ログイン— ANGELLL, VEM AQUI AGORA!
Essa é minha mãe, Tânia é o nome dela. Eu e minha mãe não nos damos muito bem, quer dizer, genitora, não posso chama-la de mãe já que quem desempenhou esse papel a minha vida inteira foi minha babá... Sim, apesar de ter 16 quase 17 anos, quem sempre fez esse papel tão importante foi Amélia, minha amada babá. — O que você aprontou desta vez, Angel? Amélia entra no meu quarto desesperada. Tânia dificilmente falava comigo, mas quando me gritava assim era por que havia descoberto alguma de minhas “fugas”. — Aprontei nada, Amélia... Você sabe que ela gosta de me torturar! Digo me levantando da cama. — Ela é uma bruxa, isso eu sei... Amélia sussurra para que minha mãe não ouça. — Mas eu sei que você não facilita, o que você aprontou? — Saí com Flavinha, mas foi de madrugada, não sei como essa peste ficou sabendo! Tânia tinha uma fonte secreta, por que sempre sabia das minhas fugas, mas impossível dela ter visto, já que toma calmante para dormir e tenho certeza que os seguranças da casa jamais contariam para ela. — Vai logo, depois vamos conversar sobre essas suas fugas! Estou me preparando para sair do quarto quando ela, a bruxa má entra no meu quanto. Tânia parecia a cruella do filme 101 dálmatas, sempre bem arrumada, com um cigarro eletrônico na mão e aquela cara de superioridade. — Estou chegando ao ponto de te algemar na cama toda vez que eu for dormir! Aonde Você Foi? Ela está aos berros e nem são 8 da manhã ainda, minha cabeça chega estremecer de tanta dor. Eu fico em silêncio encarando ela. Apesar de eu odiar essa mulher, ainda sim eu tinha medo dela. Tânia sabe torturar, é agressiva e apesar da maioria das vezes ela me colocar de castigo, algumas vezes já me bateu e eu prometi a mim mesma que jamais permitiria que ela me tocasse outra vez. — Anda Garota, Me Responde! Ela berra e meu pai aparece na porta do meu quarto. — Uma hora dessa e essa casa já está esse inferno? — Não se mete Gilmar! Essa garota está ultrapassando todos os limites... 16 anos e fica vagando por aí com marginais, ela pensa que não sei! Não era bem com marginais que eu andava, era com pessoas simples, mas pra Tânia qualquer um que não morasse na zona sul era favelado ou marginal. — Não são marginal quanto vocês... Digo baixo e entre os dentes. Foi mais forte que eu, apesar de não querer que ela tivesse ouvido, as coisas saem da minha boca sem filtro, sem pensar nas consequências. E para variar, só que não, sinto a consequência da minha boca grande arder meu rosto... Sim, acabo de levar um tapa no meio do rosto, desta vez foi tão forte que sinto gosto de sangue. — Eu vou surtar com vocês, vou surtar! Meu “pai” sai do quarto resmungando. É isso mesmo gente, ele não se importava comigo, nenhum dos dois se importavam, eu só não entendo o por que me tiveram... Vai entender! — Sua merdinha, olha o que tú fez! Azedou seu pai logo cedo! Eu? Eu azedei ele? Ela acorda cedo fazendo o maior escândalo e eu é quem azedo ele? Penso, mais não digo nada, só permaneço com a mão no rosto e seguro para não chorar, não na frente dela. Tem anos que me prometi não derramar uma lágrima na frente dela, eu sentia que era prazeroso para Tânia me ver chorando, sentindo dor, ela tinha prazer em me torturar. — Senhora... Amélia tenta falar, mas Tânia a interrompe. — Cala a boca, Amélia! Essa garota está assim sem limites por sua culpa, que não a educou corretamente, não fez seu papel direito! — Não grita com ela! Grito... — Eu aceito tudo, inclusive suas agressões, mas não grita com Amélia, ela fez mais por mim que você! — Ah ela fez? Tânia segura forte meu cabelo e continua falando ... — Ela te veste? Paga escola e cursos caros? Suas viagens? Ah já sei, é ela que te dá o dinheiro que você