LOGINGiulia
Eu sabia que Danilo era temido por quem era, pelo poder que carregava no sobrenome. Mas, para mim, naquele momento, ele só parecia um grande idiota.
Sabia também que muitas mulheres dariam tudo para ficar com ele.
Mas eu não era uma delas.
Na verdade… eu simplesmente não me importava.
— O que vocês conversaram? — perguntou Geórgia depois que Danilo foi embora.
— Nada de importante. Ele queria saber se eu tinha algum pedido para o noivado.
Ela cruzou os braços, pensativa.
— Ele é bonito. Muito bonito.
— Paolo também é — respondi. — E bem menos frio.
Ela revirou os olhos.
Eu não estava mentindo.
Danilo era lindo, isso era inegável. Mas havia algo nele que parecia… distante demais. Frio demais. Como se fosse impossível realmente se aproximar.
Paolo, por outro lado, além de bonito, tinha algo mais leve. Um sorriso fácil, um ar sarcástico que parecia tornar tudo menos pesado.
E eu gostei disso.
Nos dias que se seguiram, Marco começou a aparecer cada vez mais.
Sempre por perto.
Sempre tentando falar comigo.
E aquilo estava me irritando profundamente.
Eu não podia contar nada ao meu pai. Se contasse, ele iria querer saber o motivo da minha raiva, e eu não conseguiria explicar sem revelar tudo o que havia acontecido entre mim e Marco.
Depois daquele dia em que o peguei com Grazy, ainda vi os dois juntos algumas vezes.
Ela saindo da casa dele de fininho.
E, a cada vez que via aquilo, sentia meu sangue ferver.
Enquanto isso, em casa, o assunto do noivado parecia não ter fim.
Minha mãe queria me arrastar para escolher vestidos.
— Eu já tenho ótimos vestidos — reclamei.
— Giulia, por favor — respondeu ela, paciente. — É o seu noivado. Você precisa de um vestido novo, bonito. Afinal, você será a futura esposa de Danilo Marino. Precisa se comportar como tal.
Revirei os olhos imediatamente.
— Eu quero um vestido novo. E sapatos também — disse Georgina, animada, claramente se divertindo às minhas custas.
Suspirei.
— Tudo bem, mamãe. Podemos ir amanhã.
No dia seguinte fomos até uma loja onde sempre comprávamos vestidos. Havia vários modelos lindos, mas eu simplesmente não estava no clima.
Parecia que o noivado era de Georgina.
Ela estava empolgada, andando pela loja, escolhendo vestidos, sapatos, acessórios… enquanto eu apenas observava.
Depois de algum tempo encontrei um vestido.
Longo, azul, elegante.
Quando experimentei, ele se ajustou perfeitamente ao meu corpo, realçando meu rosto e minha silhueta. Decidi que usaria o cabelo solto, talvez com as pontas levemente onduladas para dar mais movimento.
Escolhi também um scarpin preto com solado vermelho que eu simplesmente adorei.
Provavelmente usaria no casamento também.
Os dois meses passaram voando.
Agora eu estava nervosa.
Em algumas horas estaria oficialmente noiva de Danilo Marino.
E, em poucos meses, seria sua esposa.
Para piorar, Marco não parava de me cercar com suas desculpas esfarrapadas.
Eu sabia que ele continuava com Grazy.
E ainda assim insistia em agir como se realmente se importasse comigo.
— Você vai mesmo se casar, Giulia? — perguntou ele um dia. — Você gosta de mim.
— Eu não gosto de você. Agora me deixa em paz, Marco. Só… me deixa.
Voltei para o meu quarto e terminei de me arrumar.
Quando me olhei no espelho, tive que admitir:
Eu estava bonita.
E cada vez mais nervosa.
— Giulia, eles chegaram! — disse Georgina, entrando no meu quarto e se jogando na minha cama.
— Como estou? — perguntei.
Ela me analisou por alguns segundos.
— Muito bonita.
— Ótimo.
Respirei fundo antes de descer as escadas.
