FAZER LOGINGiulia
Os dias continuavam passando e, por mais que eu tentasse, era impossível fugir do assunto casamento.
Tudo, absolutamente tudo, girava em torno disso.
Flores.
Vestidos.
Convites.
Música.
Comida.
Decoração.
Parecia que a casa inteira tinha sido tomada por esse único tema. Mamãe passava horas com catálogos espalhados pela mesa da sala, enquanto Georgina opinava sobre absolutamente tudo como se o casamento fosse dela.
Danilo, por outro lado, não parecia se importar com nada disso.
Então por que eu precisava?
— Giulia, esse será seu único casamento. Tem certeza de que não quer escolher nada? — perguntou Georgina, sentada no chão do meu quarto, cercada por revistas de decoração.
Revirei os olhos.
Mas ela tinha razão.
Talvez aquele realmente fosse meu único casamento.
Não fazia ideia se algum dia me casaria por amor. Na verdade, nem sabia se isso ainda era possível para mim depois de tudo que tinha acontecido com Marco.
Então talvez eu devesse, pelo menos, deixar alguma coisa com a minha cara.
Mamãe já havia reservado o salão de um dos melhores hotéis da cidade. Eu sabia que ela cuidaria de tudo com perfeição, mas mesmo assim decidi que escolheria algumas coisas.
A decoração.
E a comida.
E pela primeira vez desde o anúncio do noivado, pensei em falar diretamente com Danilo para saber se ele tinha alguma preferência.
No fim das contas, ele também era o noivo.
Desci até o escritório de papai, que estava sentado atrás da mesa analisando alguns documentos.
— Papai, preciso do telefone do Danilo — falei.
Ele levantou os olhos lentamente.
— Para quê?
Suspirei.
— Como assim para quê, papai? Vamos nos casar. Preciso resolver algumas coisas com ele sobre a comida do casamento.
Ele abriu uma pequena agenda sobre a mesa, folheou algumas páginas e depois arrancou um pedaço de papel.
— Aqui — disse, estendendo para mim. — Esse é o número dele.
Peguei o papel.
Quando levantei os olhos novamente, percebi que ele estava me observando com um pequeno sorriso no canto da boca.
— Por que está me olhando assim? — perguntei.
— Nada… — respondeu. — Só achei que você não estava interessada.
Bufei.
— Papai, você sabe que eu não estou. Mas não tenho como fugir disso, tenho?
Ele ficou sério imediatamente.
— Não, Giulia. Não tem.
Houve um pequeno silêncio entre nós.
Então ele continuou, com a voz firme:
— Mas sinceramente… acho que Danilo pode ser um bom marido para você.
Eu não respondi.
Papai se inclinou um pouco para frente na cadeira.
— E se ele fizer qualquer coisa — qualquer coisa — para te machucar… — disse lentamente — podemos começar uma guerra por isso.
Sabia que ele não estava exagerando.
Meu pai podia ser um homem carinhoso dentro de casa, mas lá fora era conhecido por ser implacável.
Sorri de leve.
— Ai, papai… eu realmente espero que dê certo.
Saí do escritório antes que a conversa ficasse ainda mais séria.
Voltei para o meu quarto com o pedaço de papel nas mãos.
O número de Danilo.
Fiquei alguns minutos apenas olhando para os números, como se aquilo fosse algo muito mais complicado do que realmente era.
Então peguei meu celular.
Registrei o contato.
Fiquei pensando se deveria ligar, mas não tinha certeza se ele atenderia. Danilo parecia o tipo de homem ocupado demais para perder tempo com conversas sobre flores e buffets.
Então decidi mandar apenas uma mensagem.
Digitei devagar.
Boa tarde, Danilo. Aqui é a Giulia. Salva meu número, por favor. Preciso falar com você sobre algumas questões do casamento. Assim que puder, me retorne.
Li a mensagem duas vezes antes de enviar.
Quando finalmente apertei o botão, senti um pequeno aperto no estômago.
Agora era só esperar.
Fiquei olhando para o celular por alguns minutos depois de enviar a mensagem.
Nada.
A tela continuava exatamente do mesmo jeito.
Suspirei e coloquei o aparelho sobre a cama, tentando agir como se não me importasse. Afinal, eu mesma não queria aquele casamento, então não fazia sentido ficar ansiosa esperando uma resposta dele.
Mesmo assim… eu olhei para o celular de novo alguns minutos depois.
Ainda nada.
Passei o resto da tarde tentando me distrair com qualquer coisa. Ajudei mamãe a escolher alguns arranjos de flores, ouvi Georgina falar durante meia hora sobre como o vestido dela precisava ser perfeito e até tentei estudar um pouco.
Mas a verdade era que, de tempos em tempos, eu pegava o celular.
E nada.
Quando a noite chegou, já estava irritada.
