Mag-log inMegan Scott
Eu estava de braços cruzados encarando Adam Cameron parado feito um dois de paus dentro da minha casa, me segurando ao máximo para não enxotar ele para fora.
O garoto insuportável!
—Desembucha logo o que você tem para falar, eu não tenho todo o tempo de mundo Cameron — digo irritada.
Adam me olhou com um sorriso de cachorro pidão, como se fosse amenizar a vontade que estou de esbofetear sua cara.
— Antes de tudo eu quero deixar claro que meu desempenho com a aula de hoje não tem nada a haver. — Ele começou— e a proposta que vou te fazer vai te beneficiar também.
—Guarde suas desculpas esfarrapas para você Cameron, vamos logo ao ponto. — Resmunguei enquanto caminhava até a cozinha para desligar a água para que eu havia deixado no fogo.
—Espera— Adam se achou no direito de me seguir, sentado em uma das cadeiras ao redor da mesa com a maior cara de pau. — Eu só... esquece vou fingir que você acreditou e passar para a próxima e mais importante questão.
Subi na cadeira para alcançar uma caixa de chá que estava no alto do armário, tirando de lá um sachê e coloquei na minha xicara, seguindo de um pouco de água fervente. O cheiro de abacaxi com hortelã inundou o ambiente por meio da fumacinha que saia da xícara.
—Há, eu aceito um chá também, obrigada. — Adam me lançou um de seus sorrisos sacanas.
—Eu nem te ofereci, garoto abusado. —Resmunguei enquanto alcançava uma outra xicara com sachê para ele.
—Você não tem educação não, garota?
— E você tem se sobra não é mesmo? —revirei os olhos— se enfiou dentro da minha casa sem ser convidado e ainda por cima está sendo espaçoso.
Ele suspirou enquanto balançava a cabeça. Eu peguei as duas xícaras, deixando uma a sua frente e me sentei do outro lado da mesa, encarando o que o capitão do time de futebol e rei da escola tinha a me propor.
Ele bebericou o chá como se tomando coragem para falar o que veio aqui para fazer.
—Eu queria te pedir uma coisa Megan, uma coisa que é muito importante para mim—ele ergueu os olhos e me encarou sério— eu não sei bem como explicar ou começar isso, então eu vou jogar tudo primeiro, pode ser? Por favor, já imploro que de antemão que você não me mate.
Assenti com a cabeça e parece que o garoto apertou o play e na velocidade máxima desatando a falar.
— Como você sabe estou estamos no meio do campeonato da liga universitária de hóquei e nessa fase há muitos olheiros e patrocinadores observando o time, é uma oportunidade para gente entrar parta o profissional. Meu treinador disse que tenho grandes chances de entrar, mas... além de ter uma boa performance no gelo tenho que ter boas notas e uma namorada, e estava pensando se você pode ser essa namorada.
—O QUE?! — eu gritei me levantando bruscamente da cadeira. —VOCE ESTÁ LOUCO! SAI DA MINHA CASA AGORA!
—NÃO! ESPERA! — Ele se levantou quase que ao mesmo tempo erguendo as mãos em rendimento. — Não estou te pedindo em namoro de verdade, seria um namoro falso, você acha que se fosse de verdade eu estaria te contando. — Aquilo fazia sentido, mesmo assim minha vontade de socar sua cara era grande—Eu estou aqui porque quero sua ajuda por favor.
—Nem vem. Já não basta que entrei nessa furada de aulas extras agora você quer que eu seja sua namorada— disse entredentes, voltando a sentar na cadeira.
—Você precisa me ajudar Megan, eu me dedico, dou o máximo no ringue, mas não depende só de mim para seguir na carreira, os patrocinadores querem um combo, que inclui boas notas e namorada. —Adam se jogou na cadeira com o olhar entristecido.
Continue encarando seu rosto, buscando por algum traço de mentira.
— Eu não quero seja minha namorada de verdade— Adam continuou—Por isso que vim falar com você. —É só fingirmos que estamos namorando até o fim da temporada, só isso. Depois você vai estar livre de mim, para sempre. Por favor estou te implorando Megan. — Sua voz era cheia de súplica— Isso é muito importante para minha carreira profissional.
— E o que eu ganho em troca? — falei séria.
Os olhos de Adam se arregalaram.
—Pois então... tenho uma proposta. Se você fingir ser minha namorada, convenço o professor Jonh a te entregar a chave do laboratório antes do fim do semestre. E ainda de quebra você se livra das investidas de Brian, afinal sendo minha namorada ele não vai ter coragem de te infernizar. — Ele argumenta agora com um sorrisinho no rosto.
Arquei minhas sobrancelhas. Confesso que proposta é boa. A tentação de pegar a chave antes do prazo é tentadora e ainda me livraria das investidas daquele idiota do Brian, o garoto babaca que acha que pode ter tudo o que quer.
—E por que eu? — voltei a sentar na cadeira, o olhando com cara fechada. — Quer dizer você poderia ter escolhido qualquer garota da escola, por que justo eu?
