LOGINTodos que contaram a novidade, comemoraram e felicitaram o casal. Os pais dos dois, aconselharam que o casamento acontecesse antes que a barriga aparecesse. E depois de um mês, casou com Thomas no cartório, agora ela faria a sua família ao lado do homem da sua vida. Seria como nos livros agora, o fim do capítulo final, onde o casal vive feliz para sempre, mas o para sempre estava mais para o início de um epílogo de: A ruína de um feliz que devia ser para sempre na vida de Cristina mas não foi.
Parecia que depois que casaram, seu agora marido Thomas, chegava tarde todas as noites. Evitava conversar com ela, e com a barriga surgindo, evitava ser visto ao seu lado. Ela, pela fragilidade do momento, ainda tentava entender as mudanças do comportamento do seu marido. Com tudo, nada poderia ser mais cruel com uma alma amorosa, o que vinha a seguir.
Quando chegou com oito meses de gestação dos seus gêmeos, era um casal por sinal, os dois viviam brigando. Com direito a xingamentos, Cristina estava cansada de não se sentir acolhida por quem devia estar ao seu lado.
— Você não me acompanha em nada nas consultas dos nossos filhos.
— Eu não pedi para ser pai! — Thomas jogou um vaso no chão.
— Você fala como se eu o tivesse obrigado a me engravidar. — Cristina não podia acreditar que ele falou algo assim, mas nada, absolutamente nada, a preparou para o que ela falaria.
— Engraçado, tudo né? Alguns meses atrás, nós nem falamos em filhos. Agora, parece que tudo se encaixou perfeitamente nos planos de alguém que quer dar um famoso golpe da barriga....
Cristina, nunca foi de violência, era pacifista mas nessa hora seu sangue ferveu. E deu um estalado tapa no rosto de Thomas, como ele poderia falar algo assim para ela? Golpe? Só porque a família dele tinha dinheiro?
— Nunca mais ouse me dizer que usei os meus filhos para ter o seu dinheiro. O que aconteceu com você para me confundir com uma qualquer? Está ficando maluco Thomas?
Cristina nunca viu esse olhar no rosto dele, que colocava a mão em seu rosto com ódio a encarando. E para seu susto, com um passo largo, chegou próximo ao seu rosto.
— Você nunca mais me bata! Nem os meus pais fizeram isso, não use sua gravidez para tomar essa liberdade que nunca te dei. Acha que eu não.... — Antes mesmo que ele concluisse sua frase, Cristina que era pacifica mas não idiota, colocou suas mãos na cintura e perguntou:
— Me bater Thomas? Fale!
— Não coloque palavras em minha boca. — Apontou o dedo na cara dela, em uma frustrada tentativa de intimidá-la.
— Tente Thomas, sou mulher, sei que não tenho a força que você tem, mas juro pelos meus dois filhos que carrego, que lhe furo. — E pegou do chão um pedaço de um caco do vaso que ele mesmo havia quebrado. Ele ao ver ela apontando o que usaria para atingi-lo, deu um passo para trás, nunca pensou que Cristina, a doce , amorosa fosse capaz de tal ato.
— Fique calma querida, jogue isso fora. — Caminhou até ela, e quis abraçá-la, que deu um passo para trás, assustada. — Não precisa ter medo de mim, eu peço perdão para você meu amor. Deve ser o trabalho que está me fazendo perder a cabeça!
E mais uma vez ela o perdoou, Cristina lembrava disso e seu ódio por si mesma aumentava, os sinais estavam lá somente seu amor a cegava, a fazia ficar presa ao lado do pai dos seus filhos. Mas essa história estava longe do fim, sairia de um romance para uma tragédia grega.
Uma semana antes de seus filhos nascerem, tudo parecia que havia voltado ao normal em sua vida ao lado de Thomas, nesse dia específico, era vivido em sua memória a data: 01/08/2013 seu coração estava agoniado, parecia que a alertava que algo estava prestes a acontecer. Tudo até as 18:00 da tarde correu bem, com tudo às 19:00 da noite, aquela maldita ligação aconteceu.
