MasukRafael estava só querendo ver o circo pegar fogo e não tinha percebido que o rosto de Gustavo já estava mais fechado do que nunca.Raul lançou um olhar de lado para Gustavo e, escolhendo as palavras com cuidado, ajudou Luiza a escapar daquela situação constrangedora:— Eu e a Luiza sempre tivemos apenas a mais sincera amizade, além da relação profissional.Se precisasse admitir mais alguma coisa, seria apenas que ele já tinha nutrido sentimentos por ela, sozinho e em silêncio. Mas, muito provavelmente, Luiza jamais havia percebido.Daquele momento em diante, ele só desejava vê-la feliz à distância.E torcia para que essa felicidade durasse para sempre.— Então com quem a Luiza vai se casar? — Rafael arregalou os olhos.Gustavo estreitou levemente o olhar, fez um gesto para que Luiza se aproximasse e perguntou, num tom tranquilo:— O que a trouxe aqui de repente? Você almoçou direito?Ao lado dele, Rafael sentiu como se o cérebro tivesse simplesmente travado.Desde quando Gustavo e Luiz
Luiza sorriu de leve e não rebateu.Ela entrou no laboratório com os dados na mão, fez os ajustes pessoalmente e depois devolveu o tablet para Raul.— Eu já corrigi os dados. Amanhã a gente já consegue rodar a simulação de novo. — A voz dela soou leve, cheia de confiança. — Se tudo correr bem, no mais tardar depois do Ano-Novo a gente já entra na fase de testes clínicos.— Tão rápido assim? — Raul se surpreendeu.Ele já vinha quebrando a cabeça com aqueles dados havia bastante tempo e não esperava que Luiza resolvesse tudo com tanta facilidade.Mas, no fim das contas, era justamente por isso que Luiza tinha se tornado discípula direta de Miguel. Afinal, quem é que não favoreceria alguém que, além de esforçada, ainda tinha tanto talento?Os dois saíram juntos do laboratório. O olhar dele caiu no rosto de Luiza, e ele perguntou, com certa hesitação:— Lá na clínica… Você não acha melhor diminuir um pouco a frequência dos seus plantões?Ele ainda se preocupava se o corpo de Luiza ia aguen
No último andar do Grupo Marques.Gustavo estava sentado de maneira descontraída na cadeira do escritório, ouvindo o relatório de Leonardo, enquanto uma sombra de frieza surgia gradualmente em seu olhar profundo.— Sr. Gustavo, tirando o fato de que o carro muito provavelmente foi apenas uma coincidência… Leonardo entregou mais um maço de documentos para ele. — Eu também não encontrei nenhum registro do Vinicius entrando ou saindo do condomínio onde o Osvaldo mora.Ele sabia que aquilo era sério demais para deixar passar qualquer detalhe. Por isso, não delegou a tarefa a ninguém; foi ele mesmo quem conduziu toda a investigação.Até aquele momento, não havia nenhuma prova de que Vinicius e Osvaldo tivessem qualquer contato, nem de que a identidade de Osvaldo apresentasse alguma irregularidade.O McLaren estacionado em frente à casa de Osvaldo era, de fato, exatamente igual a um dos carros de Vinicius. Mas, além desse detalhe, não existia mais nada que os ligasse.Quanto ao restante, L
Soren franziu a testa e pediu para o motorista encostar o carro.Os dois desceram um depois do outro e caminharam até a calçada, parando sob a sombra de uma árvore.— Você ficou aqui me esperando de propósito? — A voz de Soren soou carregada de sentimentos contraditórios.Ele e o irmão mais novo sempre tinham mantido uma relação de “cada um no seu canto”. Justamente por isso, ver Douglas ali, naquele momento, obviamente não era coincidência.Douglas usava um sobretudo de corte amplo, uma das mãos enfiada no bolso. A postura dele era relaxada, quase displicente, mas o ar que o cercava era de uma frieza afiada. Aquilo não tinha nada a ver com a tranquilidade obediente que ele costumava demonstrar diante de Nina.— Coincidiu de eu passar por aqui. — A voz dele era tão fria que não deixava transparecer nenhuma emoção. — Mas eu realmente quero conversar com você.Soren o observou daquele jeito e não sentiu surpresa alguma. Pelo contrário, aquilo chegou até a despertar certo interesse.— Con
Os músculos das costas de Soren se retesaram quase imperceptivelmente. A voz dele saiu ligeiramente áspera, carregada de tensão:— Eu… Eu achei que você só estava falando da boca para fora. A gente não se deu sempre bem nesses anos todos de casamento?Naquele círculo social, os dois eram considerados um casal-modelo. A vida pessoal dele sempre tinha sido impecável; tirando o fato de que realmente mimava Cláudia um pouco mais que os outros homens do mesmo meio, ele até podia ser visto como alguém correto.Ele acreditava que aquele casamento continuaria assim, mantendo-se naquele equilíbrio para sempre.Nina puxou o canto dos lábios num sorriso contido, quase imperceptível, mais um gesto de desprezo do que de humor:— E você realmente acha isso?A voz dela permanecia firme, sem grandes variações, mas fez o couro cabeludo de Soren se contrair.— A história da Cláudia foi um erro meu, eu realmente acabei mimando ela demais, mas daqui para frente eu com certeza vou…— Não precisa continuar.
O vento frio cortava o ar. Soren, impecável em um terno de corte perfeito, permanecia parado sob a luz do poste. A sombra dele se alongava pelo chão, alta e solitária, carregando uma melancolia difícil de ignorar.— O Douglas também está aqui?Aquilo soou apenas como um cumprimento rápido dirigido a Douglas. Logo em seguida, ele voltou o olhar para Nina, que permanecia a poucos passos dali. O pomo de Adão dele subiu e desceu devagar quando ele engoliu em seco:— Nina, eu quero conversar com você.Nina olhou para ele com tranquilidade, como se já esperasse havia muito tempo que ele acabaria aparecendo ali.Ela desviou os olhos e falou com Douglas, que estava ao lado dela:— Douglas, deixa o motorista levar você para o hotel primeiro. Se precisar de qualquer coisa, pode falar comigo ou com o Cauã.Afinal, havia certas situações entre homens e mulheres que sempre exigiam algum cuidado. Nessas horas, seria mais conveniente procurar o Cauã.— Está bem. Nina, se você precisar de alguma coisa