Mag-log inLilian olhou para ele e não respondeu de imediato.Ela sabia muito bem o que aquelas palavras queriam dizer e sabia também que, com o peso da família Frota, não seria difícil mexer os pauzinhos em Cidade A e resolver aquilo de vez.Difícil era entender por que ele fazia tudo isso.— Cauã. — Ela chamou por ele.— Hm?— Você não era assim antes.Cauã ficou um pouco surpreso com aquela frase.Lilian sustentou o olhar dele, e, quando falou, a voz saiu firme:— O Cauã de antes nunca explicava para ninguém o que tinha feito. E, muito menos, ficava quieto, apagado, resolvendo tudo pelos outros sem falar nada… E ainda se recusava a admitir.Cauã não retrucou logo. Ele apenas ficou em silêncio por alguns segundos.— E eu era como, então?— Antes, você mal podia esperar para o mundo inteiro saber quando você fazia alguma coisa boa. — Lilian não desviou os olhos nem por um segundo. — Se você ajudasse em alguma coisa, você dava um jeito de todo mundo saber que tinha sido você. Parecia até que você
Quando Cauã chegou ao quintal, Lilian já estava agachada no chão, passando a mão no Odin, que estava deitado com a língua para fora.Odin balançava o rabo sem parar e esfregava a cabeça na palma da mão dela.Cauã arqueou levemente a sobrancelha:— Ele é bem apegado a você, hein.Lilian não olhou para trás. Ela continuou fazendo carinho na cabeça de Odin e respondeu, arrastando a voz:— Sim. Ele é bem mais fácil de lidar do que certas pessoas. Pelo menos ele não deixa ninguém sem saber o que ele está pensando.A frase tinha endereço certo, mas Cauã preferiu não responder.Ele se aproximou devagar e parou ao lado dela, com o olhar preso no perfil delicado e marcante de Lilian.De repente, Odin se levantou, deu duas voltas em torno das pernas de Cauã, o rabo batendo na barra da calça dele, como se ele estivesse conferindo o cheiro. Depois, o cachorro voltou a se deitar ao lado de Lilian.Lilian ergueu uma sobrancelha:— Pelo visto, ele também gosta de você.— É claro que gosta. — Cauã bai
Íris viu quando Luiza desceu e acenou para ela:— Luiza, vem aqui ver se você gosta dessa roupinha. Foi o Edson que escolheu pessoalmente para o bebê.Luiza caminhou até lá sorrindo, analisou a peça com atenção e só então assentiu:— Está linda. Eu adorei.— Edson, obrigada. — Ela olhou diretamente para ele ao dizer isso.— Agradecer o quê? Comprar roupa para o bebê não é exatamente obrigação dele? — Íris falou como se fosse óbvio, mas, no meio da frase, pareceu lembrar de alguma coisa e tentou se corrigir. — Quer dizer… No fim das contas, ele sempre tratou você como irmã.Edson soltou um suspiro e olhou para Luiza, rindo de si mesmo:— Minha mãe agora só enxerga você. Eu e o Cauã perdemos totalmente a moral aqui em casa.— Desde quando você teve moral? — Cauã entrou na conversa, arrastando a voz, e pegou o copo de água que estava na bandeja. Ele caminhou até Lilian e estendeu o copo para ela. — Toma, bebe um pouco de água.Lilian olhou para ele e esticou a mão para pegar o copo. As po
Cauã só murmurou um “hum” e não perguntou mais nada.Quando todos entraram na casa, Manuela já tinha mandado os empregados prepararem café e frutas. A sala estava aquecida, aconchegante.Íris e Manuela se sentaram juntas e começaram a conversar sobre o parto de Luiza: falaram de hospital, de enfermeira particular, de quem ia cuidar dela no pós‑parto, de dieta, de repouso — não deixaram escapar nenhum detalhe.Cauã ficou sentado por perto e, de vez em quando, se metia no assunto. Depois de levar duas alfinetadas de Íris: “Você nunca pariu ninguém, o que é que você entende disso?”, ele resolveu ficar quieto.A partir daí, ele realmente sossegou, mas, de vez em quando, ainda deixava o olhar escapar na direção da escada.Luiza percebeu tudo, mas fingiu que não via.Ela levou a xícara de café aos lábios, tomou um gole e comentou com naturalidade:— A Lilian falou que daqui a pouco desce para ver se o berço do bebê está montado direito. Ela presta mais atenção nesses detalhes do que eu.Cauã
No caminho para o aeroporto, Nina leu a mensagem que Douglas tinha mandado e, por um instante, os olhos dela revelaram uma leve surpresa.Virgínia se virou no banco da frente e olhou para ela por cima do ombro:— Dona Nina, é mensagem do Douglas?— É. Ele mandou a secretária embora. — Nina respondeu num tom muito calmo, sem deixar transparecer emoção.Virgínia pesou as palavras antes de falar:— Dona Nina, a senhora não acha que o Douglas obedece demais a senhora?Da saída do Grupo Duarte até ali, não havia se passado nem meia hora. Para quem olhava de fora, a atitude de Douglas parecia frieza e decisão. Mas o que realmente preocupava Virgínia era outra coisa.Nina, no entanto, não parecia dar muita importância:— Ele sempre foi assim.Virgínia realmente se lembrava de como a família Williams vivia com dor de cabeça por causa de Douglas, mas não podia simplesmente recorrer à força para enquadrar o garoto. Acabava sempre pedindo para Nina ajudar a colocar limites.Naquela época, Douglas
Bruna apertou a marmita com tanta força que os nós dos dedos ficaram esbranquiçados.Douglas não olhou mais para ela. Ele pegou imediatamente o ramal do telefone fixo que ficava sobre a mesa e chamou o setor de RH.A voz dele saiu calma, mas com uma firmeza que não deixava espaço para discussão:— Providenciem a demissão da Camila. O quanto antes.Do outro lado da linha houve um instante de silêncio, e então a resposta veio rápida e tensa, concordando.Só então Douglas desligou o telefone. Em seguida, ele voltou a encarar Bruna.Ela estava completamente imóvel, como se tivesse levado um tapa. Ela não tinha esperado que, depois de conversarem um pouco, Douglas fosse simplesmente mandar demitir Camila.— Douglas, você… Você entendeu errado… — Ela se atrapalhou nas palavras. — A sua secretária não tem nada a ver comigo. Eu juro que eu só encontrei a Nina por acaso…Para Douglas, soava como se ele estivesse ouvindo uma história que não dizia respeito a ele.— Se vocês não têm nada a ver um






