MasukBELINDA
— Bom dia minha menina!
Exclamou a senhora Johnson, minha vizinha. A casa que comprei além de uma excelente arquitetura e paisagem, tem uma boa vizinhança. Fiz questão em comprar em especial a casa ao lado da senhora Johnson, uma antiga professora do colégio interno que frequentei no passado. Diferente do pensamento da maioria das pessoas, tive uma experiência satisfatória e em minha mente só habitam boas memórias. As professoras possuíam conhecimento em como disciplinar e educar os alunos. Todo o corpo docente era rígido, mas acolhedor. Haviam muitas meninas órfãs, assim como eu. Mesmo que eu tivesse o meu padrinho, não era a mesma coisa que ter seus pais vivos. — Bom dia senhora Johnson. A torta de maçã estava uma delícia. Digo sorridente. Um sorriso de orelha a orelha formou-se na face da senhora de meia idade. Entreguei o recipiente à mulher que ruborizou, acanhada mesmo sendo a mesma cujo tratou-me com gentileza e afeto. — Mas eu devo repreendê-la senhora Johnson. — Pelo o que minha menina ? Eu sorri. — Se a senhora continuar me alimentando desta maneira, o meu fim será como o da Petúnia Dursley. A mulher diante de mim franziu o cenho confusa. — Não conhece ? — Não faço a mínima ideia. Gargalhei segurando o meu ventre que dava um pequeno vislumbre. — É uma personagem de Harry Potter. Petúnia Dursley é a irmã da mãe do protagonista da obra. A senhora deveria ver, é um dos meus filmes favoritos. A senhora Johnson e eu iniciamos uma conversa animada. Quando a hora aproximou-se do meio dia, nós nos despedimos e eu partir rumo ao centro da cidade. Estacionei o meu carro diante da cafeteria Huff’s. Esse local era um dos meus lugares favoritos no passado quando era jovem, foi este o lugar onde Liam e eu nos encontrávamos no começo do nosso namorado, quando eu ainda era uma garota jovem e inexperiente nos assuntos da vida. — Belinda ? Uma voz familiar inundou os meus ouvidos. O sorriso que brotou nos meus lábios foi genuíno. — Mikael! Desci do veículo me jogando em seus braços. Mikael e eu nos conhecemos no colégio interno. Havia uma ala para meninos e outra para meninas, mas isso não era suficiente para nos esgueiramos pela madrugada enquanto vagávamos pelo local aprofundando nossas memórias e a nossa amizade. Quando eu decidi me entregar e casar com Liam eu tinha dezesseis anos e essa tola e apaixonada atitude minha ocasionou no meu afastamento das pessoas como Mikael. Depois de algum tempo descobri que o mesmo foi enviado para Dubai, às ordens de seus pais.Afinal, ele é o único herdeiro da família Seymour, sendo assim, desde o seu nascimento ele havia de ser instruído para assumir o seu lugar de direito. — Senti sua falta. Meu melhor amigo exclamou. — Eu também. Senti muita saudade de você. Por onde andou ? Nunca mais recebi notícias suas. Se você pretendia se aventurar, porque não me deixou ao menos um contato ? — Como eu poderia ? Mikael indagou. Eu me enfureci pelo o seu semblante surpreso. — Como eu poderia ? Eu fui atrás de você no internato. — Você foi atrás de mim ? A voz baixa e surpresa de Mikael abriu uma antiga ferida no meu peito. Fazendo-me lembrar a profundidade do nosso afastamento.“Eu não consigo acreditar nisso Belinda. Eu não vou aceitar que você se case com aquele cara!”
