mulher de voz sedosa me salvou da invalidez.

Vendo que não diria nada, Kyro olhou-me ao parar o carro em um sinal e continuou.

–Zippo realmente é um dos melhores hackers que temos. –Voltou o olhar  para a rua, passando a marcha no carro  – Hackeou os dados do hospital e da faculdade que ela estava estudando. 

Ele me olhou de novo no sinal vermelho examinando minhas expressões, algo que está começando a me irritar pois  o vadio é um manipulador, senti vontade de rir, o pupilo supera o mestre. 

–Se começou continue Kyro,

O idiota riu, ninguém entendia, nem  mesmo podia acreditar, mas a voz e a lembrança da voz daquela mulher me faziam perder a cabeça, para o bem, para o mal e para o desespero do meu pau que ficou duro instantaneamente, caralho, ontem fodi com algumas putas e já fico assim apenas ao pensar na mulher.

Rio do pensamento e minha ereção se acalma, o que aconteceria se aquela mulher fosse casada? 

Uma idosa com rugas? 

Pior,feia. 

Não, ela não poderia minar com todos os meus sonhos eróticos assim, se ela fosse brasileira a encontraria e lhe convenceria a fuder comigo até o final da minha estadia no país, acabaria com esse fetiche e voltaria à Rússia.

Chegamos ao Hotel enquanto os pensamentos sujos permaneciam em minha mente  e Kyro continuava com um risinho debochado que me irritava. Do saguão enorme com enormes paredes de vidro sem sermos interrompidos por ninguém indo direto à suíte presidencial reservada, a enorme varanda com vista para o mar e alguns prédios ao redor da orla, tirei o paletó cinza ligando o ar condicionado e sentei na poltrona marfim disposta na sala.

–Vamos Kyro, termine antes que o Prefeito suba. Você não quer me ver de mau humor – Arqueei uma sobrancelha, ele acenou positivo se servindo de um copo de uísque no bar,tinha conseguido o que queria .

–Ela é daqui, mais especificamente, tinha ido a Alemanha fazer uma especialização, esticou o intercâmbio até a Rússia a convite de um professor, foi cursar a parte prática no Burkan Medikal onde te atendeu.

–Ouvi a parte sobre ela ser brasileira, não tenho nenhum problema de audição.- Falei ríspido. 

Afinal, ela poderia ser de qualquer local do Brasil. 

–Você não me entendeu, Roman.- o riso debochado já estava me tirando do sério.

Ele se sentou na banqueta do bar e o cretino levou a bebida aos lábios demorando cada vez mais para responder às minhas perguntas. –Ela é daqui, Fortaleza. Voltou de viagem e fez concurso em um hospital público. Aproveite a visita do prefeito e agende uma visita de investimentos aos hospitais.

O cretino já tinha armado um plano e me fez cair na sua lábia , ele sabia o quanto fiquei obcecado pela voz da mulher e mais ainda em descobrir todos os seus segredos, querendo sentir o gosto do seu desespero ao estar amarrada na minha cama e implorando para gozar.

–Assim, você finalmente mata esse seu fetiche, que inferno Roman, as putas ficam com medo de ter que ir te atender.

Ele passava a mão no cabelo exasperado, bufando, não é como se ele nunca tivesse feito algo parecido. 

–Diga o nome do hospital e vamos logo, agora tenho um ótimo incentivo para essa reunião. - Ri comigo mesmo, pensando em como acharia aquela gatinha com o charme do cheshire, ora ela me deixou enfeitiçado até agora.

Julie LIon

Olá meus amores , espero que gostem desse livro não deixe de comentar e acompanhar!

| 16
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Comments (1)
goodnovel comment avatar
Giovana Gaspar
Uhuuuuuu adorei esperando novos capítulos ...
VIEW ALL COMMENTS

Latest chapter

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    Bonus

    a única coisa da qual desejo no momento é rebolar, descendo e subindo ao redor desse mastro de pole dance. Os homens babam ao redor enquanto a minha atenção é totalmente dele elevando o copo de whiskey até os lábios sem olhar para nenhuma outra mulher, por um lado me sinto terrível por duvidar da sua lealdade pelo outro lado como Luna falou é completamente poderoso o gostinho da vingança. Por isso salto prendendo as coxas no pole fazendo um movimento em s dos seios até os quadris fazendo o meu clitoris roçar no metal arrancando um gemido baixo que atrai toda a atenção de todos os homens enquanto termino de descer. Vejo um dos outros homens que está na mesa chamando a atenção dele pra mim, passo a língua por sobre os lábios pintados de vermelho ficando de costas para o pole erguendo os braços e rebolando os quadris fazendo a saia colegial subir um pouco chamando toda a atenção para as meias grossas e a minuscula calcinha. Jogo a cabeça para trás seguindo o som da música ignorando compl