Assim que entrei na sala, meus olhos se encontraram com os de Danilo.
Ele estava impecável, como sempre.
Terno escuro, postura firme, olhar atento.
— Posso falar com Giulia a sós no seu escritório? — perguntou ele ao meu pai.
— Claro — respondeu meu pai. — Só não demorem.
Entramos no escritório e senti o nervosismo voltar imediatamente.
— Eu não mordo — disse Danilo com um pequeno sorriso. — A menos que peçam.
Idiota.
Esse pensamento parecia surgir automaticamente sempre que ele falava.
— Quero te entregar seu anel de noivado — continuou ele. — Espero que goste.
Ele pegou minha mão com cuidado e colocou o anel em meu dedo.
Era lindo.
Delicado.
Parecia que ele realmente tinha adivinhado meu gosto.
— Vamos? — disse ele, oferecendo o braço.
Voltamos para a sala, onde todos os convidados aguardavam.
Assim que entramos, todos os olhares se voltaram para nós.
A noite foi… surpreendentemente agradável.
Danilo era extremamente educado e, em nenhum momento, me deixou desconfortável. Comecei a torcer para que aquilo não fosse apenas uma fachada.
Esperava que ele fosse o tipo de homem que deixava a violência fora de casa.
Assim como meu pai.
Eu sabia que Danilo era conhecido por ser frio e implacável.
Só esperava que aquilo não se voltasse contra mim.
Quando tudo terminou, eu estava exausta.
Saí para a área externa da casa, precisando de alguns minutos de silêncio para respirar.
Agora era real.
Na verdade, sempre foi.
Mas agora parecia diferente.
Logo eu deixaria de ser Giordano.
E me tornaria a senhora Marino.
Danilo cumpriria as promessas que fez?
Conseguiríamos viver bem sob o mesmo teto?
— Agora é real, né? Não tem mais volta.
A voz de Marco atrás de mim me fez suspirar.
— Não, não tem. E, Marco, por favor… para de me rondar. Eu não aguento mais. Foi você que estragou tudo entre a gente.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Giulia, volta pra mim. Você não precisa ficar com ele. Podemos ir embora daqui. Podemos fugir.
Ele passou a mão pelo meu rosto.
E, por um segundo, tudo ficou confuso outra vez.
Eu gostava do cheiro dele.
Gostava das mãos dele.
Da voz.
Gostava de Marco.
Gostava o suficiente para ter pensado em pedir à minha família permissão para me casar com ele.
Mas depois do que eu tinha visto…
Eu nunca mais conseguiria confiar.
Afastei a mão dele do meu rosto.
— Boa noite, Marco.
Voltei para dentro da casa e fui direto para o meu quarto.
Tomei um banho, me deitei e apoiei a cabeça no travesseiro.
Mas o sono simplesmente não vinha.
Por mais que eu tentasse…
Eu não conseguia dormir.
Danilo
Casar nunca esteve nos meus planos.
Realmente não esteve.
Mas tradição era tradição, e naquele mundo as tradições pesavam mais que qualquer vontade pessoal. Para muitos homens da organização, um líder solteiro parecia irresponsável, impulsivo demais para comandar uma família inteira.
Mesmo eu já tendo provado inúmeras vezes que era leal, disciplinado e, quando necessário, cruel com os nossos inimigos.
Ainda assim, esperavam que eu me casasse.
Quando ouvi pela primeira vez o nome de Giulia Giordano, não senti nada em especial. Não houve curiosidade, nem entusiasmo.
Era apenas mais uma peça em um acordo entre famílias.
Quando finalmente a vi, precisei admitir uma coisa: ela era bonita.
Muito bonita.
Mas não senti aquele tipo de encantamento que os homens costumavam descrever quando falavam de mulheres. Para mim, aquilo continuava sendo apenas um arranjo necessário.
Pelo menos ela não era tão jovem quanto muitas garotas daquele meio.
Giulia era apenas quatro anos mais nova que eu, o que já era um alívio considerável. Sempre achei ridículo ver homens se casando com meninas que mal haviam terminado a escola.
