LOGINFallon Hayes— Dono?Ele cruzou os braços em frente ao corpo, ainda me encarando como se esperasse por desculpas. Algo que eu não sabia se estava disposta a pedir, considerando que foi ele quem começou primeiro.— E agora, onde está a sua coragem, mocinha?Dr. Haven me puxou para trás dela. Foi a postura defensiva que tomou, o que me deixou apreensiva. Eu jamais deixaria que mais alguém se machucasse por minha causa. — Senhor, ela não tem culpa. Na verdade, ela é a mais inocente na história e me ajudou a fugir quando eu precisei.Os olhos dele não saíam de mim, deixando o meu coração cada vez mais acelerado. Não que fosse maldade o que estava vendo. Na realidade, ele parecia procurar mais respostas, não assédio. Ainda assim, tive medo.Depois de ser tão machucada, era normal sentir medo, não era?Então ele acenou, como se confirmasse algo que estava implícito. Não que a Dr. Haven tivesse notado, já que encarava o pé do homem. Todos encaravam, exceto eu. Porque ninguém olhava no rosto
Fallon Hayes— Eu... eu deveria saber?Um sorriso estranho cruzou o rosto dele, esticando a cicatriz na bochecha. Insegura sobre para onde olhar, eu continuei encarando tudo, sem me atentar a uma coisa em específica.— Depende.— Do quê? — Questionei, insegura se deveria ou não perguntar.Talvez ele fosse um daqueles homens malucos que existiam em uma comunidade ou outra. Talvez fosse o diabo que rondava o Éden. Mas ele era velho, e eu sabia que conseguia correr mais do que ele. Então não, eu não estava apavorada, embora estivesse com medo.Dessa vez ele mostrou os dentes. Algo que não parecia pertencer a ele. — Você é uma jovenzinha muito corajosa. Comecei a rir, e ele não conseguia entender a razão. — O que eu falei de tão engraçado?— É a primeira vez que alguém fala isso para mim. Eu já fui chamada de traidora, covarde, inútil, lixo e...Só percebi que havia cometido um erro quando o estranho inclinou a cabeça para o lado. — Traidora? Interessante. — Ele deu alguns passos na minha
Fallow Hayes Fiquei internada por mais dois dias com medo de acabar sendo comida viva, mas nada aconteceu. Ainda assim era estranho; os bebês não se mexiam nessa fase, e eu não entendia como não podia sentir. Estavam tão grandes.Cinco meses, indo para seis.O que também queria dizer é que puderam sentir cada sofrimento que passei enquanto estava na fortaleza Vesper. Será que eles podiam ver através dos meus olhos? Esperava que não, porque, se esse fosse o caso, então eu teria um bebê com ódio do pai sem nem ao menos o conhecer, e o outro que morreu antes de saber que, mesmo com tudo, ao menos houve uma época em que eu fui amada.Teríamos sido amados se não fossem as armações de Isadora.E, com a certeza de que jamais voltaria a ver qualquer um dos dois outra vez, deixei o hospital levando nada mais que uma bolsa de maternidade, algo que ganhei no hospital de uma mulher que havia perdido o filho.Ainda com lágrimas nos olhos e completamente sozinha, esperei no banco de uma praça, sem
Killian VossFazia exatamente dois dias desde a morte de Fallon e eu havia me esquecido de que ainda conseguia viver sem ela. A verdade era que a ruivinha enfezada havia me viciado na sua presença, o cheiro, a forma como costumava dormir de boca aberta e babar meu peito.Eu daria tudo para sentir até mesmo isso agora. Não para estar na frente de um caixão sendo abaixado dentro da propriedade, em um pequeno local destinado apenas para enterrar nossos mortos que não voltariam mais. E, enquanto eu via o objeto branco descer, me perguntava se qualquer coisa que eu tivesse feito ou dito teria feito com que ela me obedecesse. Talvez ela ainda estivesse viva, e talvez eu não sentisse esse nó impossível de engolir me sufocando lentamente.Quem sabe, mesmo com ódio, eu ainda pudesse entrar na cela dela durante a noite, quando ainda estava dormindo, e tocar sua pele macia, sôfrega. Só para no dia seguinte desaparecer, fingir que não me importava, como havia feito por todo o tempo em que ela fi
Killian VossNão esperei que Isadora continuasse a falar para perder o maldito controle.— Cale a sua boca, maldita!— Killian, não é culpa minha. Eu não matei ninguém...— Você me manipulou. Se não tivesse me pedido ajuda, eu teria deixado Fallow em segurança antes de correr até você. Então não venha me dizer que não sabia o que estava fazendo, Isadora!Arrastei a mão do rosto até o cabelo, desejando arrancar cada mecha como se fosse ele o culpado. E, andando de um lado para o outro, mal consegui prestar atenção no momento em que ela, minha esposa, se levantou do sofá, deixando o roupão branco que usava cair a seus pés.A ação me deixou paralisado, absorto naquele choque inicial.Ela ainda usava calcinha e sutiã. Não os dela, mas o da mulher que havia sido minha por três anos. E talvez achasse que aquilo deveria funcionar, mas, porra, a minha vontade era de rasgar cada maldita peça, arrancar dela à força. E foi o que fiz.Me aproximei, vendo a maneira como ela abriu um sorriso lind
Fallon HayesTentei puxar as mãos de volta, em desespero. Queria tocar na barriga, escapar daquele lugar e fingir que nada disso estava acontecendo, e que meu desespero era só um daqueles pesadelos onde você não consegue mais acordar.— Diz que é mentira, por favor... — implorei, tentando me erguer da cama.Eu odiava a maneira como ela parecia ter pena de mim. Não queria compaixão, queria meus filhos de volta.Porque, ainda que não tenha chegado a conhecê-los, a ideia de que tivessem sido arrancados de dentro de mim pelo próprio pai, o homem que deveria ter sido o porto seguro, a pessoa a protegê-los acima de tudo, era o que me devastava. Aos prantos, não consegui me acalmar; também não havia uma respiração regular chegando aos pulmões, o que tornava puxar o ar mais rápido ainda mais ineficaz.— Por favor, senhora Hayes, preciso que se acalme. Não podemos te dar um sedativo aqui.— Eu não quero sedativo!— Você não perdeu os dois. Não perdeu! Eu ia chegar nessa parte, mas você ficou tã