Mikael gritou segurando o meu pulso com possessividade."Você não tem que aceitar nada. Eu vou me casar com ele porque nós nos amamos.” Retruquei como se possuísse a verdade em meus pulmões. Se naquela época eu soubesse como o meu casamento terminaria, eu não teria dito aquelas palavras. A minha versão do futuro teria uma longa conversa com a Belinda do passado. Debaixo da chuva ao lado do depósito nós permanecemos em silêncio. Naquela época eu já desconfiava, mas sempre ignorei os sentimentos de Mikael por mim. No fundo eu achava que ele estava confuso, nós éramos jovens e eu não queria perder o meu melhor amigo ao me aventurar em um romance.“Eu amo você Belinda.” Essa frase sentenciou a nossa amizade. Eu fiquei em silêncio, então Mikael continuou.“Eu amo você, eu amo há muito tempo. Não acredite nas palavras mentirosas daquele oportunista. Em breve farei dezoito anos e posso lhe dar o futuro Belinda! Só me dê mais um tempo, até eu ter o controle das finanças da família.” Naquele momento eu desejei que uma fenda fosse aberta debaixo dos meus pés para que eu não machucasse o seu coração. Entretanto, isso não aconteceu e eu deveria ser firme pois eu o amava, mas não como homem.“Eu não amo você Mikael… não dessa maneira.” Durante toda a minha vida eu nunca havia um homem chorar, não como Mikael chorou naquele momento. Soltando os meus pulsos ele desabou sobre os joelhos. O seu choro foi desolador. Eu me abracei, de cabeça baixa enquanto ele soluçava entre as gotículas da chuva. Nós dois permanecemos em silêncio por um longo tempo, até que o fôlego acabou e os nossos corações partiram. Cada um a sua maneira.[SEIS MESES DEPOIS]BÉATRICE MONTMORENCY* * * — PAPAI! — Aeliana gritou sendo jogada no alto por Henry que gargalha com a nossa filha. Observo os dois e penso em como em tão pouco tempo os dois se aproximaram, parecendo que nunca estiveram separados. No começo imaginei que fosse necessário fazer terapia, mas no final as coisas fluíram e agora eles se tornaram inseparáveis. — SOCORRO… MAMÃE! — novamente meu pequeno sol grita pulando da cama. Meu coração quase salta para fora ao ver os dois correndo como duas crianças pelo quarto — PEGA A MAMÃE! — Aeliana declarou e os dois viaram na minha direção. Sinto a cama afundar com o peso dos dois, mas sou mais rápida. — Os dois, vamos parando! — adverti tanto o pai como a filha — Em pleno domingo e vocês dois ainda não tomaram nem mesmo chave? — Aeliana fez beicinho descendo da cama. Seguro a vontade de rir diante do seu pijama de dragão — A senhorita está muito indisciplinada, se continuar assim vai voltar para o internato. — Mas mamãe!
BÉATRICE * * * — Ma-mãe? — Aeliana perguntou, um pouco confusa, ela adentrou o escritório. Assim que os seus olhos se encontraram com os meus, ela sorriu correndo na minha direção, porém, ao perceber outra pessoa no local ela hesitou no meio do caminho — Mamãe… porque tá chorando? — ela pergunta mesmo que os seus olhos estejam fixos em Henry. Ao meu lado, Henry permanece imóvel fitando Aeliana com intensidade. Não sei exatamente como está o seu coração, mas provavelmente deve estar uma bagunça e impressionado como a nossa filha parece tanto com ele. Apesar de sermos muito próximas e até mesmo parecidas, Aeliana é como um espelho de Henry. Seus fios são como a obsidiana, além de resistentes, possuem volume, semelhante aos de Henry que só mantém a elegância pelo corte regular. Sorrio observando os dois se encararem em silêncio. Os orbes como safiras fitam Aeliana dos pés a cabeça e eu imagino o que Henry deve imaginar quando ver sua filha vestida de maneira tão peculiar, ele vai