Algumas eram jovens o suficiente para serem suas filhas.
Nunca tive paciência para esse tipo de coisa.
Quando fui à casa da família Giordano pela primeira vez, ficou claro quase imediatamente que Giulia não queria aquele casamento.
Assim como eu.
Mas também era evidente que ela entendia que aquilo era necessário.
Durante o almoço, observei-a com atenção.
Giulia tinha cabelos castanhos longos que caíam sobre os ombros com naturalidade e uma pele perfeita. Havia também algo no perfume dela — uma mistura suave de baunilha e flores — que era difícil de ignorar.
Mas não era apenas a aparência que chamava atenção.
Ela não parecia submissa.
Na verdade, havia algo no olhar dela que indicava exatamente o contrário.
Quando ficamos sozinhos e perguntei se ela tinha algum pedido para o casamento, imaginei ouvir algo sobre vestidos, cerimônias ou convidados.
Mas não foi isso que ela disse.
Ela queria continuar estudando.
Por um momento, fiquei realmente surpreso.
Quem, em pleno século vinte e um, ainda se incomodava com a própria esposa estudando?
Então lembrei.
No nosso meio havia muitos homens que ainda pensavam dessa forma.
Homens inseguros, com mentalidades pequenas.
Idiotas.
Para mim aquilo não fazia a menor diferença.
Na verdade, era até melhor.
Se Giulia continuasse estudando, teria algo para ocupar seu tempo. Provavelmente passaria boa parte do dia longe de casa, e nossas interações seriam limitadas ao necessário.
Era exatamente o tipo de casamento que eu imaginava.
Um acordo.
Uma fachada.
Manteríamos as aparências diante das famílias e da organização. Participaríamos dos eventos necessários, agiríamos como marido e mulher quando fosse preciso… e fora disso cada um seguiria a própria vida.
Sem dramas.
Sem expectativas.
Eu apenas esperava que Giulia entendesse exatamente isso.
Que aquele casamento seria apenas uma formalidade.
Nada além disso.
GiuliaDanilo tomou minha boca em um beijo feroz, daqueles que me faziam esquecer qualquer pensamento que não fosse ele. E como eu adorava aquilo!Enquanto sua boca se ocupava da minha, uma de suas mãos percorreu meu corpo sem qualquer cerimônia, deslizando pela minha cintura e parando por um instante em meu quadril. Sorri contra seus lábios, sentindo um arrepio percorrer minha pele quando ele se afastou apenas o suficiente para beijar meu rosto.Depois, desceu para o meu pescoço.Inclinei a cabeça, oferecendo-lhe mais espaço, e meus dedos se perderam em seus cabelos enquanto ele espalhava beijos pela minha pele. Danilo parecia determinado a não deixar nenhum vestígio do batom intacto, e eu já não tinha a menor intenção de reclamar.Seus lábios continuaram descendo, devagar, até que ele se afastou de mim e se ajoelhou diante dos meus olhos.— Não sabia que um Don se ajoelhava — murmurei.— Por você, sempre — respondeu.Danilo levantou a barra do meu vestido e colocou minha perna esque
DaniloO jantar foi maravilhoso. Estávamos todos reunidos, conversando e rindo, e, por algumas horas, minha casa parecia apenas uma casa de família, não a residência de um Don.Viviana, para minha surpresa, se deu muito bem com os pais de Giulia. Henrico parecia satisfeito com a companhia dela, enquanto Vittoria a tratava com a mesma gentileza com que acolhia todos naquela noite. Paolo e Georgina, por outro lado, estavam fazendo um trabalho admirável ao fingirem que se suportavam. Se eu não conhecesse meu irmão e não tivesse percebido o modo como Georgina evitava olhar para ele, talvez até acreditasse naquela encenação.Mas não era problema meu. Pelo menos, não naquela noite.Mais tarde, quando os fogos começaram a iluminar o céu, encontrei meu lugar ao lado da mulher que eu amava. Giulia estava de costas contra meu peito, e meus braços envolviam sua cintura enquanto observamos as luzes coloridas explodirem acima de nós. Enterrei o rosto em seus cabelos, respirando seu perfume, e sen
