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Capítulo 2

Author: Raquel
Ficamos sentados conversando por um tempo, até Letícia chegar, andando de forma cambaleante, com o rosto corado.

Atrás dela vinham três homens: o galã da universidade, Miguel; o jovem professor, Gustavo; e o anfitrião da festa, Bernardo.

Miguel e Gustavo se sentaram, um de cada lado de Letícia. Bernardo não se sentou ao lado dela; se sentou tranquilamente à sua frente, observando os dois que estavam colados nela.

Eu ainda me perguntava por que Bernardo não parecia com ciúmes quando percebi que ele trocava mensagens provocantes com Letícia pelo celular.

De repente, Letícia corou ainda mais, atraindo imediatamente a atenção dos dois ao seu lado.

Miguel perguntou com cuidado:

— Você não está se sentindo bem?

Letícia manteve a cabeça baixa:

— Estou um pouco mal.

Bernardo curvou os lábios em um sorriso e falou no momento certo:

— Eu te ajudo a subir para descansar um pouco.

Depois disso, ele apoiou Letícia e a conduziu para o andar de cima.

Miguel e Gustavo trocaram um olhar e, em seguida, também subiram.

Droga, eu queria muito escutar escondida.

Valentina, sentada ao meu lado, xingou baixinho:

— Vadia.

De repente, lembrei de uma parte da história original em que alguém colocava algo na bebida. Provavelmente tinha sido a Valentina, porque ela era apaixonada pelo Gustavo havia muitos anos, mas Gustavo só tinha olhos para a Letícia.

Dessa vez, ela teria sucesso ao dopar alguém e, depois, acabaria recebendo uma dose dez vezes maior do próprio Gustavo, sendo deixada à própria sorte. O fim dela seria terrível.

Mas, pensando bem, no dormitório, sempre que havia algo gostoso ela dividia comigo e também me contava todas as novidades. Eu não podia simplesmente assistir ao destino trágico dela sem fazer nada.

Inclinei a cabeça até o ouvido dela e falei em voz baixa:

— Eu acho o Gustavo velho demais. Você não prefere um garoto mais novo?

Ela pareceu confusa e repetiu:

— Um garoto mais novo?

Passei os olhos pelo ambiente e apontei para um rapaz de aparência certinha sentado no canto:

— Acho que ele é bem legal. Há tantos peixes no mar, por que insistir só no Gustavo?

Valentina seguiu a direção do meu dedo. Para minha surpresa, ela foi bem receptiva à sugestão e assentiu:

— Tá bom!

Na mesma hora, me puxou para sentarmos ao lado do rapaz.

Assim que nos sentamos, ele corou e se apresentou:

— Oi. Eu me chamo Ramos.

Sorrimos e apertamos a mão dele. Ele era tão puro que, só com o aperto de mãos, as pontas das orelhas ficaram completamente vermelhas.

Valentina piscou para mim e, em um tom que só nós duas podíamos ouvir, disse:

— Quando a gente é jovem, não sabe como os garotos novos são bons e acaba tratando o Gustavo como se fosse um tesouro.

Concordei com a cabeça. Pelo visto, ela não gostava tanto assim do Gustavo, já que mudou de alvo com tanta facilidade.

O nome Ramos não aparecia na história original, então provavelmente ele não seria influenciado pela Letícia. Assim, fiquei tranquila.

Nesse momento, praticamente todo mundo já tinha chegado, e alguém sugeriu jogar Rei Manda.

A garota que tirou a carta de Rei balançou a carta na mão e disse:

— Quem tirar 2 e quem tirar 6 tem que dar um beijo de língua.

Eu pretendia jogar duas rodadas e depois subir para escutar escondida. Virei minha carta. Era 6.

Ao meu lado, Ramos gaguejou:

— A minha é 2.

Isso não podia acontecer. O alvo de interesse da Valentina não podia ser beijado por mim.

Peguei rapidamente o copo:

— Melhor a gente beber, hahaha.

Ramos assentiu na hora:

— Isso!

Os outros fizeram comentários decepcionados, dizendo que não tinha graça.

Valentina, por outro lado, ficou muito feliz e encheu nossos copos.

Ergui as sobrancelhas para ela. Eu jamais roubaria alguém de quem ela tivesse gostado.

Eu não imaginava que fosse beber tão mal. Com apenas três copos, já estava tonta.

Ramos estava ainda mais bêbado do que eu, o rosto todo vermelho. Achei engraçado e belisquei a bochecha dele.

Os olhos dele ficaram avermelhados e, de repente, ele soltou um soluço:

— Mana...

De repente, senti o corpo inteiro em ebulição, como se tivesse levado um choque elétrico, e não consegui evitar me inclinar na direção dele.

Eu estava realmente passando mal e me controlei com dificuldade. Virei a cabeça e segurei o braço da Valentina:

— Acho que eu estou bêbada...

Valentina não respondeu. Quem falou foi o Ramos ao meu lado:

— Eu te levo lá em cima para descansar!

A música estava tão alta que machucava os ouvidos. Pensei que, já que ele também estava bêbado, poderíamos simplesmente subir para descansar juntos. Então respondi:

— Tá bom.

Ele também estava cambaleando e, apoiado em mim, subiu comigo, trêmulo, em direção ao andar de cima.
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