Era um policial que buscava por ela, tinha acontecido algo com o seu marido na rodovia Anchieta. Pelo pouco que ainda conseguia escutar, havia se envolvido em um acidente, e ela precisava que fosse ao hospital Anchieta em São Bernardo do Campo. Ao desligar ligou para sua mãe desesperada, ela se ofereceu para acompanhá-la, pois no avançando estado da sua gestação, poderia acontecer algo com ela e os bebês pelo nervoso.
— Mamãe, será que algo aconteceu com ele?
— Nada deve ter acontecido minha filha, acalme-se está bem! Estou junto com você sempre, se acalme e pense nos seus filhos.
Mesmo dirigindo, Cristina alisou sua barriga, não sabia que seria possível existir um amor tão grande quanto sentia por seus filhos, e mesmo com as palavras de conforto da sua mãe, algo dentro dela falava que tinha algo a mais.
Chegando ao hospital, correu até a recepção, ao informar que procurava por Thomas, pediram que esperasse um pouco pois iria chamar o médico. Cristina tinha que ficar calma, mas não conseguia, ficava andando de um lado para o outro, sua mãe tentava controlá-la, porém era impossível.
— Senhora Cristina Mendes?
— Sim, sou eu. — Ela olhou no crachá do médico, seu nome era Marcos. — Doutor Marcos, algo aconteceu com o meu marido?
O médico a encarava, parecia que analisava como lhe contar, mas devia seguir o protocolo de alertar tudo para a família do estado do paciente.— Vamos até o meu consultório, por favor, falaremos sobre o seu esposo.
A cada passo que Cristina dava, parecia caminhar dentro de um filme de terror, onde nada do que ela tentasse fazer para escapar, daria resultado contrário do que estava por vir. O seu mundo de fantasia estava ruindo, ou melhor dizendo, agora aconteceria a destruição total o que ela era, levando-a a se tornar o que hoje Cristina se tornou, fria e amargurada para o amor.
A brisa do litoral norte trazia consigo o cheiro de sal e a promessa de eternidade. Naquela noite, à véspera do grande dia, o céu sobre a praia estava salpicado de estrelas, como se o próprio universo tivesse decidido acender todas as suas luzes para testemunhar a paz que finalmente se instalou na vida de Cristina e Fernando. Eles caminhavam descalços pela areia úmida, onde a espuma das ondas morria suavemente aos seus pés.— Você lembra da primeira vez que viemos aqui? — Fernando perguntou, segurando a mão de Cristina com uma firmeza que dizia "eu nunca vou te soltar".Cristina sorriu, os cabelos esvoaçando ao vento. — Lembro. Eu estava tão sobrecarregada pelas dores que carregava, o coração ferido por tudo que vivi... Eu olhava para esse mar e sentia que ele ia me engolir. E você, com esse seu jeito, me fez me apaixonar por você. Você me fez rir quando eu só queria me fechar no meu casulo e cuidar dos meus filhos.Fernando parou e a puxou para perto, seus olhos fixos nos dela. — M
O sol daquela tarde de terça-feira entrava suave pelas janelas de uma confeitaria reservada, um refúgio de tons pastéis e aroma de baunilha no coração de um bairro tranquilo. Cristina chegou primeiro. Ela vestia um conjunto de linho claro, a imagem da serenidade que tanto batalhou para conquistar. Enquanto esperava, olhava para a aliança em seu dedo, o diamante de um rosa-claro capturava a luz e refletia pequenos arco-íris nas paredes. O perdão era um jardim que precisava de manutenção constante, e hoje ela plantaria a semente mais difícil de todas.Quando o sino da porta tocou, Gabriela entrou. Ela parecia pequena, quase frágil, sem as armaduras de luxo que costumava ostentar. Ao ver Cristina, parou por um segundo, o fôlego curto enquanto apertava a alça da bolsa que carregava. Caminhou até a mesa com passos incertos e sentou-se à frente da mulher que tanto tentara destruir.— Obrigada por vir, Cristina. — Gabriela começou, a voz trêmula, os olhos já marejados. — Eu não sei se eu ter
