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capítulo 4

last update publish date: 2026-09-02 18:16:01

Capítulo 4

Segunda-feira de manhã, a caminho da livraria. Cheguei, fiz a limpeza de sempre e abri as portas. Horas depois, vi Diana e Célia entrando, os rostos

animados.

— Muito trabalho hoje? — perguntaram.

— Poucos clientes — respondi, dando de ombros.

— Não te vimos no culto ontem — comentou Diana.

— Estava exausta demais.

— E como foi o jantar lá na casa dos Kessler? — quis saber Célia.

— Sabe quem eu encontrei lá? — perguntei, meio hesitante.

— Quem?! — perguntaram quase juntas.

— O cara do rio.

— O cara do cavalo?! — Célia arregalou os olhos.

— Ele mesmo.

— O que ele estava fazendo lá? — perguntou Diana, franzindo a testa.

— Ele é o herdeiro dos Kessler. Vocês acreditam que ele foi até a cozinha? Quase morri de susto.

— Não gostei nada disso — murmurou Diana.

— O que ele te disse? — perguntou Célia.

— Que eu sou a garota mais linda que ele já viu.

— Hmm, não gostei. Toma cuidado com esse cara — insistiu Diana.

— Ela tem razão. Essa gente é perigosa, fica longe — reforçou Célia.

— Eu sei. Também não fui com a cara dele. Tenho uma sensação estranha em relação a ele — admiti, sentindo um arrepio só de lembrar.

— Vamos mudar de assunto, vamos falar de coisa boa — Célia sorriu, puxando uma revista da bolsa. — Saiu uma matéria sobre o meu crush,

Christian Dumont. Está um deus nessas fotos.

— Deixa eu ver — pedi, curiosa. Ele era, de fato, lindo — o tipo de homem que parece ter saído de um sonho impossível. Suspirei sem conseguir

evitar.

— É pecado cobiçar o homem dos outros — provocou Diana.

— Que outra? Dizem que ele teve uma noiva, mas ela o traiu com o melhor amigo dele. Desde então, ele não quer saber de mulher nenhuma —

explicou Célia. — Nunca é visto na companhia de ninguém. Dizem que não fica muito tempo com garota alguma.

— Deixa eu ver também — Diana puxou a revista, e não conseguiu esconder o encanto. — Realmente, é um homem formoso.

— Formoso?! — Célia e eu perguntamos ao mesmo tempo, explodindo em risadas com a palavra tão fora de moda.

— Ele é muito gostoso — insistiu Célia.

— De que adianta ser gostoso e lindo se não sabe cuidar de uma mulher? Eu prefiro um homem carinhoso, romântico, fiel, companheiro — respondi,

convicta.

— Lá vem a sonhadora — Célia revirou os olhos, sorrindo.

— A Emy tem razão. Olha aqui, as ex-namoradas dizem que ele é muito frio. A gente não precisa de homem assim — concordou Diana.

— Um homem como ele nunca olharia pra uma garota como a gente — completou Célia, e todas rimos, concordando.

Foi então que a porta da livraria se abriu.

— Vai com calma, cara, não assusta a garota — disse Daniel Foller, entrando ao lado de Damian Kessler

— Boa tarde, meninas! — cumprimentaram, sorrindo.

— Boa tarde — respondemos, um tanto surpresas.

— Em que posso ajudar, senhores? — perguntei, tentando parecer serena.

— Estava procurando por você, garota do rio — disse Damian, os olhos fixos nos meus.

— Meu nome é Emilie — corrigi, firme.

— Tudo bem, Emilie. Gostei muito de você. Vamos marcar um dia para sairmos.

— Senhor… — tentei protestar, mas ele não me deixou terminar.

— Damian, para você.

— Não pretendo sair com homem nenhum por agora — respondi, mantendo a voz o mais controlada possível.

— Tudo bem, Emilie. Nos vemos em breve — disse ele, e saiu com os irmãos Foller sem esperar mais nada.

— Nossa, que homem desagradável — comentou Célia assim que a porta se fechou.

— Verdade, fiquei com medo — admitiu Diana.

— É melhor você não andar sozinha pela cidade por uns tempos — sugeriu Célia.

— Vocês me acompanham até em casa? — pedi.

— Claro! — responderam juntas.

Assim que meu turno terminou, seguimos as três para minha casa. Nos despedimos na porta.

— Que cara é essa? — perguntou minha mãe, assim que entrei.

— O herdeiro dos Kessler apareceu hoje na livraria — contei.

— E o que ele queria lá? — a preocupação já transbordando na voz dela.

— Me convidou para sair.

— Você aceitou?! — perguntou, alarmada.

— Claro que não, mãe.

— E o que ele fez depois?

— Nada, foi embora.

— Não sei, filha… essa gente não está acostumada a ouvir “não”, principalmente nesta cidade — disse minha mãe, séria.

— Eu sei, mamãe. Também achei estranha a reação dele. Talvez ele não seja como o resto da família, quem sabe ele tenha um pouco de caráter —

falei, tentando me convencer daquilo mais do que ela.

— Vou falar com a senhora Eleanor.

— Por agora não precisa, mãe. Ele só me convidou, eu recusei. Prometo que vou ficar bem longe dele.

— Está bem. Agora vamos fazer o jantar, que seu pai deve estar morrendo de fome.

— Tudo bem — concordei, e seguimos juntas para a cozinha, o assunto por ora encerrado — mas não esquecido. -

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