MasukGustavo abriu um sorriso meio rendido:— Quando foi que a senhora já errou em questão de boa educação?— Mas é que eu não sabia que eles eram a família da Luiza. — Manuela rebateu.Tratar futuros parentes era bem diferente de receber visitas comuns. A medida era outra.— Quem não sabe, não tem culpa. — Gustavo comentou. — A família Frota não é gente sem razão, não.— Isso é verdade.Pelo que ela tinha visto naquele dia, Manuela também tinha chegado à mesma conclusão.E, embora os dois lados fossem famílias tradicionais, ela achava que o jeito da família Frota conduzir as coisas, seja em casa, seja fora, deixava a família Marques bem atrás.De repente, Manuela lembrou de outra coisa:— E a família Frota, pretende se revelar pra Luiza quando?— Eles querem esperar a situação da Luiza estabilizar mais um pouco.Enquanto conversavam, os dois entraram pelo hall. Assim que ouviram as vozes, Luiza, encolhida no sofá, levantou o olhar. Gustavo mudou de assunto na mesma hora:— Tá com sono?Os
Sra. Patrícia, que tinha escutado aquela frase, deu um tapa certeiro na testa dele:— Seu pestinha, que foi que você saiu falando agora, hein?Pela cabeça de gente mais velha e tradicional, o melhor que podia acontecer era a vida amorosa da neta seguir lisa, sem tropeço.Tudo que saía da boca de Cauã, na opinião dela, soava como mau agouro.Aquela palmada tinha vindo sem nenhuma delicadeza, tão firme que até Gustavo quase deixou escapar o riso no canto da boca.Cauã sentiu uma pontada aguda, arreganhou os dentes de dor e puxou o ar com força, mas ainda assim tentou se defender:— Vó, eu só tava lembrando ele de tratar a Jennifer melhor.— Eu é que acho o Gustavo bem mais confiável que você. Ele precisa do quê, do seu lembrete ainda? — Sra. Patrícia não hesitou nem um pouco em ficar do lado de Gustavo. Depois de elogiar, ela se voltou para ele e acrescentou. — A Luiza vai dar trabalho pra você e pra sua avó cuidarem dela, viu.— Imagina. — Manuela, que não tinha entendido direito toda a
A família Frota, desde o começo, tinha colocado a saúde de Luiza acima de qualquer outra coisa. Naquele momento, ninguém ali teria coragem de insistir mais.Além disso, a postura de Gustavo estava impecável, sem brecha pra crítica.Íris, ao ver o quanto ele se importava com Luiza, ficou ainda mais tranquila.— Você pensa em tudo, hein. — Ela comentou, aliviada.Manuela soltou um suspiro silencioso.Afinal de contas, uma coisa era a família Frota vir fazer uma visita. Outra, bem diferente, era querer levar embora a futura esposa do neto dela e a bisneta que ainda nem tinha nascido.Como já estava perto da hora do almoço, ela aproveitou para dizer, com um sorriso cordial:— Bem, já deu o horário. Fiquem e almocem com a gente, comam alguma coisa simples.— Fica mesmo. — Luiza acrescentou, em tom doce, voltando-se para Íris. — Faz tempo que eu não sento pra comer com a senhora.Aquela frase foi o bastante para deixar os olhos de Íris marejados. Ela virou um pouco o rosto, engoliu a emoção
Não foi só Luiza que estranhou; até Manuela percebeu que tinha alguma coisa fora do lugar.No começo, quando a família Frota apareceu carregando tantos presentes, Manuela tinha achado que eles só queriam agradecer pelo tratamento da perna de Íris, por isso tinham trazido um monte de coisas caras.Só que, conforme a conversa avançava e ela prestava atenção no jeito da família Frota falar com Luiza, ela começou a sentir que havia algo diferente.Aquele grupo inteiro não parecia uma família fazendo uma simples visita de cortesia.Parecia mais a família da noiva indo marcar presença na casa do futuro genro.Manuela não tinha imaginado que a família Frota ia tratar Luiza com tanta consideração assim. Ela acabou se pegando feliz por Luiza, de verdade.Mas essa felicidade durou pouco.A senhora Patrícia observou Manuela por alguns segundos e, então, perguntou com um sorriso amável:— E a sua saúde, como é que tá? O Cauã me contou que você torceu o pé há pouco tempo, foi?Manuela achou que aqu
Cauã era quem tinha passado mais tempo com ela naquele período, e, ao notar a confusão estampada no rosto de Luiza, ele trocou um olhar rápido com a própria mãe.Íris, por sua vez, só tinha uma coisa na cabeça: ver Luiza. Quando ela finalmente viu a moça se aproximar andando, inteira, sem nenhum ferimento grave, ela não tinha espaço pra pensar em mais nada; ela ficou simplesmente feliz.Só depois de captar o sinal de Cauã é que Íris percebeu o quanto Luiza parecia sem jeito. Então ela se apressou em estender a mão para a jovem:— A Nina me contou que vinha te ver hoje. Como eu tava desocupada, eu resolvi vir junto.— Obrigada por se preocupar comigo.Luiza sentiu um calor bom no peito. Ela se sentou ao lado de Íris e, de novo, lançou um olhar educado para o senhor Callum e a senhora Patrícia, cumprimentando um por um:— Senhor Callum, senhora Patrícia, como vocês estão?Mas, para o casal de idosos, aquela maneira formal de chamá-los foi como uma facada no peito.O senhor Callum ainda s
Luiza virou o rosto e, quando viu que era Miguel, imediatamente levou a mão ao nariz, sem graça, morrendo de vontade de enfiar a cara num buraco.Já Gustavo, com a cara de pau de sempre, apenas arqueou uma sobrancelha:— Do jeito que o senhor falou, parece até que eu sou o mau exemplo da história.Miguel nem se deu ao trabalho de responder. A expressão dele dizia claramente: “E você não é?”Luiza respirou fundo, engoliu a vergonha e se apoiou no braço de Gustavo para se levantar.— Professor, como é que o senhor já tá aqui hoje? A Noemi… Ela tá melhor?Mais cedo, depois do café, ela tinha pensado em passar no hospital para visitar Noemi.Mas Miguel tinha rebatido na hora, dizendo que não queria nem ouvir falar dela indo até lá. Ele só mandou que ela cuidasse direito da própria saúde, com aquele jeito taxativo de sempre, como se dissesse: se ela ousasse aparecer no hospital, ele ia fingir que nem tinha aluna chamada Luiza.— A Noemi já tá fora de perigo. — Miguel respondeu. — Mas ela fi