gasta toda madrugada? Ela é uma pobre coitada que não tem aonde cair dura... — Tânia eu estou falando... Lava a boca para falar da Amélia... Não vou aceitar vê você ofendendo ela... Advirto Tânia, mesmo ela com meus cabelos em sua mão... Meu olhar é estreito, mais furioso e Tânia sabe muito bem qual é o meu limite e uma vez que chego nele, ninguém me segura, por que o surto é grande. Da última vez eu quebrei metade da mansão, inclusive seus perfumes caríssimos. Apanhei? Sim, mas deixei todo mundo doido dentro dessa casa. Tânia respira fundo e pensa no que vai falar. — Está de castigo, é curso e casa! — Por que odeia tanto que eu saia para me divertir? Eu sei que não se importa comigo, então por que essa farofada toda cada vez que saio? — Estou me lixando pra você Angel, lixando! Mas o nome da família está em jogo, não quero ser associada a esses favelados que você costuma chamar de amigos. Ela faz cara de nojo e solta meu cabelo. Era isso, Tânia morria de medo que uma de suas amigas me veja na companhia de “favelados”. — Pois então vá se acostumando, por que tudo que você odiar, eu vou ter o prazer em fazer! Digo entre os dentes, mas recuo com dois passos para trás quando ela ameaça a vir pra cima de mim. — Chega Angel... Eu vou conversar com ela dona Tânia. Amélia entra na frente e mesmo correndo o risco de ser mais uma vez hostilizada pela megera, ela tenta me proteger... Tânia fica me encarando e antes de sair enfim do meu quarto diz: — Apronta mais uma e eu te envio para a casa da sua tia Vera! Graças a Deus ela sai do meu quarto. — Angel... Por que tú provoca ela? Amélia diz preocupada e vai até meu banheiro para pegar a caixa de primeiros socorros. — Ai... Resmungo quando ela passa um remédio vermelho no corte na lateral da minha boca. — Eu estava quieta, mais ela tinha que abrir aquela boca para te humilhar... Isso eu não aceito! — Não preciso que me defenda, eu sou adulta, sei lhe dar com ela! — Não adianta Amélia, se ela te ofender de novo, eu surto outra vez! Amélia arregala os olhos assustada. — Para de falar besteira, da última vez Kiara passou 4 dias arrumando a bagunça que você fez! Kiara era a responsável pela limpeza da casa. — É só Tânia manter aquela boca fechada! Digo brava. — Vai tomar banho, você tem curso daqui a pouco! Ela me dá um beijo e saí do meu quarto.Estávamos dentro do carro, estava indo em direção a comunidade e depois de controlar meu choro, Victor puxa assunto. — O que ela falou? Ele quer saber. — Confessou que Gilmar não é meu pai, disse que meu pai me registrou, me bancou por todos esses anos, mas nunca veio me ver... — E aí? Você vai atrás dele? — Eu não sei... Eu estou confusa... Ele me abandonou, não quis saber de mim. — Mas ele te bancou, isso significa algo neh? Ele me olha rapidamente e depois volta a olhar para o trânsito. — Eu não sei... Acho que ele me bancou para manter Tânia quieta e eu longe... — Não acredito nisso. Ficamos em silêncio até chegarmos na comunidade. ... Assim que entramos em casa, eu já me jogo na cama, fico olhando para o teto e tento decidir se quero saber mais dele ou não. Victor deita sobre mim e fica me encarando. — Eu queria poder tirar de você todas essas preocupações, queria
Angel... — Diz pra mim que isso está errado?! Digo mostrando minha certidão a ela. Eu estou na porta de Tânia, seus olhos se arregalam e ela me dá as costas entrando em casa e eu a sigo fechando a porta. — Então você conseguiu seus documentos?! Ela diz enquanto caminha pra longe de mim. — Gilmar é ou não é meu pai? Digo em voz alta. — Você já sabe a resposta! Ela pega uma bebida no bar de Gilmar. — Por que mentiu esse tempo todo pra mim? Começo a chorar. — Por que eu quis, por que pai é quem cria! — Tânia, ele nunca me amou e agora tá explicado o motivo... Quem é o meu pai? Enfim faço a pergunta e Tânia simplesmente se cala. — Tânia, eu mereço saber? Quem é a Porra do meu pa
