MasukA pergunta tinha sido direta, e o ar entre os dois pareceu endurecer de vez.Soren estreitou um pouco os olhos.— Você está desconfiando de mim?— Você pode entender assim. — Douglas esboçou um sorriso gelado e admitiu sem rodeios.— Eu realmente quero mantê-la ao meu lado, mas eu não chego ao ponto de usar uma coisa rasteira dessas. — A voz de Soren carregou um cansaço perfeitamente calculado. — Você está me fazendo parecer muito mais desprezível do que eu sou.— É mesmo? — Douglas avançou meio passo, encarando-o de frente. — Se não foi você, de onde vieram as fotos? Aquelas imagens só poderiam estar nas mãos de quem anda perto o suficiente dela e sabe exatamente a rotina dela. Me diz: tirando você, quem mais poderia ter aquele material?O sorriso no rosto de Soren foi desaparecendo aos poucos. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, como se tivesse sido encurralado e já não fizesse questão de manter a fachada de harmonia. Então ele riu, frio:— Você também não poderia ter? A foto
Douglas baixou os olhos.— Eu entendo.— Pode levantar. — A voz de Magnus saiu neutra.Douglas disfarçou o sarcasmo que ainda brilhava no fundo dos olhos e se levantou.Os joelhos dele estavam dormentes depois de tanto tempo ajoelhado, mas ele não deixou transparecer nada. Ele apenas ficou quieto, de pé ao lado.Magnus, enfim, direcionou o olhar para Soren.— Soren.— Vô.— O que você pretende fazer em relação a isso?Soren apertou de leve os lábios. O tom dele soou manso e respeitoso:— Eu vou divulgar, o quanto antes, uma nota oficial esclarecendo os fatos. Eu não vou deixar que esses boatos prejudiquem a Nina. Quanto ao divórcio... No momento, não é prudente forçar nada.Magnus examinou o neto por um instante, como se avaliasse o quanto daquilo era sinceridade e o quanto era cálculo.Depois de alguns segundos, ele assentiu devagar.— Pelo menos, dessa vez você não foi ingênuo até o fim. — Ele se recostou na poltrona, e o tom ganhou um peso pensativo. — No fim das contas, por mais fe
Luiza ouviu o que ele disse e sentiu a inquietação ir se dissipando aos poucos.Ela virou o rosto, encaixou o queixo no ombro dele e murmurou, com a voz abafada:— Você acha que a Nina, depois disso tudo, vai acabar perdendo de vez a fé em casamento?— Eu acho que não. — Gustavo respondeu na hora.Só que as expectativas de Nina em relação a casamento nunca tinham a ver com aquele ideal perfeito de casal em harmonia absoluta.Luiza ergueu os olhos para ele.— Você fala sério?Gustavo não entrou em detalhes. Ele apenas deu um leve tapa carinhoso na cabeça dela.— Falo. Ela só precisa de um pouco de tempo.Longe da atmosfera acolhedora do Solar do Lago, o clima na mansão da família Williams estava ainda mais pesado do que a chuva de inverno caindo lá fora.Magnus tinha chegado já no fim da tarde.O velho vestia um terno cinza-escuro impecável e se apoiava na mesma bengala de madeira de roseira que usava havia anos. Chegara às pressas, ainda com a roupa amarrotada pela viagem, e nem sequer
Nina continuou recostada no banco de trás e baixou o olhar.— Não tem problema. Daqui a pouco ninguém vai ter mais assunto.A voz dela saiu calma, como se ela apenas constatasse algo que já estivesse decidido.Virgínia se surpreendeu por um instante, mas logo entendeu.Pelo jeito como Callum costumava conduzir as coisas, mesmo que ele tivesse falado com tanta dureza ao telefone, parte daquela reação também tinha a ver com a própria reputação. Mas aquilo também afetava diretamente o futuro da neta preferida.Nina não era só a neta dele. Naquele momento, ela era a melhor aposta da família para preservar o nome dos Frota.Edson e Cauã podiam fazer barulho no mundo dos negócios, mas os dois precisavam da base que Nina garantia. Era o equilíbrio entre os três irmãos que permitia que a família Frota subisse cada vez mais alto.Quando parasse para pensar com frieza, a última pessoa que Callum colocaria na mira seria a própria neta.As pessoas que precisassem ser silenciadas, ele trataria de s
Do outro lado da linha, o silêncio se prolongou por um bom tempo. Callum parecia escolher cada palavra com cuidado, até que, finalmente, falou:— Você vai ter que deixar o divórcio com o Soren em segundo plano por enquanto. Eu não estou dizendo que você não pode se separar. Eu só acho que, justamente agora, você precisa que o Soren coopere para abafar essa situação. Depois que a poeira baixar, vocês veem o que fazem. Isso, em si, não é um problema tão grave, mas, na boca de quem quer usar isso contra você, vira arma. Nina, você sabe que não foi fácil chegar onde você chegou. Você entende o que eu estou querendo dizer.Nina ficou quieta por alguns segundos. Ela não tentou rebater.— Eu entendi, vô.No fim das contas, o que deixava ele inquieto era o medo de que ela perdesse o próprio lugar ou de que o prestígio que ele construíra ao longo de uma vida inteira acabasse manchado por causa dela?Ela não perguntou. Ela também não comentou nada disso em voz alta. Simplesmente encerrou a ligaç
Nina franziu a testa para Virgínia, sem entender:— O que aconteceu?Virgínia entregou o celular para ela. Na tela, uma manchete chamava atenção:“Bastidores da crise no casamento da herdeira da família Frota: Nina e o cunhado Douglas em relação suspeita!”A matéria vinha cheia de detalhes “exclusivos” e ainda trazia algumas fotos.Numa das fotos, apareciam as costas de Nina e Douglas, caminhando lado a lado. O ângulo da imagem fazia os dois parecerem íntimos demais.Outra foto mostrava o momento em que, na sede do Grupo Duarte, Nina quase tinha caído e Douglas a segurou pela cintura.Nina passou os olhos pelas imagens rapidamente. Em segundos, seu olhar havia perdido todo o calor.Ao lado, Soren deixou escapar nos olhos um lampejo de emoção difícil de perceber.Ele franziu o cenho, com a voz misturando indignação e dúvida:— Que fotos são essas? De onde saiu isso?Nina não olhou para ele. Ela apenas virou o rosto para Virgínia:— Isso estourou quando?— Faz mais ou menos uma hora. — V