A noite em São Paulo parecia ter finalmente decidido descansar, trocando o rugido incessante do trânsito por um murmúrio suave de brisa entre as árvores da rua arborizada onde Fernando morava. Em sua sala, a luz era quente, vinda apenas de alguns abajures estrategicamente posicionados e das chamas tímidas que dançavam na lareira. O aroma de um vinho tinto encorpado e de sândalo preenchia o ar, criando uma redoma de paz que Cristina, por muitos anos, acreditou ser um luxo proibido para alguém como ela. Uma música suave e baixa, embalava o casal enamorado.Cristina estava aninhada nos braços de Fernando no grande sofá. Sua cabeça repousava no peito dele, e o som rítmico do coração de Fernando era a música mais doce que ela já ouvira. Ele passava os dedos preguiçosamente pelos cabelos dela, um carinho que desatava os últimos nós de tensão que ainda persistiam em seus ombros.— Sabe o que eu estava pensando? — Ela começou, a voz suave, quase um sussurro. — No silêncio desta casa. É um sil
O tempo, esse escultor silencioso, havia trabalhado com rapidez nas semanas que se seguiram à audiência. Na empresa de Cristina, o ar de desconfiança foi substituído por um respeito renovado. Onde antes havia cochichos venenosos, agora ouvia-se o som de teclados e conversas produtivas. Cristina retoma sua cadeira na presidência, mas não era a mesma mulher de antes; havia uma fortaleza de aço em seu olhar, forjada no fogo da injustiça que sofreu. Fernando, como sempre, era seu pilar, ajudando na reestruturação financeira enquanto o processo contra Ricardo Mendes e os Bragança corria em segredo de justiça.No entanto, a vitória de Cristina tinha um gosto agridoce. A cada notícia que chegava sobre o avanço agressivo da doença de Teodoro, uma parte de seu coração, que ainda guardava as memórias do sogro que ele um dia fingiu ser, sentia um aperto incômodo.A batida na porta de seu escritório naquela tarde foi hesitante. Quando a porta se abriu, não era um funcionário com relatórios, mas u
A manhã da audiência de custódia nasceu sob um céu de chumbo, como se a própria natureza conspirasse com o peso que esmagava o peito de Cristina. Ela mal conseguia pregar os olhos na noite anterior. Cada vez que os fechava, via o rosto de Angelo e Sofia, as gargalhadas dos dois ecoando em sua mente como um eco de um mundo que ela temia estar prestes a perder para sempre. Naquela manhã, o café na casa de Omar e Maria foi silencioso. Não havia palavras que pudessem aliviar a imagem do oficial de justiça e as palavras cortantes que ainda ecoavam na mente de todos: incapacidade civil.Fernando não saiu do lado dela. Sua presença era como um porto seguro no meio de um maremoto. Ele ajudou a vestir as crianças, tentando manter a rotina o mais normal possível, embora seus próprios dedos tremessem de indignação:— Vai dar tudo certo, Cris. — Ele sussurrou no corredor, enquanto ela terminava de prender o cabelo, os olhos vermelhos denunciando a noite em claro. — O Barros está trabalhando. Ele
O escritório do Dr. Barros era pequeno, escondido em uma galeria discreta, longe dos arranha-céus onde Teodoro exercia seu poder. O investigador, um homem de poucas palavras e olhar astuto, espalhou várias capturas de tela e relatórios sobre a mesa. Ele tinha por volta de 1,78 e possuía uma barba robusta em seu rosto de cor negra, igual aos seus cabelos. Que estavam penteados para trás com uma camada fina de gel de cabelo. Os seus olhos eram de um castanho claro que o fazia parecer que lia tudo ao seu redor, descobrindo segredos escondidos por onde ele passava:— Aqui está o que vocês precisavam. — Disse Barros, apontando para um código de rastreamento. — O ex-funcionário que te denunciou, Cristina, recebeu três depósitos com valores altíssimos em uma conta no exterior. O IP usado para autorizar as transferências não veio da sua empresa, mas de um roteador registrado em uma das propriedades de veraneio de Teodoro.Cristina sentiu um calafrio, como a pessoa é capaz de tudo para consegu