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    Um ano depois

    Um casal com tantas peculiaridades que até mesmo Deus e o diabo ainda se questionam como o destino conseguiu unir essas duas almas. Ali um pouco distante da cidade, Roman comprou há muito tempo, praticamente uma das poucas fazendas que ainda existem ao redor da Russia apesar de precisar realizar algumas construções no centro já tem o principal. Na época imaginava apenas ter um lugar para poder usar com a Bratva, não imaginava que se tornaria um lugar tão cheio de vida. A casa é rodeada de varanda com detalhes coloridos de pintura clara, em meio ao vasto verde que deseja ver coberto pela neve durante o inverno. Uma visão estonteante do horizonte como se o sol estivesse se pondo ao lado deles. A única coisa que ainda o mantém irritado foi a divida que fez com alguém que jamais imaginou cobrar algo tão caro, entretanto, se não fosse por Iago sua garota poderia não estar ali.Por mais estranho que seja esse casal, eles amam se odiar e a discussão apenas aflora os seus sentimentos um pelo

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    Nova casa

    LunaSe coloca sobre os joelhos deixando o corpo enorme à mostra, olho para baixo encontrando o pau duro exposto com as veias pulsando e a cabeça tão vermelha, passo a língua nos lábios secos. Sua mão sobe e desce masturbando-se para mim, tão depravado e tão quente, meu coração vibra com o desejo levo as mãos aos seios apertando os mamilos, uma competição silenciosa repleta de luxuria. O rosto dele se retorcendo enquanto olha cheio de desejo para os meus seios e a sua mão desce mais rapido sobe apertando com mais força, o movimento me fazendo lembrar a última vez em que o tive dentro de mim. Invadindo com força, bruto e feroz querendo marcar cada pedaço da minha pele, a sujeira em estar tão expostos em meio a uma festa, reviro os olhos com a vibração no baixo ventre querendo ter tudo e muito mais. Abro os olhos encontrando o sorriso sacana de quem sabe no que estava pensando, o gemido rouco escapando dos seus lábios mesmo cerrando o maxilar e a porra jorrando para fora caindo em cim

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    As mesmas pessoas

    LunaEstou quase rouca de tanto discutir com ele a forma como trocamos o juízo por algo tão simples quando passamos por tanto, nem ao menos percebo quando o carro para, direciono o olhar para frente e vejo o pequeno ser dormindo de maneira tranquila provavelmente feliz pelo aquecedor. Uma coisinha que só quer amor,comida e carinho, suspiro perdendo um pouco da raiva olhando pro meu cachorro. Volto a olhar para o cachorro mais velho, Roman suspira e atrai a minha atenção dando um beijo na ponta do meu nariz usando os dedos para traçar a minha bochecha. — Chegamos. — A voz rouca desperta todos os meus sentidos.Diz o óbvio e contenho a risada, ainda não esqueci que ele não queria trazer o doguinho. Viro o rosto para o lado de fora da janela encontrando uma visão encantadora. A luz da Lua imensa iluminando cada pedacinho da enorme propriedade com casas sofisticadas e ao mesmo tempo simples formando um círculo em volta de uma casa central de um único pavimento rodeada por uma varanda en

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    E vinho

    LunaMas não é como se isso estivesse em jogo, enquanto a maioria das pessoas se defaz de pobres criaturas iguais a esse bebezinho por acreditarem uma supremacia denominada pedigree,só que amor não se escolhe e nem se vende. Se fosse assim, venderia esse sentimento que tenho por esse brutamontes sem pensar.— Eu vou levar esse cachorro. —Luna.. — Pega logo o cachorro Andrei. — Digo apontando para o animal— Não pega não. — Roman bufa com raiva passando a mão no cabelo nervoso. — Nós nem sabemos de onde esse vira-lata veio, podemos ir no petshop quando amanhecer e comprar um com pedigree.Olho para ele enfurecida, enquanto a fofura peluda fica acuada com a discussão acalorada. — Até onde eu sei Bratva não é pedigree e mesmo assim aceitei ficar com um vira-lata como você. — RespondoEle arregala os olhos possesso com o significado das palavras enquanto Andrei tosse como um tuberculoso tentando segurar o riso. — Você me chamou de cachorro? —Não, chamei de cavalo. — Rebato irônica.—

  • Ensinando a morte como amar : Russia em chamas I    Agua

    LunaDizem por aí que as pessoas são capazes de mudar da água para o vinho, uma comparação com o feito de Jesus descrito na bíblia, durante muito tempo acreditei que as mudanças ocorrem de uma forma gradual, conforme o indivíduo deseja. Até hoje, até o momento em que Roman ofereceu uma oportunidade sussurrando em meu ouvido como o próprio diabinho incitando a maldade. O desejo desenfreado e a corrupção maldosa corroendo meu coração, transformando as minhas convicções, admito, foi necessário vários acontecimentos mas ninguém sequer questiona o fato de as uvas só terem amadurecido para colheita mediante a água. Para qualquer coisa existente na terra, é necessário que a água estivesse ali primeiro e é isso o que possibilita a transformação para o vinho, a maldade já existia, os desejos sombrios que levei tantos anos para controlar na terapia, os pensamentos alucinantes dos quais precisei tomar medicação. Tudo já estava ali, escondido mediante a face moralista de alguém que acreditava c

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status