로그인Quando chegaram ao hospital, Virgínia quis acompanhar Nina para dentro.Nina ergueu os olhos:— Não precisa. Você só avisa o Gustavo.Ela tinha certeza de que Cláudia não ousaria ir tão longe.Na situação em que elas estavam, se a Cláudia gastasse agora aquela carta na manga, seria o mesmo que assinar a própria sentença de morte.Mas, quando o assunto envolvia Luiza, mesmo que a chance fosse de uma em dez mil, Nina não se permitia arriscar. Avisar Gustavo era, no mínimo, uma garantia a mais.Virgínia não teve alternativa a não ser concordar.Nina entrou sozinha na ala de internação.— Você veio mesmo. — Cláudia estava deitada na cama, e, à primeira vista, ela realmente parecia fraca. — Eu achei que uma pessoa como você não teria ponto fraco nenhum.— Ela é a minha irmã, não é o meu ponto fraco.Família, para Nina, era mais como uma armadura: algo que fazia com que ela ficasse mais lúcida, mais cautelosa, menos propensa a dar um passo em falso.Nina arrastou uma cadeira e se sentou, cru
Nina fez um aceno de cabeça para os organizadores e saiu para atender do lado de fora. A voz dela saiu límpida, fria:— O seu objetivo já não foi alcançado?Cláudia tinha ido se ajoelhar na porta da casa da família Frota só para encenar um drama de sacrifício para Soren.E Soren, como ela queria, tinha acreditado em tudo.— Nina... — Cláudia falou com uma cautela quase exagerada. — Eu não tenho objetivo nenhum. Eu só não posso sair do Grupo Williams, eu não posso perder esse emprego. Eu sei que você não é uma pessoa mesquinha. Se você falar alguma coisa com o avô do Soren, eu com certeza vou poder ficar...O tom de voz de Cláudia soava tão humilde, tão cheio de resignação, que quase fazia alguém esquecer o quão absurdo era o pedido que ela fazia.Mas aquele sempre tinha sido o estilo dela. E Soren, justamente, caía facilmente nesse tipo de postura.Nina, porém, não era Soren. Ela foi direta, sem rodeios:— Você não pode sair do Grupo Williams, ou você é que não quer se afastar do Soren
Ele tinha certeza de que a consciência estava tranquila, mas, por algum motivo, antes mesmo de terminar a frase, já começou a se arrepender.Ainda assim, também sabia que Nina não chegaria a pedir o divórcio de fato.Fora ele, ela não encontraria um parceiro de casamento mais adequado.Em toda Cidade B, apenas a família Williams podia ser considerada um par à altura da família Frota. Nina não tinha como escolher alguém abaixo desse nível.Quem diria que, quando Nina ouviu aquilo, em vez de hesitar, respondeu com um alívio quase imediato, como se um peso enorme tivesse sido retirado de seus ombros:— Ótimo que você aceite agora. Eu vou conseguir uns dias e volto para Cidade B ainda esta semana.Nina respondeu de forma direta e cortante, como se temesse que, se demorasse um segundo a mais, ele pudesse voltar atrás.Soren franziu a testa e já ia abrir a boca quando o assistente se aproximou com respeito:— Sr. Soren, é a Cláudia no telefone.Cláudia estava no hospital. Soren, receoso de q
Nina ficou um instante sem reação.Ao longo daqueles anos, ela sabia que, pelas costas, muitas pessoas diziam que era fria, distante e difícil de se aproximar.Na posição em que ocupava, se começasse a agir “pelo sentimento”, estaria traindo o próprio peso do cargo e a autoridade que ele lhe conferia. Por isso, a consciência de Nina permanecia tranquila. Sempre que aqueles comentários chegavam aos seus ouvidos, ela simplesmente os ignorava.Mas, ao ouvir aquilo saindo da boca de Soren, ainda assim franziu a testa.Ela e Soren já haviam vivido uma fase boa. No início do casamento, inclusive, tiveram momentos de verdadeira ternura.Naquela época, quando algumas pessoas apareciam de surpresa e Nina as barrava à porta, Soren sempre ria e dizia que ela era a pessoa mais firme e disciplinada que ele conhecia.Agora, a mulher que Nina barrava na porta era o “tesouro intocável” dele. E, de repente, o discurso mudava: ela deixava de ser uma mulher de princípios e passava a ser “fria”.Nina afas
Cláudia tinha sido levada para o hospital, então Nina já não tinha mais nada com que se preocupar e, raro para ela, acabou dormindo profundamente naquela noite.Ela não imaginava que algum empregado acabaria deixando escapar o ocorrido. A história de que Cláudia tinha permanecido ajoelhada na porta da mansão até desmaiar logo chegou aos ouvidos de Callum.Assim que desceu as escadas, Nina percebeu imediatamente que o clima não estava nada bom.Callum estava sentado à mesa do café da manhã. No instante em que viu Nina aparecer, largou a colher sobre a mesa:— Fiquei sabendo que aquela secretária apareceu aqui ontem à noite. E ainda foi parar no hospital?Nina sentou-se em um dos lugares vazios:— Sim. Ela desmaiou depois de ficar ajoelhada por muito tempo.— Um absurdo! — Callum bateu na mesa com força e começou a disparar, indignado. — Se ela queria se ajoelhar, que fosse na porta da família Williams! Desde quando a nossa família precisa ter medo deles desse jeito?Callum acreditava qu
Nina só então se lembrou de tudo.Naquela época, Douglas tinha começado a confirmar a agenda dela com vários dias de antecedência, insistindo repetidas vezes.O motivo era simples: o restante da família Williams não tinha tempo, e até Soren tinha sido chamado às pressas para uma viagem de negócios em Rivara, supostamente para negociar um projeto importante com a família Duarte.A voz de Douglas ao telefone tinha soado levemente magoada. Por isso, mesmo atolada de compromissos, Nina acabou arrumando um jeito de comparecer à cerimônia de formatura dele.Foi assim que aquela foto tinha sido tirada.Só que, nos últimos dois anos, a carreira de Nina entrou numa fase de ascensão acelerada. À medida que ela subia profissionalmente, os compromissos se multiplicavam, enquanto os problemas familiares surgiam um atrás do outro, drenando toda a energia dela.O fato de Douglas já ter concluído o mestrado dois anos antes simplesmente acabou escapando da memória dela.A sempre impecável Nina soltou u