BÉATRICE* * *— Eu sinto muito… Henry. — digo entre as lágrimas. É tudo que o meu pulmão cansado consegue falar. Pedir desculpas de um jeito tão covarde.Mesmo que eu peça perdão de joelhos, eu não conseguirei devolver os anos perdidos de Aeliana ou a primeira vez que ela me chamou de “mamãe” que para Henry teriam sido momentos como “papai” também. No fim, pedir perdão é tudo que me resta.— Eu não posso te devolver os anos perdidos de Aeliana… eu sei. — minha garganta dói e o bolo desce rasgando, mas eu não posso parar — Não desista de Aeliana e por favor, não deixe respingar nela nenhum dos meus erros. Ela tudo que eu tenho… sem ela. Eu não tenho mais nada. — declarei com toda a força que me restava no meu corpo — Eu sei que pareço ser uma mãe negligente que abandonou a filha para se vingar do seu ex marido, mas não é sobre isso. — fungo entre as palavras — Eu precisava me livrar de tudo que me amarrava ao passado. Juro que tentei esquecer, mas, todas às vezes que eu via Aeliana eu
BÉATRICE* * *— Como? — perguntei boquiaberta com as palavras do meu irmão. De repente alguém bater na porta, é uma das empregadas.— Senhor e senhorita. — a mulher se curva — Tem um convidado aguardando pela senhorita, posso informar que a senhorita irá descer ou acompanho o mesmo até aqui?— Não. — respondi por reflexo, mas me recomponho para Aeliana não ouvir o teor da conversa — Não… informe ao convidado que estarei descendo. Peça-o para que me aguarde. Por favor.— Sim, senhorita. Irei transmitir as suas palavras. Com licença. — após se curva, a mulher saiu deixando eu e Ethan a sós.— O que pretende fazer? — Ethan questionou e só uma coisa me veio à mente, a minha filha. Sem pensar muito, respondi:— Irei vê-lo. — digo e oriento Ethan a esperar alguns minutos com Aeliana, para que de tempo até que eu leve Henry para um lugar onde possamos nos falar com tranquilidade. Afinal, é um assunto extremamente delicado.Desço os degraus da escadaria da mansão pensando nas possibilidades
[ALGUNS DIAS DEPOIS]BÉATRICE* * *Tudo desmoronou, era como se uma avalanche tivesse nos pego de surpresa. Contudo, eu sabia que no final daquela história eu era a errada.Não havia justificativas.Quando eu vi minha filha tremendo nos braços de Henry eu fiquei desesperada e entrei em choque. Foi ainda pior pela forma como ele descobriu.Se eu soubesse que aquelas ligações eram de Sofia e da diretora do internato eu teria atendido, mas eu não poderia imaginar, afinal havia falado com Sofia no dia anterior e estava tudo bem… ou melhor, eu achava que estava.— Ei, não adianta se lamentar agora. — meu pai apertou o meu ombro direito tentando me tranquilizar da merda que eu havia feito.— Eu sei. — respondi tomando um pouco do café da minha xícara. Observo minha filha ainda adormecida em seu quarto na mansão do meu pai.Depois daquele dia a doutora Collins informou que devido a teve um quadro de psicogênica, mais conhecido como febre emocional, o que me deixou parcialmente mais tranquil
HENRY* * *— Henry… eu posso explicar. — Béatrice declarou e eu encarei perplexo. A menina em seus braços se contorce de dor, sua pele está completamente vermelha e mesmo que eu quisesse entrar em um conflito resolvo agir ao invés disso. Corri apressadamente até o quarto para vestir minha calça e pegar as chaves do meu veículo.Não demoro muito e já estou na sala. O homem de cabelo acinzentado ainda não havia retornado, sem esperar por ele eu pego a menina dos braços de Béatrice.Assim que a garota está em meu colo ela geme de dor e seu rostinho se contorce. Céus, que menina linda! Meus olhos doem e sinto vontade de chorar pelo desespero, mas me recomponho. Tomando a menina em meus braços, caminhei para fora do apartamento.— HENRY! — Béatrice me gritou do corredor. Não dei ouvidos. Desço os degraus da escada de emergência com medo de vascular e deixar a garota nos meus braços cair. Minha mente está a milhão pensando nas possibilidades dessa garota ser filha de Béatrice e…— Não vo







