ログインFazia seis anos que eu trabalhava em uma embaixada no Paraguai. Tinha planos de me tornar diplomata e fazer pós-graduação na Itália, mas sem pestanejar eu disse “sim” para o Gabriel e, a partir dali, minha vida se transformou. Voltei para Assunção, pedi demissão no trabalho e me mudei para o Rio de Janeiro (RJ), onde morei com ele.
A maioria das pessoas do meu convívio reprovou minha decisão. “É loucura se mudar para o Brasil antes de preparar todos os detalhes do casamento”, diziam. Talvez, de maneira inconsciente, eu quisesse me casar do jeito que aconteceu: dentro de poucos meses, em uma cerimônia simples no cartório, ao lado de quem realmente se importava comigo. Fizemos apenas um brinde com familiares e os melhores amigos do Gabriel; minha mãe e minhas tias vieram nos prestigiar também. Planejávamos fazer uma festa no Paraguai um tempo depois, mas, por fim, esse projeto nunca se concretizou.
No início, foi um pouco desafiador ser paraguaia no Brasil. Vivi diversas lições, principalmente relacionadas à questão racial. Eu não imaginava que pudesse existir tanta discriminação, pois minha criação foi pautada na valorização das pessoas, sem fazer distinção de raça, nacionalidade ou qualquer outra diferença.
Eu me sentia incomodada quando contava minha origem e alguém brincava: “você é original?”. Essa foi a pergunta que mais ouvi. Para descontrair, eu dizia que era uma “carioca falsificada”, ou carioca “sem gema”. Acredito que muitas pessoas não conhecem o verdadeiro Paraguai. Somos um país que importa produtos de qualidade das marcas mais renomadas do mundo, onde é possível encontrar mercadorias originais a preços mais acessíveis que no Brasil.
Eu me encantei com as praias brasileiras, mas quanto à culinária, às vezes sinto falta da paraguaia e preparo minha própria refeição. Em terra estrangeira, também senti saudades da minha família, em especial dos nossos encontros de domingo, em que nos reuníamos para saborear a boa e típica comida do nosso país, acompanhada por um tereré, uma bebida emblemática, à base de erva-mate, semelhante ao chimarrão brasileiro, mas preparada com água fria e muito popular no verão. Costumamos misturar ervas medicinais à bebida, o que a torna ainda mais refrescante.
Aprender português foi outro desafio. Apesar de ser um idioma parecido com o espanhol, eles se diferenciam em muitos pontos, especialmente na pronúncia, que foi meu maior obstáculo. Hoje eu me considero fluente em português. No entanto, alcançar esse nível não foi uma tarefa simples, exigiu anos de estudo e aprofundamento na gramática para que pudesse escrever corretamente.
Alguns meses antes do casamento, descobri o motivo do afastamento de meu amigo Carlos. Ao chegar em um jantar com Gabriel, Carlos nos viu, levantou-se e deixou a mesa sem explicação. Segui-o por alguns metros e questionei a razão daquela atitude.
— Pergunte para o seu namorado qual é o problema — respondeu aborrecido.
Voltei para a mesa de jantar e também não consegui uma resposta de Gabriel. Depois de muita insistência, outras pessoas que estavam conosco decidiram revelar a verdade: Carlos era apaixonado por mim e planejava me pedir em casamento quando terminasse a faculdade e voltasse para o Paraguai.
A última vez que nos vimos foi na formatura dele e de Gabriel. Naquela oportunidade ele desejou felicidades para meu relacionamento, no entanto, fez um alerta que não levei em consideração na época:
— Gabriel é um cara muito bacana. Só tome cuidado com a mãe dele.
O curioso é que o pai do Gabriel me deu o mesmo conselho, mas como havia se divorciado da esposa, julguei que o comentário trazia uma carga pessoal pela frustração do rompimento do matrimônio. A verdade é que, tanto Carlos quanto meu ex-sogro, queriam me poupar do pesadelo que, sem imaginar, eu viveria meses depois.
Eu buscava um casamento estável, tranquilo, em que existisse apoio mútuo, respeito e boa comunicação. Gostaria de me sentir esposa de verdade, não amiga, nem “coleguinha” de quarto, uma mulher que recebesse apoio do marido em qualquer circunstância. Além disso, levei os conselhos da senhora Soledad comigo:
— Vocês estão entrando em uma família que não conhecem — dizia aos filhos que iam se casar —, mas se respeitarem seus sogros como pai e mãe, tenho certeza que vocês vão se dar bem.
Soledad explicava que, por mais que relacionamentos com sogras fossem desafiadores, cabia a nós, genros e noras, cuidarmos delas, principalmente na velhice, quando precisariam de ajuda. E foi com esse pensamento que comecei minha vida de casada.
