LOGINBruna apertou a marmita com tanta força que os nós dos dedos ficaram esbranquiçados.Douglas não olhou mais para ela. Ele pegou imediatamente o ramal do telefone fixo que ficava sobre a mesa e chamou o setor de RH.A voz dele saiu calma, mas com uma firmeza que não deixava espaço para discussão:— Providenciem a demissão da Camila. O quanto antes.Do outro lado da linha houve um instante de silêncio, e então a resposta veio rápida e tensa, concordando.Só então Douglas desligou o telefone. Em seguida, ele voltou a encarar Bruna.Ela estava completamente imóvel, como se tivesse levado um tapa. Ela não tinha esperado que, depois de conversarem um pouco, Douglas fosse simplesmente mandar demitir Camila.— Douglas, você… Você entendeu errado… — Ela se atrapalhou nas palavras. — A sua secretária não tem nada a ver comigo. Eu juro que eu só encontrei a Nina por acaso…Para Douglas, soava como se ele estivesse ouvindo uma história que não dizia respeito a ele.— Se vocês não têm nada a ver um
Nina parou e encarou a pessoa à sua frente.Era uma garota de uns vinte e quatro ou vinte e cinco anos, usando um casaco de caxemira rosa. O cabelo estava cheio de ondas bem feitas, a maquiagem era marcante. À primeira vista, os traços eram realmente bonitos, mas, no fundo dos olhos, havia aquela arrogância típica de quem tinha sido mimada a vida inteira.Nina tinha certeza de que não conhecia aquela garota.Atrás dela, Virgínia já ia se manifestar, mas Nina a interrompeu antes.— Eu sou a Nina. — Ela respondeu em um tom neutro. — E você é?— Eu me chamo Bruna Garcia. — A jovem ergueu um pouco o queixo. O olhar dela desceu do rosto de Nina para o casaco de caxemira de corte impecável que ela usava, como se estivesse avaliando a qualidade da peça e, junto com ela, quem a vestia. — Você provavelmente já ouviu falar da família Garcia, não ouviu?Nina realmente já tinha ouvido falar da família Garcia, uma das famílias tradicionais de Rivara. Tinham começado anos atrás no ramo de materiais
Douglas assentiu e perguntou em seguida:— Nina, você quer beber o quê?— Um café. — Nina respondeu.— Está bem.Ele caminhou direto até a porta do escritório, abriu e olhou na direção das estações de trabalho, onde a secretária dele estava sentada.— Camila, faz um latte para a Nina. Pouco açúcar, bastante leite, e não deixa muito quente.Camila levantou os olhos, surpresa, e depois abaixou a cabeça rapidamente.— Sim, Sr. Douglas.Não dava para culpar Camila pela reação. Até a própria Nina ficou um pouco surpresa; ela não esperava que Douglas conhecesse as preferências dela nesse nível de detalhe.Mesmo assim, Nina não se deteve no assunto.— Você tem uma memória boa. — Ela comentou.— Mais ou menos. — Douglas curvou ligeiramente os lábios. — Eu só acabei guardando.Nina não respondeu. Ela abaixou o olhar para o contrato recém‑assinado e voltou a folheá‑lo. O silêncio tomou conta da sala por alguns segundos.Logo bateram à porta do escritório.— Entra.A porta se abriu, e Camila entr
De manhã, nevava de novo em Rivara.Nina ficou de pé diante da janela de vidro do hotel, olhando os garis lá embaixo empurrarem a neve acumulada para as laterais da calçada, até aparecer o asfalto cinza‑azulado da rua.O celular vibrou duas vezes em cima da mesa de cabeceira.Ela se virou, caminhou até lá e pegou o aparelho. Era uma mensagem de Cauã.[Mana, o contrato já foi assinado?]Ela digitou a resposta:[Ainda não. Eu vou aí hoje de manhã.]A resposta dele chegou na mesma hora:[Valeu, mana.]Nina guardou o celular no bolso e entrou no banheiro para se arrumar.Às nove e meia da manhã, Nina chegou pontualmente à sede do Grupo Duarte.Virgínia vinha logo atrás dela, com um calhamaço de documentos do governo nas mãos, falando em voz baixa sobre alguns detalhes.Nina ouvia enquanto atravessava o saguão do térreo em direção aos elevadores.Quando a porta do elevador se abriu, havia ali dentro alguns funcionários do Grupo Duarte. Quando eles viram Nina, todos recuaram instintivamente,
Dois dias depois, em Rivara.Assim que Nina e Virgínia saíram pelo portão de desembarque, uma mulher de terninho social se aproximou, calorosa e ao mesmo tempo muito respeitosa.— Dona Nina, eu sou a secretária do Sr. Douglas. Ele teve uma reunião hoje de manhã da qual ele não conseguiu sair, então ele pediu para eu vir buscar a senhora. Ele está esperando a senhora na empresa.— Obrigada.Em seguida, Nina virou a cabeça para Virgínia:— Você vai lá cuidar do que eu te pedi primeiro.Quando o carro entrou no estacionamento subterrâneo da sede do Grupo Duarte, já estava quase na hora do almoço.Nina acompanhou a secretária até o andar da presidência. Quando a porta do elevador se abriu, Douglas estava justamente saindo da sala de reuniões.Ele carregava uma pasta com um contrato recém‑assinado. Quando ele a viu, ele deu alguns passos largos em direção a ela.— Nina. — Ele pegou naturalmente a pasta que ela trazia na mão, com um sorriso surgindo no canto dos lábios. — Você finalmente che
Cauã e Lilian saíram um atrás do outro, guiados apenas pela pouca luz que escapava de dentro da casa.De repente, Lilian parou e chamou por ele:— Cauã.Ele virou o rosto para olhar para ela.— Hum?— Por tudo o que aconteceu hoje... Obrigada.— Você não precisa me agradecer.— Eu não estou te agradecendo só por educação. — Lilian falou com expressão séria. — Eu estou falando de verdade.O vento gelado do fim do inverno assobiava pelo beco, deixando o ar ainda mais vazio e cortante.— Vamos. A gente conversa no carro. — Cauã ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer.Eles saíram do beco e entraram no carro preto estacionado ali em frente.Lilian conferiu a hora. Ela sabia muito bem que ele provavelmente tinha vindo direto do aeroporto, e uma amargura difícil de definir se espalhou em silêncio pelo peito dela.Cauã ligou o ar‑condicionado no quente. Só quando a temperatura dentro do carro subiu um pouco, ele virou o rosto para ela.— Eu vou colocar umas pessoas para ficarem d







