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Capítulo 3

مؤلف: Carbonato
Levei Dona Helena ao shopping de carro. Quando saímos, já tinha anoitecido.

Enquanto isso, Larissa percebeu pelas câmeras de segurança que eu ainda não tinha ido alimentar o cachorro. Achando que eu não iria mais, entrou em contato com Lucas às pressas.

Eu estava prestes a ligar o carro para levar Dona Helena de volta, quando Lucas me ligou.

Fiz questão de colocar no viva-voz para que ela também pudesse ouvir.

— Renata, você não disse que ia alimentar o cachorro da Larissa? Não me diga que esqueceu.

Fingi surpresa:

— Nossa! Se você não falasse, eu nem lembraria. Estou indo agora mesmo.

Lucas fez um som de concordância:

— Vá logo, não enrole.

Desliguei o telefone e olhei para Dona Helena com um ar de desculpas:

— Me desculpe, Dona Helena. A Larissa pediu para eu ajudar a alimentar o cachorro e eu acabei esquecendo. Que tal passarmos na casa dela agora e depois eu levo a senhora para casa?

Larissa cresceu sob os olhos de Dona Helena, que nutria por ela um carinho muito maior do que por mim. Ao ouvir que iríamos à casa dela, ela concordou sem pensar duas vezes.

Todo o meu esforço não foi em vão; finalmente consegui entregá-la de bandeja.

Na vida passada, depois que fiquei desfigurada, essa velha maldita ainda foi me humilhar, mandando eu ficar longe do filho dela.

Dizia que jamais aceitaria um monstro feio entrando na família e que Larissa era a nora que ela sempre quis. Dizia que a culpa era minha por ter me intrometido entre eles.

Quando chegamos ao prédio de Larissa e estávamos prestes a entrar no elevador, virei-me para Dona Helena:

— Dona Helena, acho que deixei meu celular no carro. A senhora pode subir na frente?

Nesse momento, o elevador chegou e Dona Helena subiu sozinha.

Fiquei do lado de fora, observando-a com um sorriso no rosto.

Assim que ela partiu, peguei outro elevador até o andar de baixo do apartamento de Larissa e subi pela escada de emergência.

Mal cheguei ao andar e ouvi um grito agoniante:

— Aaaah!

— Socorro!

Eu me escondi na escada de incêndio. Mesmo com a porta corta-fogo entre nós, os gritos perfuravam meus ouvidos, misturados a latidos ferozes.

Bloqueiei a porta com todas as minhas forças, com medo de que aquele animal sentisse meu cheiro e viesse me atacar. Ao mesmo tempo, liguei imediatamente para a polícia.

Os gritos de Dona Helena logo chamaram a atenção dos vizinhos. Talvez porque o horário fosse diferente nesta vida, o vizinho bondoso que me salvou antes não estava em casa, e ninguém mais teve coragem de sair para ajudar.

Pitbulls são cães agressivos e sua criação é restrita na cidade. Não sei como Larissa conseguiu trazer um às escondidas para o apartamento.

O cachorro, quando ficava de pé, era da altura de uma mulher adulta. Faminto há dias, o corpo frágil de Dona Helena talvez não fosse nem suficiente para saciar a fome dele.

A polícia chegou rapidamente e, após muito esforço, conseguiu abater o animal.

Dona Helena estava caída no chão, coberta de ferimentos. Era evidente que estava gravemente ferida.

O funcionário do condomínio, vendo a cena, ficou com as pernas bambas de medo e ligou imediatamente para Larissa.

— Senhorita Rocha, o cachorro do seu apartamento atacou alguém. Volte imediatamente para resolver isso!

A voz de Larissa soava visivelmente excitada:

— Como isso aconteceu? Estou voltando agora mesmo!

Ela ainda não sabia que a pessoa que tinha sido mordida não era eu.
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