MasukRaul pensou com atenção antes de responder:— Eu acho que não chegamos a ficar totalmente sem notícias dele. Pensando bem, houve uma época em que ele ficou doente e passou um ou dois meses sem ligar.— E… Depois desse período, você chegou a notar alguma mudança nele? — Luiza tentou deixar a pergunta soar casual, como se fosse só curiosidade.— Mudança? — Raul pareceu buscar na memória. — Meus pais comentaram alguma coisa, sim. Eles disseram que, depois que ele ficou doente, mudou bastante de comportamento. Antes ele era bem falante, depois começou a falar bem menos. A minha mãe até falou que, talvez, depois de passar por uma doença séria ele tenha revisto algumas coisas na vida.Luiza baixou os cílios, enquanto a tensão dentro dela aumentava.Uma doença grave podia, de fato, mudar o jeito de uma pessoa. Era uma explicação plausível. Mas e se não fosse só isso...— Aliás… — Raul pareceu se lembrar de outra coisa, e o tom dele voltou a ficar leve. — Por que você está perguntando disso de
Gustavo não respondeu de imediato. Ele segurou a mão de Luiza e passou de leve os dedos pelo dorso dela, como se quisesse se certificar de que estava quente. Só então falou, em voz baixa:— Vamos subir. A gente conversa lá em cima.Para Luiza, aquele gesto de cuidado só tornava tudo mais preocupante. Ela conhecia Gustavo demais. Se fosse algo simples, ele não estaria agindo daquele jeito.Ela não insistiu ali mesmo. Apenas o acompanhou até o escritório, no segundo andar.Assim que a porta se fechou, Gustavo puxou Luiza para que ela se sentasse com ele no sofá. Quando os dois já estavam acomodados, ele começou a falar:— O Leonardo trouxe notícias.Luiza sentiu o peito apertar.— Sobre o Osvaldo?— Sim. — Gustavo abriu no celular um arquivo criptografado e colocou a tela diante dela. — O histórico dele no País M realmente parecia impecável. Impecável a ponto de não deixar praticamente nenhuma brecha. Mas o Leonardo desconfiou e decidiu investigar os antigos registros de internação de Os
— Allegra Marques. — Luiza riu de leve. — O Gustavo disse que o que ele quer é que ela passe a vida inteira alegre, e pronto.Nina ficou um instante sem reação e, em seguida, acabou rindo:— Ele é… Bem direto.— Não é? Eu também acho esse nome muito sem graça. — Luiza resmungou de leve. — Eu pensei com todo cuidado, escolhi vários nomes bonitos, e ele não gostou de nenhum.Quando o assunto era batizar a filha, nenhum dos dois aceitava muito bem as escolhas do outro.— E vocês já bateram o martelo ou não? — Nina quis saber, entre divertida e curiosa.— Ainda não. — Luiza suspirou, embora a voz dela não tivesse nem um pouco de pressa. — Dá tempo de decidir depois que ela nascer.As duas continuaram conversando assim, pulando de um assunto para outro.De repente, a conversa tomou outro rumo. Luiza perguntou como estava a recuperação da perna da Íris, quis saber se as viagens de trabalho do Edson tinham corrido bem e ainda perguntou se o Cauã continuava atrás da Lilian.Ficava claro que el
Quando Luiza acordou da soneca depois do almoço, a luz do fim de tarde já estava amarelada pela janela.Ela ainda estava voltando completamente à realidade quando ouviu, lá embaixo, o som de um motor estacionando.Luiza pegou um cardigã de tricô, vestiu por cima do vestido e desceu as escadas. Quando ela chegou ao hall, Nina já tinha entrado. Em uma mão, Nina carregava uma caixa de doces elegante; na outra, uma sacola cheia de frutas.— Oi, Nina! — Luiza foi ao encontro dela, sorrindo de orelha a orelha. O olhar dela foi direto para a caixa. — É cheesecake?O jeito esfomeado dela fez Nina curvar discretamente os lábios, divertida:— É, sim. Mas primeiro você janta. Depois do jantar você ataca o bolo.— Fechado. — Luiza concordou sem pestanejar. Ela pegou a caixa de doces da mão de Nina e entregou para uma funcionária, depois agarrou o braço dela e a puxou em direção à sala de jantar. — Você já comeu?— Eu vim direto da reunião. Ainda não tive tempo para isso.Mal Nina terminou a frase,
Os lábios finos de Soren se comprimiram de leve:— Eu falei com ela.— E o que ela disse? — A expressão de Magnus não mudou.Soren se sentou no sofá em frente, ficou em silêncio por dois segundos e só então respondeu, em voz baixa:— Ela não aceitou ajudar.Magnus ficou olhando para ele por um bom tempo, até soltar uma risada seca.— Ela não quis ajudar, ou foi você que não teve coragem de realmente pedir?Soren ergueu o olhar:— Vovô, eu realmente pedi.— Pediu? — Magnus repetiu a palavra, aprofundando o tom de voz. — E o que você levou quando foi “pedir”? Levaria sinceridade… Ou só esse seu monte de joguinhos e cálculos?Soren não respondeu.— Soren, você acha mesmo que eu não sei o que você andou fazendo por fora? — Magnus deu um tapa forte na mesa. — Você queria que eu acreditasse que você não sabe de onde aquelas fotos surgiram na internet?Os dedos de Soren se enrijeceram, quase imperceptivelmente.— Hoje eu encontrei um velho amigo. O filho dele tem ligação com a família Frota.
Soren ficou sentado na sala de recepção por muito tempo. Tão tempo que deu para Virgínia fechar o notebook, desligar o gravador e ainda ficar encostada na porta, esperando por ele quase cinco minutos.— Sr. Soren, a Dona Nina ainda tem reunião hoje à tarde. — A voz de Virgínia soou educada, mas distante. — O senhor prefere sair sozinho ou prefere que eu peça para alguém acompanhar o senhor até a saída?Só então Soren levantou os olhos. O canto da boca dele se ergueu num sorriso forçado:— Não precisa.Ele se levantou, ajeitou o terno com um gesto automático e, sem acrescentar mais nada, saiu em passos firmes.Quando ele deixou o prédio, Bryan já o esperava ao lado do carro. Assim que o viu, veio depressa em direção a ele:— Senhor, como foi?Soren se inclinou e entrou no banco de trás. Só depois que a porta se fechou ele respondeu, com uma fadiga que ele não fez questão de esconder:— Volta para a empresa.Bryan observou o rosto dele pelo retrovisor e não se atreveu a continuar pergunt