Esperei os três dias que playboy pediu e estou aqui, de frente pra ela, com o envelope na mão.Ela já sabia que eu havia conseguido tudo, então ela estava ansiosa me esperando.— E aí, ele conseguiu? Angel está a minha frente, suas mãos roçam umas nas outras, ela realmente estava nervosa. — Sim. Digo receoso. Ela começa a gritar e pular de felicidade. — Ainda bem... Nossa, enfim vou poder seguir minha vida... Terminar meus estudos, arrumar um emprego e o principal, nunca mais precisar ver Tânia. Ela tinha um sorriso lindo nos lábios, mas eu estava sério, eu sabia que essa alegria toda ia para a casa do caralho assim que ela tivesse os benditos documentos em mãos. — Tá aqui. Entrego a ela um envelope que Badaró mandou trazerem, ali tinha sua certidão de nascimento, identidade, CPF e até o passaporte dela. Ela se senta na cama e com calma vai tirando documento por documento de dentro do papel
Victor...Estou três dias sem aparecer na casa da Angel, eu precisava de um tempo, precisava me reconectar, voltar a ser o Victor que não se importava com nada, mas confesso que tô com saudade daquela magrela, tô três dia sem dormir direito, mó saudade de dormir sentindo o cheiro dela.Antes de iniciar a ronda com playboy mando mensagem para ela:“Desculpa por aquele dia... Tô com saudades”Não demora muito e ela responde:“ Saudade porra nenhuma, amigo não fica três dias sem dá sinal de vida!”Ela estava brava e eu amo quando ela está brava.“ É sério magrela, me perdoa... Tô três dias sem dormir, mó saudade do seu cheiro.”Ela escreve, aí para de escrever, depois volta a escrever, até que envia a mensagem.“Magrela? Onde eu sou magrela? Victor, você fumou?”Gargalho com a revolta dela.“Bebi não Poh... Mais tarde passo aí ,🤣”“ Eu até ia te desculpar, mas depois desse “magr
Por incrível que pareça, eu dormi bem, muito bem! Acordei por volta das 7 da manhã, tomei um banho rápido, escovei os dentes com o dedo e desci para a parte de baixo da casa de playboy. Tudo estava organizado, fui para a cozinha e playboy estava sentado a mesa que tinha na cozinha tomando seu café da manhã. — Bom dia. Digo sem jeito. — Bom dia! Senta aí, toma um café da manhã. Ele diz firme. — Eu... Tento recusar, já tirei ele do seu quarto e ainda vou tomar café aqui? Não mesmo, não sou tão cara de pau. — Senta logo, Angel! É só um café da manhã... Toma e depois te deixo em casa. Respiro pesado, eu sabia que com ele não tinha conversa, então me dou por vencida. Assim que sento na cadeira, Amélia entra pela porta da cozinha. — Amélia? Falo surpresa por vê-la ali. — Oi minha menina, bom dia... Ela vem até mim e me dá um beijo na minha testa, como fazia todos os dias de manhã
Estamos em seu quarto, eu estou na cama dele e inspiro e expiro várias vezes tentando me acalmar. Meu coração estava muito acelerado, eu ainda tremia. — Ei, calma... Desculpa, eu... Eu não sabia que você ia ficar assim.Ele apesar de falar calmo, ele parecia preocupado. — Me... Me desculpa você... Eu só... Não gosto de comemorar esse dia, tenho lembranças ruins...— Como assim? Nosso aniversário deveria ser o melhor dia da nossa vida... Ele tenta entender o que estava acontecendo comigo. — Não quando a data faz você lembrar da primeira surra que você levou na vida e que daquele dia em diante seu conto de fadas acabou...Soluço enquanto falo e playboy me puxa para deitar a cabeça em seu colo.Ele está sentado na beirada da cama, com os pés no chão e eu já estou com minha cabeça em seu colo, encolhendo o meu corpo naquela cama enorme. — Os tempos ruins se passaram, Angel. Agora você está aq







