LOGINCapítulo 68: Ponto de vista de RonanA Mira liga essa manhã e o Ryker atende porque o telefone dele está mais perto e sua mão é a mais rápida, o que é o tipo de reflexo operacional que anos de treinamento alfa produzem mesmo em situações que não têm nada a ver com eficiência operacional. Ele coloca no viva-voz antes de dizer alô, o que significa que ele já sabe que é importante."Ela quer ter a conversa", diz a Mira.A suíte do hotel fica muito quieta."Os três", a Mira continua. "No mesmo cômodo. Nos termos dela. No ritmo dela." Uma pausa. "Não hoje e provavelmente não essa semana. Ela disse que precisa de mais alguns dias para se certificar de que está dizendo isso de um lugar claro em vez de um lugar ainda dolorido." Outra pausa. "Estou dizendo a vocês não porque ela me pediu para dizer, mas para que vocês estejam preparados quando a hora chegar e não sejam pegos de surpresa."O Ryker olha para mim. Eu olho para o Rafe. O Rafe está olhando para a janela."Diga a ela que entendemos"
Capítulo 67: Ponto de vista de ElaraO boato finalmente caiu, finalmente morreu.Ele desmoronou do jeito que a Penda disse que faria... sem novo combustível, sem uma fonte que se sustentasse, sem nenhum detalhe corroborante que permanecesse consistente entre as versões circulando. No vigésimo terceiro dia tinha se reduzido a uma menção casual ocasional na sala de espera da clínica, do tipo incerto que significa que quem fala não tem mais certeza se acredita. Ontem tinha sumido.Notei sua ausência do mesmo jeito que notei sua chegada... no meu corpo primeiro, na textura específica de me mover por Silverveil sem o peso dela pressionando de todas as direções. O mercado. A clínica. A caminhada para casa. Tudo mais leve do que esteve na última semana.O alívio trouxe suas próprias complicações, que eu tinha previsto e que chegaram mesmo assim.Porque com o boato fora não há nada externo em torno do qual me organizar. Nenhuma informação nova chegando, nenhum combustível fresco para a dúvida
Capítulo 66: Ponto de vista de RafeEu pude sentir um movimento dramático no meu peito, o vínculo... o que ela está fazendo... o que ela está sentindo.Estou de pé na borda leste da linha das árvores, quarenta e três minutos na segunda hora de vigia, quando acontece. Não uma mudança dramática... nada no vínculo é jamais dramático quando importa. É sutil, do jeito que coisas importantes tendem a ser sutis: uma mudança de pressão, como uma porta em algum lugar de uma casa que esteve selada por semanas soltando silenciosamente sua trava.Não aberta. Nem perto de aberta. Mas a trava... a qualidade deliberada, blindada, mantida fechada que tem percorrido o vínculo desde que a fotografia chegou... está diferente essa noite.Fico muito quieto e presto atenção a isso do jeito que presto atenção a tudo completamente, sem interpretação, apenas recebendo a informação e deixando que seja o que é em vez de correr para decidir o que significa.Significa que ela tomou uma decisão sobre algo.O que q
Capítulo 65: Ponto de vista de ElaraJá se passaram 21 dias desde que a Viv me deu a fotografia (não sei por que isso ficou grudado em mim e por que não consigo seguir em frente e deixá-los ir), sete dias desde que comecei a ouvir o boato, continuo contando os dias, o que nenhuma loba normal faria.O boato está diminuindo.Sei disso porque a Penda mencionou isso essa manhã, com cuidado, do jeito que ela menciona as coisas, observando meu rosto para ver se a informação ajuda ou machuca. "Está perdendo força", ela disse. "A versão que está circulando agora é mais vaga que a da semana passada. Ninguém consegue encontrar uma fonte e nada de novo surgiu para sustentá-la."Eu disse obrigada. E eu quis dizer isso.Boatos sem evidência desmoronam. Eu sei disso. Sei disso desde o dia seguinte em que a Penda me contou... a parte analítica de mim que se recusa a parar de processar os dados mesmo quando a parte emocional é a mais alta. Um noivado real teria uma declaração. Um compromisso real ter
Capítulo 64: O ponto de vista de RykerO meu telefone tocou; Olhei para o número. Mantinha-o nos meus contactos desde a primeira semana — acrescentado sem observações, nunca utilizado. Fiquei a olhar para o ecrã por um toque inteiro antes de atender."Mira", disse eu."Ela ligou a alguém ontem à noite". A voz de Mira era cautelosa, comedida — o tom que usa quando traz uma informação e não sabe bem como a transmitir. "Da varanda das traseiras. Não consegui ouvir as palavras. Mas o Landon ouviu o tom de voz e disse que ela soava como ela própria... a versão sem medo."Fiquei imóvel."Para quem é que ela ligou?", perguntei."Não sei. Ela não me disse esta manhã e eu não perguntei." Uma pausa. "Mas achei que devia saber que ela está a avançar. Seja qual for a direção, ela está a seguir em frente.""Obrigado", disse eu."Não me agradeça. Apenas... continue a fazer o que tem fei
Capítulo 63: Ponto de vista de MiraEla janta. É a primeira vez que noto que se senta e come mesmo — não aquela encenação de estar apenas a mexer na comida, típica das últimas duas semanas, mas sim comer de verdade, levando o garfo à boca, presente o suficiente no próprio corpo para sentir fome. É um pequeno pormenor e não comento nada, pois comentar iria deixá-la sem jeito e ela pararia. Mas apercebo-me e registo-o juntamente com tudo o que tenho vindo a arquivar na memória há vinte e um dias.Landon conduz a conversa durante o jantar, como sempre faz quando os adultos estão calados, descrevendo uma modificação estrutural que tem vindo a planear para o sistema de drenagem secundário do forte — algo que, pelos vistos, passa por desviar a água da chuva para longe dos pontos de ancoragem da ponte de cordas. Fez um esboço na margem da lição de casa. Ele mostra-me o desenho. Digo que é uma solução de engenharia muito bem pensada. Acena com a cabeça, satisfeit







