ログインProvavelmente por convivência e criação, os filhos da família Frota, desde pequenos, sempre tinham sido fascinados por todo tipo de arma.Quando Cauã ainda estava no começo do ensino fundamental, o quarto dele já vivia abarrotado de modelos de armas, aviões de guerra, tanques e navios de combate.Numa das viagens em que Jennifer voltara com os pais para Cidade B, ela tinha acabado de aprender a andar. Ela engatinhou e cambaleou sozinha até o quarto de Cauã, pegou justamente aquela arma de brinquedo e não quis largar de jeito nenhum.Antes de Jennifer nascer, Cauã também tinha sido o caçula mais mimado da casa, acostumado a fazer o que queria. Naquela época, ele empacou e, de birra, se recusou a dar a arma para Jennifer, por nada neste mundo.Mais tarde, quando ele quis entregar a arma para ela, já não teve mais chance.Durante todos aqueles anos morando em Cidade A, ele tinha deixado quase tudo em Cidade B. A única exceção tinha sido aquela pistola de modelo, que ele manteve sempre por
— E, além disso, como é que o senhor sabe que a polícia não tem prova suficiente?Nina fez um leve gesto de queixo na direção dos policiais, e o agente à frente entendeu o recado na mesma hora:— Sr. Durval, se a gente não tivesse nada em mãos, a gente não viria até aqui estragar a sua festa.Vendo que Nina e a polícia insistiam em não lhe dar nenhum tipo de deferência, Durval começou a se irritar. Ele fechou a cara:— E se eu disser que hoje ninguém vai tirar ela daqui na minha frente?— Sr. Durval…A postura dele era rígida demais, e aquilo deixou os policiais numa saia-justa.Cumprir a lei era obrigação, claro. Mas Durval não era um cidadão qualquer, ainda mais naquela ocasião, em que eles tinham vindo com o aval silencioso de Nina.No fim das contas, porém, um era o pai, a outra era a filha.Embora todos soubessem que, enquanto o Sr. Callum não se metesse, quem de fato mandava na família Frota era Nina, se eles pudessem escolher, prefeririam sair dali sem comprar briga com nenhum d
Ao ouvir aquela voz, Joana se virou por instinto. Quando ela viu Gustavo, o ódio em seus olhos quase transbordou, e os dentes dela rangeram com tanta força que chegavam a fazer barulho.Ronaldo olhou para Gustavo, depois para Nina e, por fim, para Joana. Ele só sentiu a cabeça girar.Ele também percebeu que todos os olhares sobre ele tinham mudado: o que antes era bajulação e gentileza social agora tinha se transformado em puro deleite pela desgraça alheia.Impossível…Mas ele tinha sido criado pelas mãos de Joana.Joana conhecia ele, e ele conhecia Joana. Ele também achava que conhecia, ao menos em parte, aquele primo com quem vivia em pé de guerra.A intuição dele dizia que aquilo tudo era verdade.Foi como levar um balde de água gelada em pleno inverno. Ele sentiu o corpo inteiro mergulhar num poço de gelo.Então, no fim, o problema entre Gustavo e ele, e o tratamento injusto de Joana com Gustavo, nunca tinha tido relação direta com o ódio mortal entre o pai de Ronaldo e o tio.A ve
Essa agora não deixou atordoados só Amanda e Durval; a cabeça de Joana também pareceu explodir por dentro.Ela não fazia ideia de quando a primogênita da família Frota, Nina, tinha “mudado de programa” a ponto de sair mordendo quem aparecesse pela frente.Os convidados se entreolharam, completamente perdidos.O que exatamente Nina queria dizer com aquilo? E, mais: a família Frota e a família Marques sempre tinham se mantido cada uma no seu canto, sem se meter nos assuntos da outra. Cauã e Gustavo, então, eram amigos íntimos.Como é que, do nada, sem qualquer aviso, as duas casas estavam rasgando a fachada de cordialidade daquela maneira?Durval franziu o cenho e lançou um olhar duro para Nina:— Que absurdo é esse que você tá falando? Anda, peça desculpa pra Dona Joana!Ao longo dos últimos anos, a família Frota vinha demonstrando sinais de que podia ultrapassar a família Marques em influência, mas isso não queria dizer que ela precisasse arranjar uma inimizade aberta.Além disso, Aman
Ela sempre soube que Nina não era alguém com quem se pudesse brincar.Mas, até então, os métodos de Nina tinham sido diretos e, de certa forma, contidos.Foi a primeira vez que ela sentiu medo de verdade. Ela percebia, com uma clareza cortante, que Nina queria vê-la caída para nunca mais se levantar.Ao ouvir a acusação, Durval passou a encarar Nina com um quê de desconfiança no olhar.Só que, desde a manhã daquele dia, Nina parecia outra pessoa.Antes, ela era calma e firme, mas, ao mesmo tempo, era alguém que sabia ser respeitosa e filial.Naquele dia, só tinha sobrado a frieza.Antes que Durval abrisse a boca para questioná-la, Nina fez um leve aceno de cabeça para os policiais e, em seguida, deixou escapar um sorriso frio. Diante de todos os convidados, ela respondeu, com a voz firme o bastante para não deixar espaço para dúvidas:— Fui eu, sim. Mas isso não foi eu que armei alguma coisa por trás. Quem de fato envenenou alguém pelas costas não fui eu… Foi você. Um dos princípios da
Amanda, ao ouvir aquilo, deixou a alegria transbordar ainda mais no olhar. Ela realmente não tinha imaginado que tudo fosse caminhar de forma tão fácil.Com a conversa chegando àquele ponto, Durval já não tinha mais muito o que discutir:— Sendo assim, amanhã…Ele ainda falava quando, do lado de fora, começou um burburinho. De longe, todos ouviram alguém mencionar a palavra “polícia”.Logo em seguida, uma batida apressada soou na porta.O coração de Amanda deu um salto estranho, subiu direto para a garganta. Ela, sem perceber, se aproximou mais de Durval.No instante seguinte, a porta do reservado foi empurrada. Quem entrou foi Cauã.Durval olhou na direção dele e, ao ver que ele mantinha aquele jeito displicente de sempre, franziu a testa com força:— Que jeito é esse de entrar? Você não tá vendo que tem convidado importante aqui?— Convidado importante de onde?Cauã, fazendo o papel até o fim, enfiou a cabeça para dentro, varreu o ambiente com os olhos e, quando reconheceu Joana, não







