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Capítulo 2

Author: Noorie
O fato de todos estarem ocupados parabenizando Edward facilitou para que eu saísse sem ser notada.

Um táxi já me esperava para me levar até a Zona Neutra.

Minhas malas estavam mais leves do que nunca.

O peso de dez anos de devoção patética havia sido queimado junto com aquela carta.

Mas, ao virar o corredor próximo à grande escadaria, o ar ficou pesado.

O cheiro enjoativo de lírios e perfume caro…

Eu sabia exatamente quem usava aquilo.

— Indo para algum lugar, Sonya?

A voz estalou como um chicote.

Congelei.

Edward estava ali, com o casaco formal de gola alta perfeitamente ajustado aos ombros.

Sob seu braço… Beth.

Naquela luz, ela parecia uma boneca de porcelana — pálida, frágil…

E completamente letal.

— Achei que tinha sido claro na mensagem — Edward zombou, os olhos descendo para as malas nas minhas mãos. — Eu disse para você ficar no seu quarto. Não disse que podia arrastar sua sujeira pelo salão principal enquanto meus convidados ainda estão aqui.

— Estou seguindo suas instruções, Edward — respondi, com a voz firme, sem o tremor desesperado que antes me definia.

— Você disse que dividir o mesmo teto comigo era humilhante. Estou apenas removendo essa humilhação.

Um lampejo de surpresa cruzou os olhos dele.

Mas antes que pudesse falar, Beth deu um passo à frente, com a voz doce e enjoativa:

— Sonya, por que você sempre precisa dificultar as coisas para o Edward?

— Sair da casa dele e depois correr para os pais dele chorando, só para piorar ainda mais a relação deles?

— Por que você não deixa essa família em paz?

Ela avançou mais um pouco, o vestido de seda sussurrando como uma cobra na grama.

— Ou isso é sua nova tática? — continuou. — Acha que, fingindo ir embora, Edward vai perceber que não consegue viver sem a sua sombra?

— Patético — Edward completou, com o lábio curvado em desprezo. — Você me perseguiu por dez anos. Todos nós sabemos que essas malas provavelmente estão cheias das minhas camisas velhas que você roubou. Para com essa encenação, Sonya. Volta pro seu quarto, tranca a porta e fica lá até eu decidir o que fazer com você.

As palavras de Edward atravessaram meu peito.

Ele estava certo.

No passado, eu era exatamente assim.

Guardava lixo e objetos que ele usava como se fossem tesouros…

Uma devoção doentia que, naquela época, eu chamava de amor.

Mas não mais.

— Não é encenação — eu disse, encarando-o. Pela primeira vez, não desviei o olhar. — Eu estou indo embora. Para sempre. Pode ficar com a casa, o título e o silêncio que você sempre quis.

Tentei passar por eles.

Mas Beth bloqueou meu caminho.

Os olhos dela brilharam com crueldade, embora a voz fosse carregada de falsa preocupação:

— Não posso deixar você ir e criar mal-entendidos entre Edward e os pais dele. Não quero que ele seja perturbado por sua causa, Sonya — ela sibilou.

Ela estendeu a mão, as unhas afiadas cravando no meu antebraço enquanto tentava puxar minha mala.

— Solta, Beth — avisei.

— Me obriga, sua… — ela sibilou com desdém.

Quando puxei o braço de volta para recuperar minha mala, os olhos dela se arregalaram.

Mas não foi surpresa.

Foi cálculo.

Ela não tentou recuperar o equilíbrio.

Em vez disso, afrouxou o aperto e se jogou para trás.

O corpo dela bateu no chão de mármore com um som seco e doentio.

O vestido de seda se espalhou ao redor como uma flor destruída.

— Beth! — Edward rugiu.

Ele já estava ao lado dela no instante seguinte, envolvendo-a nos braços.

Beth soltou um gemido fraco, segurando o tornozelo, os olhos cheios de lágrimas manipuladoras prestes a cair.

— Meu tornozelo… Edward, está doendo — ela choramingou, escondendo o rosto no peito dele. — Eu só queria pedir para ela não agir por impulso… por que ela me empurrou com tanta força?
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