Ele nem sequer tinha visualizado a mensagem.
Será que estava ocupado?
Ou simplesmente decidiu ignorar?
No dia seguinte, acordei e a primeira coisa que fiz foi olhar o celular.
Nenhuma resposta.
Nenhuma ligação.
Nada.
Respirei fundo, sentindo a irritação crescer dentro de mim.
Então joguei o celular sobre a cama.
— Idiota — murmurei.
Danilo
A data do casamento se aproximava cada vez mais.
Depois do noivado, eu não tinha voltado a ver Giulia. Não que isso me incomodasse. Na verdade, tornava as coisas mais simples.
Meu pai, por outro lado, parecia determinado a me lembrar todos os dias que eu estava prestes a me casar.
Falava sobre o terno.
Sobre a casa onde eu e Giulia moraríamos.
Sobre a lista de convidados.
Sobre coisas que, sinceramente, eu não tinha o menor interesse em discutir.
Estávamos na sala quando Paolo decidiu abrir a boca, como sempre fazia quando queria me irritar.
— Você precisa marcar sua tarde de beleza para o dia do casamento — disse ele, com aquele sorriso insuportável no rosto.
Olhei para ele sem paciência.
— Cala a boca. Eu já tenho tudo o que preciso em casa.
Ele soltou uma risada curta.
— Cara, você vai se casar com uma mulher linda. Não dá para aparecer na cerimônia com essa camiseta preta de sempre.
Cruzei os braços.
— Eu já tenho um terno.
Ele ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo.
Então decidi provocá-lo de volta.
— E então… você acha minha noiva linda?
Paolo não hesitou nem um segundo.
— Claro que acho. Aqueles olhos castanhos, aqueles cabelos… só se eu fosse cego para não achar.
Ele inclinou a cabeça de lado, observando minha reação.
— Está com ciúmes por acaso?
Soltei um pequeno riso sem humor.
— Claro que não.
Fiz uma pausa antes de completar:
— Mas ela é bonita mesmo.
E era verdade.
Giulia era, de fato, muito bonita.
Naquela noite cheguei em casa já passava da uma da manhã.
O dia tinha sido longo e eu não tinha energia para pensar em absolutamente nada relacionado ao casamento.
Tomei um banho rápido, troquei de roupa e me joguei na cama.
Peguei o celular, mais por hábito do que por interesse, passando os olhos por algumas notificações.
Até que uma mensagem chamou minha atenção.
Era de Giulia.
Boa tarde Danilo, aqui é a Giulia. Salva meu número por favor. Preciso falar com você sobre algumas questões do casamento. Assim que puder me retorne.
Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.
Questões do casamento.
Claro.
Era exatamente o que eu imaginava que aconteceria.
Flores e mais flores…
Mil detalhes desnecessários.
Suspirei.
Por mim, iríamos apenas ao cartório, assinaríamos os papéis e tudo estaria resolvido.
Mas obviamente aquilo não seria suficiente para as famílias.
Nem me dei ao trabalho de responder.
Bloqueei a tela do celular e o deixei sobre a mesa de cabeceira..
Se ela queria falar sobre flores e toalhas de mesa, aquilo podia esperar.
Virei para o lado na cama e fechei os olhos.
Em poucos minutos, eu já estava dormindo.
Giulia Eu vou matar essa desgraçada.Fiquei do lado de fora de casa por alguns minutos , eu precisava respirar.Eu estava com raiva, ela era uma cínica, me tratava como se eu fosse uma adolescente burra e não a filha dos donos da casa e sim, claro que fiquei com mais raiva dela desde que a peguei com Marco, eu gostava daquele desgraçado, ele sabia. Eu sonhava em casar com aquele idiota, eu estava disposta a enfrentar meus pais por ele.E ele me traiu com ela. Depois dessa situação, ela não disfarçava sua antipatia por mim. Ela andava com um ar de superioridade, como se ela estivesse ganhado. E merda, fazia tanto tempo desses acontecimentos, mas a cara dela fazia parecer que foi ontem e agora ela estava dando em cima do meu marido.Eu confiava em Danilo, ele não me trairia com ela. Ele não era Marco.Quando voltei para dentro de casa, Grazy estava chorando na sala de jantar, com Danilo, meu pai e minha mãe ao lado dela.Minha mãe me olhou meio confusa. Danilo estava encostado na par
GiuliaAcordei e fiquei olhando Danilo dormir, como ele podia ser tão bonito? Mesmo com o rosto sério, a barba por fazer… Ele era lindo, e grávida, eu parecia estar mais boba e apaixonada.Ele se mexeu e eu me apoiei no braço para continuar olhando para seu lindo rosto.— Bom dia, minha linda — disse ele.— Bom dia, meu amor — falei beijando sua testa.— Por que está me olhando assim? — perguntou ele.— Só estava pensando no quanto você é bonito e no quanto sou apaixonada por você — falei sorrindo.— E no quanto você é linda, você já pensou? — disse ele acariciando meu rosto.Fechei os olhos e me permiti sentir aquele carinho gostoso.— Giulia, eu espero que possamos ser para nosso bebê, tudo o que seus pais são para você. Eu admiro sua família, admiro o carinho de vocês. — falou.Danilo nunca falava de minha família e meus pais não gostavam dele e com razão, principalmente meu pai. Ele achava que esse acordo havia sido um erro, que eu deveria ter me casado com outra pessoa, outro Don
