로그인Embora tivesse levado a pior com Dona Helena, ao voltar para casa, Lucas logo recebeu uma boa notícia: Larissa estava grávida.— Lucas, com essa criança, seus pais com certeza vão nos perdoar por causa do neto.Larissa não estava errada. Ao saber do casamento às escondidas, Antônio havia ficado furioso e xingado Lucas de ingrato. Mas, ao ouvir que Larissa estava grávida, seu rosto se iluminou de alegria.Afinal, não tinha sido ele quem fora mordido pelo cachorro. Como diz o ditado: "Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Era fácil perdoar quando a dor não era dele.Mais do que isso, ele ainda foi ao hospital tentar convencer Dona Helena a deixar as mágoas de lado e reunir a família novamente.Para ela, aquilo era como uma faca cortando seu coração: significava reviver o terror toda vez que visse o rosto de Larissa.Mas, com todos insistindo, ela só pôde enterrar a dor no fundo do peito.Nesse dia, eu passeava no shopping quando passei por uma loja de artigos para bebês e encontrei L
Dona Helena ficou dois meses internada até começar a retirar as faixas. Seu rosto estava ainda mais assustador do que o meu na vida passada, como se tivesse sido corroído por ácido, sem um centímetro sequer de pele intacta.Levei algumas coisas ao hospital para visitá-la, preparando-lhe uma “surpresa”.Depois de tudo o que aconteceu, ela passou a enxergar claramente a verdadeira face do filho e de Larissa, e comigo se tornou um pouco mais amigável.Sentei ao lado da cama e comecei a descascar uma maçã para ela. Dona Helena virou o rosto para o lado, evitando que eu olhasse para suas cicatrizes.— Dona Helena, é preciso olhar para frente. Mesmo que Larissa não seja punida pela lei, o carma vai cuidar dela.Dona Helena virou a cabeça bruscamente para mim:— O que você quer dizer? A polícia não vai cuidar disso?— A senhora não está sabendo?— Claro que não! A polícia não entrou em contato comigo nesses últimos dias. O que aconteceu, afinal?Fiz uma expressão de quem estava em um dilema:
Depois de romper de vez com Lucas, fui imediatamente ao apartamento onde morávamos juntos para recolher minhas coisas.Quando Lucas chegou, encontrou a casa de pernas para o ar e ouviu barulhos de gente revirando o quarto.Achando que a casa tinha sido invadida por ladrões, ele correu para dentro e deu de cara comigo liderando uma equipe para "limpar" o lugar.— Larga isso! Larga! Isso é meu! — Gritou ele ao me ver tirar uma peça de roupa do guarda-roupa.Todos no quarto olharam para ele. Eu nem dei bola, apenas enfiei a roupa direto num saco de lixo preto.— Renata! Essa roupa é minha, com que direito você joga fora?!Revirei os olhos e disparei:— O cachorro comeu seu cérebro também, foi? Essa roupa fui eu que comprei, tenho todo o direito de fazer o que eu quiser com ela.— Vou levar tudo o que comprei. E este apartamento também fui eu que aluguei. Já notifiquei o proprietário sobre o cancelamento do contrato. É melhor você se mudar em três dias.Sou filha única e meus pais são empr
Virei-me e fui embora, sentindo apenas um enorme alívio. Finalmente me livrei do destino horrível da vida passada. Tudo aquilo não tinha mais nada a ver comigo.Ao ouvir minhas palavras, Larissa nem ligava mais para os ferimentos no rosto. Ela agarrou a mão de Lucas:— Lucas, o que a gente faz? Pensa em alguma coisa!A mente de Lucas estava um caos. Ele não fazia ideia do que fazer.O que mais poderia fazer? Fugir?Tudo dependia de Dona Helena, que estava na cama do hospital. Se ela não prestasse queixa, nada aconteceria.Ele se jogou diante da cama:— Mãe, não culpe a Larissa. Isso não tem nada a ver com ela. A culpa é toda da Renata!Dessa vez, Larissa realmente se ajoelhou, batendo a cabeça no chão com força repetidas vezes.— Dona Helena, me perdoa. Eu estava errada. A senhora me viu crescer, eu realmente errei.Não importava o quanto implorassem, já era inútil.Os dois tinham ido longe demais. O coração de Dona Helena estava completamente despedaçado. Seus olhos, a única parte vis
Ao ouvir aquele nome familiar, Lucas deixou escapar instintivamente:— O quê?!A enfermeira se assustou:— O senhor é familiar da paciente?Lucas não respondeu. Apenas gritou, exigindo:— Como você disse que ela se chama?!— Helena Mendes. O nome está na placa da cama, é só olhar.Ao ouvir isso, Lucas correu até o pé da cama e viu claramente o nome da própria mãe.— Mãe! É você? Mãe!Ele se aproximou de Dona Helena, ainda tentando confirmar.— Essa senhora... como pode ser a sua mãe? Não faz sentido!Larissa já estava em estado de choque. A situação tinha saído completamente do controle e caminhava para um desfecho desastroso.Nesse momento, pelo canto do olho, ela me viu.— Renata! Você fez de propósito, não fez?! Por que quem se machucou foi a Tia Helena?!Ela gritou comigo, tentando jogar toda a culpa em cima de mim.Limpei uma lágrima no canto do olho e disse:— Eu levei a Dona Helena para passear no shopping. Recebi a ligação no carro e só então lembrei que tinha esquecido de alim
As palavras de Lucas entalaram na garganta. Minha voz soou como uma maldição paralisante, deixando ele e Larissa completamente estáticos.O olhar dele ficou vidrado, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Naquele momento, ele preferia que um fantasma estivesse atrás dele.Larissa foi a primeira a se virar. Ao me ver ali, inteira e ilesa, suas pernas cederam e ela desabou no chão.— Como pode ser você?! — O tom dela era de puro terror. Ela olhou para mim, depois para a pessoa na cama.Sorri levemente e disse:— Larissa, o que foi? Se não sou eu, quem mais seria?Lucas agarrou minha mão, me encarando fixamente, como se quisesse ver através da minha alma.— Você não se machucou? Como você pode não ter se machucado?Ele deixou escapar a dúvida que tinha no coração. Eu devolvi a pergunta:— O quê? Você estava torcendo para que algo de ruim acontecesse comigo?Só então Lucas percebeu que tinha falado demais. Ele forçou um sorriso amarelo:— Eu ouvi dizer que o Nino atacou alguém e fique