Prevenção, reconstrução e encerramento de um ciclo tóxicoA prevenção da Alienação Parental depende, прежде de tudo, de uma mudança profunda na forma como os adultos lidam com separações, frustrações e diferenças. Sempre que o foco deixa de ser o bem-estar da criança e passa a ser a disputa entre os adultos, abre-se espaço para a manipulação emocional e para a destruição de vínculos essenciais. Por isso, promover uma comunicação respeitosa, buscar mediação quando necessário e reduzir a exposição dos filhos aos conflitos do casal são medidas indispensáveis.Também é importante compreender que a Alienação Parental não nasce apenas em grandes crises. Muitas vezes, ela começa em pequenas atitudes: comentários maldosos, omissões, distorções de fatos, punições emocionais e tentativas de impor uma versão única da realidade. Quando isso se repete, o filho passa a absorver uma visão contaminada do outro genitor, acreditando que rejeitar é a única forma de permanecer amado. Esse é um dos mecani
Parte 2 — A dor dos pais e o peso emocional sobre os filhosNa Alienação Parental, existem duas vítimas diretas: o filho e o genitor alienado, que experimenta sensações de impotência, frustração, tristeza e ansiedade ao perceber que, pouco a pouco, a relação com o filho está sendo comprometida. Essa dor é silenciosa, mas profundamente devastadora, porque atinge o que há de mais sensível em uma relação humana: o vínculo afetivo entre pais e filhos.Contudo, é fundamental reconhecer que a Alienação Parental não se limita aos ex-cônjuges. Embora muitas vezes surja após a separação do casal, ela também pode ser praticada por avós, tios, padrastos, madrastas ou qualquer pessoa próxima que detenha influência sobre a criança. Quando a alienação parte de um dos avós, o conflito se torna ainda mais complexo e doloroso, pois as vítimas se multiplicam: além dos netos, que perdem o contato saudável com um dos genitores, também são atingidos o genro ou a nora, que passa a ser alvo de desqualificaç
Uma inimiga chamada Alienação Parental: Quando o afeto é manipulado e a lei precisa intervirDesde 2010, o número de divórcios cresce no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só em 2022, aconteceu uma separação para cada 2,3 casamentos. O fim de uma relação já é, por si só, uma experiência desgastante para o casal. No entanto, quando existem filhos, outro conflito doloroso pode surgir e prolongar o sofrimento de todos os envolvidos: a Alienação Parental.Trata-se da circunstância em que um dos pais — ou alguém próximo —, denominado alienador, manipula o filho com a intenção de romper os laços afetivos que ele tem com o outro genitor. Essa atitude pode causar danos psicológicos sérios ao menor envolvido, pois a Alienação Parental provoca uma ruptura significativa com o genitor alienado, isto é, aquele que sofre a alienação. A criança pode desenvolver uma visão negativa do pai ou da mãe alienado, baseando-se em percepções distorcidas ou falsas,
Ansiedade que consome e tratamento eficazSegundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade, o que coloca o Brasil na posição de país mais ansioso do mundo. São 18,6 milhões de pessoas que se sentem preocupadas e tensas na maior parte do tempo, mesmo quando não há motivo aparente para isso. Além do Brasil, outros quatro países lideram o ranking mundial de ansiosos: Paraguai (7,6%), Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%) e Austrália (7%).A ansiedade costuma causar palpitações cardíacas, suor excessivo, dificuldade para dormir, inquietação, irritabilidade, falta de concentração e medo constante de situações cotidianas. Embora não se generalize, algumas pessoas muito ansiosas podem desenvolver a Síndrome do Pânico, transtorno que, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, caracteriza-se por “crises de ansiedade repentina e intensa com forte sensação de medo ou mal-estar, acompanhadas de sintomas físicos”. Ou seja, são graves
Convivência familiar, tratamento e risco de suicídioPor outro lado, a depressão também muda a convivência em família. Sentimentos como tristeza profunda, irritação e o desejo de se isolar podem causar brigas, dificuldades de entendimento e um peso emocional em todos os envolvidos. Para o indivíduo doente, é difícil ter controle sobre suas emoções; por isso, nos momentos difíceis, é importante oferecer apoio emocional, ouvi-lo e manter uma comunicação honesta e aberta.Além de estabelecer limites e ter uma comunicação assertiva, existem outras estratégias que familiares e amigos podem usar para cuidar de si mesmos enquanto apoiam alguém com depressão ou bipolaridade. Praticar o autocuidado é um excelente caminho e não se trata de egoísmo, mas de uma necessidade para manter a saúde e a felicidade.Essa escolha envolve uma série de práticas que promovem o bem-estar, como: ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos com regularidade e manter a higiene do sono para conquista
Milhões de mulheres incapacitadas: Transtornos do humor, depressão e bipolaridadeInúmeras doenças mentais podem causar transtorno de humor. Tal termo é utilizado para designar alterações emocionais que persistem por longos períodos, podendo se manifestar como tristeza profunda, alegria em excesso, ou ambos. Alguns exemplos comuns desses transtornos incluem depressão e transtorno bipolar.A depressão se caracteriza como um estado persistente de tristeza profunda, perda de interesse ou prazer em atividades cotidianas, acompanhada de sintomas físicos e mentais. Já o transtorno bipolar é caracterizado por episódios de humor elevado, chamados de mania — quando existe uma drástica mudança de humor e níveis de energia — ou hipomania — quando se trata de um quadro mais leve de mania —, alternados com episódios de depressão. Enquanto na depressão a pessoa se sente triste de forma constante, quem tem bipolaridade alterna entre se sentir muito triste e muito feliz ou agitado.Cada indivíduo pod