LOGINAo desligar a chamada, Gustavo segurou a cintura da mulher no colo dele com uma mão e, com a outra, mandou uma mensagem no celular.— Fica tranquila, o Dr. Miguel e a família dele não vão sofrer nada. — Aquilo, ele disse para Luiza.Quando Luiza viu o jeito firme e seguro com que ele resolvia tudo, ela sentiu o coração ir se aquietando, pouco a pouco. — Tá bom.Depois de responder, ela se aconchegou no peito dele. As pálpebras ficaram pesadas, e ela acabou pegando no sono sem nem perceber.Quando Gustavo percebeu que a respiração dela tinha ficado profunda e regular, um traço de rendição passou pelos olhos dele. Ele levou a mão à cabeça dela, fez um carinho em seus cabelos e, depois de avisar para Leonardo diminuir um pouco a velocidade, ele simplesmente deixou que ela continuasse dormindo daquele jeito.Ela, quando era criança, já nunca dormia quieta. Agora, continuava igual. De vez em quando, ela se mexia no colo dele, se encolhia, se ajeitava, mas os olhos não abriram em nenhum mo
Luiza estava com os pensamentos completamente embolados, e ela nem tinha coragem de imaginar o que Gustavo pretendia dizer naquele pedaço de frase que ele nunca terminou. Ele não podia estar pensando em casar com ela… Podia?Em um piscar de olhos, as lágrimas dela caíram direto sobre a roupa, formando manchas escuras no tecido.O interior do carro estava mal iluminado, e ela não tinha emitido nenhum som. Mesmo assim, no segundo seguinte, a ponta áspera e seca dos dedos dele encostou no canto dos olhos dela.Quando Gustavo sentiu a umidade na polpa dos dedos, ele teve a sensação de que alguém tinha riscado, de leve, o peito dele por dentro. Doeu.Depois de enxugar as lágrimas dela, Gustavo ficou em silêncio por um bom tempo, até que, enfim, respondeu de frente à pergunta que ela tinha feito.— Lola, naquela época… Eu realmente não enxerguei outra saída.A voz dele saiu abafada, e, quanto mais Luiza ouvia, mais as lágrimas desciam.Quando ela ergueu o rosto, o choro já tinha desfeito qua
Aquilo não tinha sido a primeira vez que ela tocava nesse assunto. Também não tinha sido a primeira vez que deixava Gustavo por um instante sem chão.Ele, no fundo, já tinha pensado em contar tudo de uma vez, dizer claramente por que, naquela época, ele tinha acabado largando ela daquele jeito.Mas, agora, com ela perguntando assim, olhando direto para ele com aqueles olhos úmidos e brilhantes, ele simplesmente não soube por onde começar.Luiza ficou encarando ele, como se estivesse hipnotizada. De repente, ela levantou a mão fina, e, por cima do tecido da camisa, deixou os dedos se aproximarem devagar da região onde ele tinha levado o tiro no peito. A garganta dela subiu e desceu algumas vezes.Na primeira vez em que ela soube que ele tinha sido baleado, aquela possibilidade até tinha passado correndo pela cabeça dela.Mas a maneira como Gustavo reagiu na época não deixou que ela criasse certeza nenhuma. Ela chegou a achar que estava delirando, inventando drama onde não tinha.E, mesm
Cláudia pegou de volta as amostras e franziu a testa: — Não, mas você desceu varrendo tudo pela frente.…Dentro do carro, as palavras de Gustavo deixaram Luiza em silêncio por um bom tempo, até que ela conseguiu arrancar um fiapo de lucidez do meio do turbilhão de pensamentos.Ela decidiu seguir o que sentia e falou baixo: — Obrigada por ter me defendido lá atrás.Naquele momento em que ela ainda não sabia qual seria a postura da família Frota, com Amanda e Gabriela avançando para cima dela sem dar espaço, a atitude dele tinha sido como lenha em noite gelada: exatamente o que ela mais precisava.Se ela rompesse com a família Frota ali, de frente, aquilo não traria benefício nenhum para ela, e ela, por ora, também não queria ir tão longe.Mas, com Gustavo se colocando no meio, ela e a família Frota não ficavam obrigados a virar inimigos declarados.Mesmo que, depois, a postura de Íris e Nina tivesse sido completamente diferente da de Amanda e Gabriela.Gustavo deixou escapar um sor
Dentro da mansão da família Frota, depois de toda a confusão, tanto o Sr. Callum quanto a Sra. Patrícia já estavam exaustos.Depois que Luiza e Gustavo foram embora, o Sr. Callum mandou os dois netos organizarem a saída dos convidados, um por um.O clima dentro da casa foi, aos poucos, ficando pesado de novo.O Sr. Callum lançou apenas um olhar para Durval: — Durval, você agora também é o chefe da família. Tem coisa que você não pode ficar empurrando com a barriga. Se não souber como decidir, faz como a Nina mandar.A forma como ele falou foi até suave, mas ali não havia nenhum bobo de verdade. Todo mundo entendeu que, nas entrelinhas, o que ele queria dizer era que, embora Durval fosse o chefe da casa, ele não tinha cabeça para as questões grandes, e que, nessas horas, o melhor era ouvir a primogênita, Nina.Durval ficou sem graça, sentiu o orgulho doer, mas não rebateu: — Eu sei, eu sei. O senhor deve estar cansado, né? Quer subir pra descansar um pouco?Já estava tarde, e o Sr.
Ela até teve um instante em que se perguntou, com uma clareza dolorosa, entre Luiza e Gabriela, quem ela escolheria.E a primeira resposta que surgiu na cabeça dela foi exatamente o oposto do que ela teria dito antes.No passado, ela sempre tinha pensado que, quando encontrasse Jennifer, mesmo que a menina pedisse a lua do céu, ela não hesitaria em tentar alcançar.Enquanto isso, Luiza ouviu um leve movimento atrás de si. Ela se virou e viu o mordomo entrando com um homem de terno impecável. O homem usava óculos sem armação, tinha um ar calmo e seguro, aparentando uns trinta e cinco anos. Atrás dele vinha uma subordinada.Ele caminhou direto até Íris e Durval, inclinou a cabeça em um cumprimento contido: — Durval. Íris.Depois, ele se voltou para Nina: — Nina.A expressão de Nina não mudou em nada. Ela foi direto ao ponto: — Vamos colher as amostras.— Certo. — Soren respondeu, deu um passo à frente e olhou para Íris. — Íris, eu vou arrancar um fio do seu cabelo.Íris concordou c