DaniloEu me sentia um merda, por pensar em sexo a todo momento, mas o que eu podia fazer se a mulher que dormia ao meu lado era tão gostosa?Giulia era maravilhosa e merda, eu queria transar com ela em todos os cantos da casa, mas ela estava grávida e eu não queria ser o marido babaca que só pensava em sexo. Eu sabia que as mulheres se sentiam desconfortáveis na gestação, perdiam a libido, passavam mal e eu não queria ser o marido idiota que só pensava em sexo. Eu não era esse cara, mas caramba, eu precisava dela.O dia foi um caos e me senti aliviado ao chegar em casa, mas quando entrei no quarto e vi Giulia de bruços, lendo, me dando uma das melhores visões de sua bunca, precisei ir direto para o banheiro tomar banho, eu pularia sobre ela e a comeria gostoso, do jeito que sabia que ela gostava.Quando sai do banheiro e me encostei na cama para conversar com ela, acabei sendo surpreendido com ela montando em meu colo e falando que precisava gozar.Sexo era tudo o que eu queria, mas
Giulia Eu estava nervosa, com muito medo e feliz, eram tantos sentimentos.Naquela manhã saímos cedo de casa para uma consulta médica, estávamos ansiosos e com a expectativa de ver nosso bebê pela primeira vez.Durante a consulta ouvimos atentamente ao que a médica falava e então chegou a hora da ultrassonografia. Me deitei sobre a maca e levantei minha blusa, senti o gel gelado tocar minha pele e Danilo ficou ao meu lado me observando atentamente.Olhamos para a tela e então o barulho mais esperado, o som do coração do nosso bebê, o coração do nosso filho. Não pude conter uma lágrima que insistiu em descer.Danilo estava sério, não disse nada e não esboçou nenhuma reação.Após o ultrassom, a médica disse que estava tudo bem, receitou algumas vitaminas e pediu alguns exames.Eu fiquei tão feliz por ela ter dito que estava tudo bem, aquilo foi um grande alívio. Eu não queria que o passado me assombrasse durante toda a gestação.O caminho para casa foi tão silencioso, e desconfortável,
Danilo Eu não sei o que estava acontecendo com Giulia, mas ela estava tão diferente. Brigávamos praticamente todos os dias, ela ia dormir chorando, não conversávamos direito, depois ela aparecia mais manhosa e começava tudo outra vez.Eu já não sabia o que fazer, ela não conversava comigo, só ficava brava ou chorava e sinceramente, eu estava começando a ficar com medo. Medo de ela não gostar mais de mim, medo de não estar feliz, de me abandonar e fugir…Merda, é por isso que não deveríamos gostar de ninguém, olha onde estou agora?!Balancei a cabeça e tirei esses pensamentos, impossível ser fraco quando se ama, eu era feliz com aquela mulher, como poderia pensar diferente?Eu estava preocupado de verdade, pensei na possibilidade de ela estar doente, pensei em tantas coisas, aquela não era ela.Decidi que tentaria passar mais tempo com ela, levá-la ao médico, fazer alguma coisa, então resolvi algumas coisas e voltei para casa com o intuito de chamá-la para almoçar, mas quando cheguei,
Giulia Era final de fevereiro e eu estava tão exausta, que parecia fim de ano novamente, sentia exaustão,sono e irritabilidade a todo momento.Talvez Danilo tivesse razão, eu precisava de férias.— O que aconteceu? — perguntou Danilo.— Nada, só quero um pouco de colo.— Ultimamente você está tão manhosa — diz ele.— Não posso pedir colo para o meu próprio marido? Estou cansada Danilo, só quero relaxar um pouco — falo elevando a voz sem perceber.— O que está acontecendo Giulia? Ultimamente você fica irritada por tão pouco, você quer brigar por nada.— Quer saber? Vou deitar — digo subindo as escadas, nervosa e quase chorando.E era disso que eu estava falando, nem eu entendia o que estava acontecendo.— Linda, o que aconteceu? Está brava comigo? O que eu fiz?— Nada Danilo, não aconteceu nada.— Giulia, alguma coisa aconteceu. Temos discutido praticamente a semana toda e no final você só vem para o quarto e chora. Preciso saber o que aconteceu, você não está feliz? Não gosta mais de







