LOGINFalar com a Virgínia e agendar...Virgínia era a arma mais afiada ao lado da Nina, a secretária que, por anos, tinha filtrado e afastado todo tipo de gente inconveniente para protegê-la.Mandar ele falar com a Virgínia, no fundo, significava que Nina não tinha a menor vontade de lidar pessoalmente com ele.Os dedos de Soren apertaram o celular com mais força. A expressão dele foi escurecendo aos poucos.Antes, quando as coisas entre ele e Nina ainda não tinham desandado desse jeito, sempre que ele queria vê-la, ele simplesmente aparecia nas Residências Brisa Serena ou ligava direto para o celular pessoal dela.Por mais ocupada que ela estivesse, ela sempre arrumava um espaço na agenda. E agora… Ela mandava ele passar por uma secretária, como se ele fosse apenas mais um compromisso comum, desses que entram e saem de um calendário de trabalho.Ele engoliu tudo o que estava sentindo e desviou o olhar para o banco da frente, onde Bryan estava sentado. Sua mente, porém, continuava funcionan
Soren entendeu que não ia arrancar mais nada da Cristina.Ele se levantou devagar, ajeitou o paletó e inclinou a cabeça para ela, com educação:— Então, Cristina, por favor, avise o Sr. Gustavo que eu volto em outro dia para visitá-lo..— Tenha um bom dia, senhor.Cristina o acompanhou até o elevador e apertou o botão para descer.No instante em que as portas se fecharam, o sorriso profissional dela começou a desaparecer. Ela balançou a cabeça, de leve.Naquela altura, ele ainda tinha a coragem de dizer que voltaria outro dia.No caminho de volta à própria mesa, ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Gustavo:[Sr. Gustavo, o Soren já foi embora.]Gustavo não respondeu.Cristina também não esperava resposta. Ela deixou o celular de lado e voltou para os relatórios que tinha para finalizar.Quando Soren se sentou no carro, o rosto dele já estava tão carregado que parecia prestes a explodir de raiva.Bryan, no banco da frente, lançou um olhar rápido pelo retrovisor e perguntou com
Na manhã seguinte, mesmo sem precisar ir para a clínica, Luiza ainda assim acordou cedo, puxada pelo próprio relógio biológico. Depois de se lavar e trocar de roupa, ela desceu para tomar café.Enquanto ela abaixava a cabeça para beber o leite, Manuela se sentou ao lado dela. Enquanto acrescentava uma porção generosa de cereal e castanhas à tigela, ela foi comentando:— Você tem que comer mais. Você tem sentido fome muito rápido esses dias. A Sarah já está preparando uma sopa cremosa de frango para você. Quando der fome de novo, ela fica pronta rapidinho.— Está bem.Luiza quase riu. Ela nem tinha terminado aquele café, e Manuela já estava planejando a próxima refeição inteira.Gustavo estava sentado em frente a elas, passando calmamente os olhos pelos e-mails no tablet. De vez em quando, ele levantava o olhar para conferir se Luiza realmente estava comendo direito.Ele tinha acabado de baixar os olhos de novo quando o celular vibrou sobre a mesa.Gustavo deu uma olhada no visor e, sem
O que significava esse “vou considerar que você está certa”?Luiza abriu a boca, pronta para continuar o interrogatório, mas Gustavo já tinha se levantado. Ele só deixou uma frase no ar e seguiu em direção ao banheiro:— Já deu a hora de dormir. Você vai para a cama e me espera lá.Luiza ficou olhando até ele sumir atrás da porta do banheiro. Ela ainda se sentia um pouco inconformada. Ela baixou os olhos, passou a mão pela barriga e perguntou baixinho ao bebê:— Amor, o seu pai é um homem bom demais, né?Ele sempre tinha sido uma pessoa mole por dentro. Um pouquinho de sinceridade já bastava para ele entregar tudo de volta em lealdade.Era assim desde aquela época em que ela tinha oferecido apenas duas balas de limão, e ele, em troca, a protegeu durante tantos anos, ajudando a abrir o caminho que a levara até onde estava agora.…No caminho de volta para as Residências Brisa Serena, Nina estava ao volante.Durante o jantar, Cauã tinha bebido um pouco. Agora ele estava no banco do caron
Depois do jantar, Nina e Cauã só então se levantaram para se despedir.Luiza ficou de pé no corredor, olhando as lanternas traseiras do carro sumirem na curva da rua. Ela se virou, enlaçou o braço de Gustavo e anunciou:— Eu quero tomar um banho bem quente, daqueles de derreter o cansaço.— Então vai.Gustavo apertou de leve os dedos dela, que ainda estavam um pouco frios, e os dois subiram juntos.Quando Luiza saiu do banho, Gustavo já estava esperando no sofá. Ao lado dele, o secador de cabelo estava pronto. Assim que ele a viu, ele fez um gesto com a mão:— Vem aqui.Luiza foi até lá e, como alguém que já conhecia o ritual de olhos fechados, sentou-se de pernas cruzadas na almofada aos pés dele, de costas para o sofá.Os dedos longos do homem se enterraram nos fios ainda úmidos, e o ar morno que saía do secador deixava todo o couro cabeludo dela leve e relaxado.Ele já estava mais do que acostumado a secar o cabelo dela. Só que, de vez em quando, as pontas dos dedos roçavam a orelha
Douglas enfim ergueu os olhos para ele, e o que existia no fundo do olhar era um deboche gelado, sem nenhuma intenção de disfarçar:— Sou eu que falo com ironia ou é você que passa por cima de qualquer coisa para conseguir o que quer?Soren ficou um segundo travado com a pergunta. O sorriso no canto da boca quase desfez, e o tom dele também desceu alguns graus:— Não importa como a situação começou ou terminou, no fim das contas nós somos irmãos de sangue. Você não acha exagero virar a cara para mim por causa de uma pessoa de fora?— Ela não é uma pessoa de fora.Douglas cortou a frase no meio. A voz dele não foi alta, mas cada palavra saiu precisa.A sala de jantar caiu num silêncio completo.Joyce abriu a boca, pronta para dizer alguma coisa, mas Asher lançou um olhar em direção a ela e a calou antes que ela falasse.A mão de Magnus, que segurava a xícara de café, parou no ar. O olhar dele saiu do rosto de Douglas, passou devagar para Soren e voltou para Douglas, como se ele estivess