DaniloO sorriso desapareceu do rosto dele por um segundo. Paolo olhou na direção de Georgina, que conversava com nossos pais, e soltou um suspiro.— Ela deve estar contando para eles o quanto sou um marido desgraçado.— Agora você vai saber como me sinto todas as vezes que os visito e Giulia começa a chorar, como se eu a maltratasse dentro de casa.Paolo soltou uma risada sem humor.— Eles nos obrigaram a casar. A culpa é deles.— Você teria que se casar de qualquer jeito, e eu sei que gosta dela. Então, resolve logo essa merda.Ele fechou a expressão
Giulia— Você está linda, meu amor — disse meu pai, sentando-se ao meu lado no sofá.Sorri e me aconcheguei um pouco mais perto dele. A verdade era que eu queria deitar no colo do meu pai e chorar. Não por estar triste, exatamente, mas porque, às vezes, tudo o que eu precisava era deixar de ser uma mulher adulta e voltar a ser apenas a filhinha dele.Queria sentir seus dedos acariciando meus cabelos, ouvir que estava tudo bem e descansar por alguns minutos sem precisar me preocupar com nada.Mas eu tinha acabado de me arrumar, minha maquiagem estava impecável e meu cabelo havia ficado exatamente como eu queria. Não pretendia estragar tudo antes mesmo de o jantar começar.Deixaria aquele momento para quando meus pais fossem embora. Então, talvez, eu pudesse me permitir desabar um pouquinho no colo dele, como fazia quando era mais nova.Meu pai passou o braço pelos meus ombros e beijou minha testa, como se tivesse entendido meus pensamentos sem que eu precisasse dizer uma palavra. Sorri
GiuliaQuando finalmente terminamos, subimos para nos arrumar.Eu estava prestes a entrar no banheiro quando Danilo segurou minha mão.— Que tal tomarmos banho juntos?Olhei para ele com um sorriso que respondeu à pergunta antes mesmo que eu abrisse a boca.Desde o fim da gestação, não tínhamos compartilhado um banho daquela maneira. Entre o desconforto dos últimos meses de gravidez, o nascimento de Augusto e a rotina cansativa que se instalara em nossa casa, havíamos perdido alguns desses pequenos momentos de intimidade.E eu sentia falta deles.— Sim — respondi, aproximando-me para beijá-lo.Pouco depois, a água quente escorria sobre nossos corpos, enquanto permanecíamos abraçados, sem pressa para fazer qualquer outra coisa. Encostei o rosto no peito dele e senti seus braços me envolverem. Por alguns instantes, não pensei na ceia, nos convidados ou em todas as tarefas que ainda precisávamos concluir. Éramos apenas Danilo e eu, aproveitando a tranquilidade de estarmos juntos.Ele apo
GiuliaDurante aquela semana, dediquei boa parte dos meus dias à decoração de Natal. Queria que a casa estivesse bonita e acolhedora para receber minha família, e Romero acabou se tornando meu ajudante, mesmo que não tivesse exatamente se oferecido para a tarefa.Eu já gostava dele antes, mas, depois do nascimento de Augusto, meu carinho havia ganhado uma nova dimensão. Talvez, para ele, tivesse sido apenas mais um dia de trabalho, mas, para mim, significava muito mais.Enquanto ele desenrolava um dos fios de luzes que pretendíamos colocar na sala, aproveitei a oportunidade para tocar no assunto.— Quero que você venha para o jantar de Natal.Romero ergueu os olhos para mim, parecendo não entender de imediato.— Não precisa se incomodar, senhora Giulia.— Primeiro, não me chame de senhora. Já conversamos sobre isso. — Apontei um dedo para ele, tentando parecer séria. — Segundo, não é incômodo nenhum. Quero você e Viviana aqui com a gente.Ele voltou a olhar para as luzes em suas mãos.







