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Capítulo 3

Author: Noorie
A cabeça de Edward se ergueu bruscamente.

O rosto dele já não era apenas arrogante.

Era monstruoso.

As veias em seu pescoço pulsavam com um violeta sombrio e predatório.

— Você finalmente passou dos limites, Sonya — ele sibilou, a voz vibrando com uma intenção assassina que eu conhecia bem demais da minha vida passada. — Eu te dei um teto, e você retribui atacando a única mulher que eu amo? Quer ir embora? Ótimo. Mas vai sair com uma lembrança do que acontece quando toca no que é meu.

Ele começou a se levantar.

As presas lentamente se estenderam.

O ar no corredor caiu para um frio congelante.

No segundo seguinte, fui puxada para perto dele.

Suas mãos se fecharam no meu pescoço, me prensando contra a parede.

As presas roçaram perigosamente a pele sensível do meu pescoço.

— Pede desculpa pra Beth! — ele rosnou. — Agora!

— Pedir desculpa? — soltei uma risada leve. — Ela caiu sozinha.

A mão de Edward se ergueu no ar, pronta para me acertar.

Foi então que a voz fraca de Beth ecoou:

— Ed, por favor, para! — ela implorou, os olhos marejados. — Se você bater nela por minha causa, ela vai contar pros seus pais… e eles vão me culpar.

Ele me soltou na mesma hora.

Mas seus olhos…

Escureceram.

Carregados com aquele ódio que sempre doía ver direcionado a mim.

— Esse é o seu verdadeiro eu. Manipuladora e calculista — ele zombou.

Manipuladora e calculista?

Era assim que ele me chamava… quando eu não fazia absolutamente nada.

Se fosse no passado, eu já estaria de joelhos, implorando, explicando tudo para que ele não me entendesse mal.

Mas agora…

Eu não me importava mais.

Ele podia pensar o que quisesse.

Eu já tinha me cansado de me explicar.

Uma vez, Beth derramou vinho nos próprios sapatos que Edward tinha acabado de dar a ela… e me culpou, dizendo que eu fiz aquilo por ciúmes.

Eu cortei meu próprio pulso.

Ofereci meu sangue para Edward beber… para que ele visse a verdade através dele.

Mas ele apenas segurou meu braço sangrando…

E me jogou de lado.

— Eu não preciso ver nada. Eu acredito na Beth! — ele cuspiu. — Quanto a você, sua punição é limpar as botas dela… lambendo o vinho com a língua.

— Pode pensar o que quiser — eu disse friamente. — Eu cansei de provar a minha verdade.

Agarrei a alça da minha mala e passei por eles.

Sem olhar para trás.

Sem olhar para as portas de obsidiana.

Nem para a placa de prata que me colocava abaixo de um cão.

Mas, ao alcançar o último degrau…

Um calor assustadoramente familiar tocou a nuca.

Congelei.

Meu olhar se ergueu para o horizonte.

O céu já não era mais o índigo profundo e protetor da madrugada.

Era um laranja machucado, sangrando.

Um fio dourado do sol começava a surgir no horizonte.

Não…

Agora não.

Na minha vida passada, o "Sol Eterno" era a ferramenta favorita de tortura de Edward.

Mesmo para um vampiro, o amanhecer não significava morte instantânea…

Mas para alguém de baixa linhagem como eu…

Era uma morte lenta e agonizante.

Uma dor que primeiro queimava a alma… antes de carbonizar a carne.

Eu tinha calculado mal o tempo.

Aquele confronto lá dentro roubou os minutos preciosos de escuridão que eu precisava para chegar à Zona Neutra.

Girei rapidamente, o coração batendo forte contra as costelas.

Corri até a porta, desesperada para voltar para a segurança das sombras da mansão…

Mesmo que fosse só até o sol subir completamente e eu pudesse chamar um transporte com proteção solar.

A maçaneta não se moveu.

Click.

O pesado trinco de ferro deslizou pelo lado de dentro.

Pela pequena abertura reforçada de vidro na porta…

Um par de olhos apareceu.

Edward.

Ele estava do outro lado.

Se inclinou, sua respiração embaçando o vidro.

Não disse nada.

Mas seus lábios se curvaram em um sorriso lento…

Cruel.

Atrás dele, Beth se apoiava em seu ombro.

O tornozelo "machucado"…

Milagrosamente curado.

— Se quer que eu te deixe entrar — ele disse — peça desculpas à Beth agora.

— E ligue para meus pais. Diga que não tem mais interesse em mim. Diga para eles pararem de me forçar a ficar com você… porque você gosta de outra pessoa.
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