MasukLuiza ficou sem reação.Vinte anos atrás, Gustavo ainda era só uma criança de dez anos, sem poder, sem influência. Como é que ele podia carregar duas vidas nas costas?— Com certeza tem algum mal-entendido nisso. Naquela época o Gustavo mal tinha passado dos dez anos…— Eu falei em algum momento que tinha sido ele? — Vinicius devolveu a pergunta e, só então, comentou num tom displicente. — Dívida de pai, o filho paga. Onde está o problema?Ao ouvir aquilo, Luiza finalmente entendeu o fio daquela história. Aquilo não tinha a ver com Gustavo em si.Mas o que exatamente o pai de Gustavo tinha feito? Tinha sido mesmo assim, sem nenhuma distorção? Ela não tinha como saber naquele momento.Antes que ela conseguisse dizer qualquer coisa, o homem de óculos entrou às pressas, empurrando a porta e se curvando com respeito:— Sr. Vinicius, eles já chegaram na área.O instinto de Luiza dizia que aquele “eles” se resumia a uma pessoa: Gustavo.— Tão rápido? — Vinicius sorriu, como se já esperasse.
Luiza só voltou a si quando tudo em volta ainda estava mergulhado numa penumbra pesada. A certa distância, ela viu uma escada com corrimão, e uma luz fraca descia lá de cima.Era evidente que ela estava num porão, mas, só por isso, ela não tinha como adivinhar onde exatamente se encontrava.A mão daquele homem de óculos tinha sido muito forte. A nuca dela ainda latejava, doía de leve. O estranho era que ele não tinha a amarrado.Ela se ergueu do sofá de couro vermelho-escuro, massageou o pescoço dolorido e se levantou, andando devagar na direção da escada, para testar até onde conseguia ir.Ela subiu o primeiro degrau, depois o segundo, saiu do porão… E ninguém apareceu para detê-la.O imenso salão da mansão, luxuoso e impecável, estava só com uma iluminação bem baixa e aparentemente não havia um único segurança por perto.Luiza fechou a mão com força, sentindo as palmas suadas. Ela não se permitiu hesitar. Ela disparou em linha reta na direção da entrada principal.Quando ela estava p
Provavelmente por convivência e criação, os filhos da família Frota, desde pequenos, sempre tinham sido fascinados por todo tipo de arma.Quando Cauã ainda estava no começo do ensino fundamental, o quarto dele já vivia abarrotado de modelos de armas, aviões de guerra, tanques e navios de combate.Numa das viagens em que Jennifer voltara com os pais para Cidade B, ela tinha acabado de aprender a andar. Ela engatinhou e cambaleou sozinha até o quarto de Cauã, pegou justamente aquela arma de brinquedo e não quis largar de jeito nenhum.Antes de Jennifer nascer, Cauã também tinha sido o caçula mais mimado da casa, acostumado a fazer o que queria. Naquela época, ele empacou e, de birra, se recusou a dar a arma para Jennifer, por nada neste mundo.Mais tarde, quando ele quis entregar a arma para ela, já não teve mais chance.Durante todos aqueles anos morando em Cidade A, ele tinha deixado quase tudo em Cidade B. A única exceção tinha sido aquela pistola de modelo, que ele manteve sempre por
— E, além disso, como é que o senhor sabe que a polícia não tem prova suficiente?Nina fez um leve gesto de queixo na direção dos policiais, e o agente à frente entendeu o recado na mesma hora:— Sr. Durval, se a gente não tivesse nada em mãos, a gente não viria até aqui estragar a sua festa.Vendo que Nina e a polícia insistiam em não lhe dar nenhum tipo de deferência, Durval começou a se irritar. Ele fechou a cara:— E se eu disser que hoje ninguém vai tirar ela daqui na minha frente?— Sr. Durval…A postura dele era rígida demais, e aquilo deixou os policiais numa saia-justa.Cumprir a lei era obrigação, claro. Mas Durval não era um cidadão qualquer, ainda mais naquela ocasião, em que eles tinham vindo com o aval silencioso de Nina.No fim das contas, porém, um era o pai, a outra era a filha.Embora todos soubessem que, enquanto o Sr. Callum não se metesse, quem de fato mandava na família Frota era Nina, se eles pudessem escolher, prefeririam sair dali sem comprar briga com nenhum d
Ao ouvir aquela voz, Joana se virou por instinto. Quando ela viu Gustavo, o ódio em seus olhos quase transbordou, e os dentes dela rangeram com tanta força que chegavam a fazer barulho.Ronaldo olhou para Gustavo, depois para Nina e, por fim, para Joana. Ele só sentiu a cabeça girar.Ele também percebeu que todos os olhares sobre ele tinham mudado: o que antes era bajulação e gentileza social agora tinha se transformado em puro deleite pela desgraça alheia.Impossível…Mas ele tinha sido criado pelas mãos de Joana.Joana conhecia ele, e ele conhecia Joana. Ele também achava que conhecia, ao menos em parte, aquele primo com quem vivia em pé de guerra.A intuição dele dizia que aquilo tudo era verdade.Foi como levar um balde de água gelada em pleno inverno. Ele sentiu o corpo inteiro mergulhar num poço de gelo.Então, no fim, o problema entre Gustavo e ele, e o tratamento injusto de Joana com Gustavo, nunca tinha tido relação direta com o ódio mortal entre o pai de Ronaldo e o tio.A ve
Essa agora não deixou atordoados só Amanda e Durval; a cabeça de Joana também pareceu explodir por dentro.Ela não fazia ideia de quando a primogênita da família Frota, Nina, tinha “mudado de programa” a ponto de sair mordendo quem aparecesse pela frente.Os convidados se entreolharam, completamente perdidos.O que exatamente Nina queria dizer com aquilo? E, mais: a família Frota e a família Marques sempre tinham se mantido cada uma no seu canto, sem se meter nos assuntos da outra. Cauã e Gustavo, então, eram amigos íntimos.Como é que, do nada, sem qualquer aviso, as duas casas estavam rasgando a fachada de cordialidade daquela maneira?Durval franziu o cenho e lançou um olhar duro para Nina:— Que absurdo é esse que você tá falando? Anda, peça desculpa pra Dona Joana!Ao longo dos últimos anos, a família Frota vinha demonstrando sinais de que podia ultrapassar a família Marques em influência, mas isso não queria dizer que ela precisasse arranjar uma inimizade aberta.Além disso, Aman