—Porque você me odeia, aliás você é a única garota da escola que me odeia, então não corro o perigo de você se apaixonar por mim e ficar me perseguindo depois— ele fala com um sorrisinho idiota nos lábios.
Encaro minha xicara pensando se devo ou não aceitar a proposta do cabeça de vento do Cameron.
—Ok, eu topo!
Adam abriu um de seus sorrisos ridículos e se recostou na cadeira, se sentindo vitorioso. Cruzei meus braços e continuei a encará-lo com minha cara fechada.
—Então, acordo feito? — ele se levantou e caminhou até meu lado da mesa com uma de suas mãos esticadas na frente. Com certa relutância, eu me levantei também e apertei sua mão.
— Acordo feito!
— Então... acho que não falta mais nada para decidirmos, não é mesmo?
— Ah, falta sim— eu falei enquanto saia da cozinha em direção até a sala para buscar um caderno e uma caneta— falta a coisa mais importante um acordo, as regras.
EPÍLOGO — Cinco anos depoisAlgumas promessas só fazem sentido quando o tempo passa.Hanna MillerEu sempre gostei de multidões.Ainda assim, quando as portas do pequeno salão se abriram, meu coração não disparou por medo — mas por reconhecimento.O lugar era simples. Madeira clara, janelas grandes, luz natural entrando sem pedir licença. Nada de luxo exagerado, nada de espetáculo. Era… nós.Megan me esperava ao lado do altar improvisado, os olhos marejados e o sorriso que sempre dizia eu te avisei. Adam estava logo atrás dela, elegante demais para alguém que ainda deixava as meias jogadas pela casa.— Ele tá um desastre emocional — Megan cochichou. — Nunca vi Ryan assim.Sorri.— Nem eu — respondi.Respirei fundo antes de dar o primeiro passo.O vestido não era o que eu sonhei quando tinha vinte anos. Era melhor.Sem rendas dramáticas, sem cauda longa. Algo que me deixava confortável, firme, inteira. Algo que não escondia quem eu era — só acompanhava.E então eu o vi.Ryan estava de
EPÍLOGO — Cinco anos depoisAlgumas promessas só fazem sentido quando o tempo passa.Hanna MillerEu sempre gostei de multidões.Ainda assim, quando as portas do pequeno salão se abriram, meu coração não disparou por medo — mas por reconhecimento.O lugar era simples. Madeira clara, janelas grandes, luz natural entrando sem pedir licença. Nada de luxo exagerado, nada de espetáculo. Era… nós.Megan me esperava ao lado do altar improvisado, os olhos marejados e o sorriso que sempre dizia eu te avisei. Adam estava logo atrás dela, elegante demais para alguém que ainda deixava as meias jogadas pela casa.— Ele tá um desastre emocional — Megan cochichou. — Nunca vi Ryan assim.Sorri.— Nem eu — respondi.Respirei fundo antes de dar o primeiro passo.O vestido não era o que eu sonhei quando tinha vinte anos. Era melhor.Sem rendas dramáticas, sem cauda longa. Algo que me deixava confortável, firme, inteira. Algo que não escondia quem eu era — só acompanhava.E então eu o vi.Ryan estava
CAPÍTULO FINAL 41— Hanna MillerO amor não apaga o passado. Ele escolhe ficar apesar dele.Não foi rápido.E não foi fácil.Mas foi real.Ryan não tentou acelerar nada depois daquele beijo. Não invadiu meus dias, não cobrou respostas, não me tratou como algo garantido. Ele ficou. Presente. Constante. Aprendendo.E eu… eu fui aprendendo a baixar a guarda sem me perder.As coisas mudaram aos poucos.Ele passou a me esperar depois dos treinos — não para me puxar para os braços, mas para caminhar comigo até o estacionamento. Às vezes em silêncio. Às vezes falando sobre nada. Às vezes rindo de coisas idiotas.E isso, de algum jeito, era tudo.Numa dessas noites, sentamos no degrau do prédio de esportes, observando o gelo sendo limpo do rinque. O lugar estava vazio, iluminado apenas pelas luzes frias que sempre me fizeram sentir pequena.Ryan segurou minha mão.— Posso te fazer uma pergunta? — ele disse.Assenti.— Você ainda tem medo de mim?Pensei por alguns segundos antes de responder.—
CAPÍTULO 40— Hanna MillerResistir também cansa.Eu passei a semana inteira fingindo que nada tinha mudado.Esse era o plano.Acordar cedo.Café sem açúcar.Aulas, treinos, relatórios.Respirar fundo sempre que o nome dele surgia em alguma conversa.Ryan Spencer tinha virado um pensamento proibido.E pensamentos proibidos só funcionam quando você não os alimenta.Eu estava indo muito bem.Até não estar.O problema de alguém fazer algo grande demais… é que o eco não some fácil.O que ele fez naquele ginásio correu o campus inteiro em menos de vinte e quatro horas. Pessoas que nunca tinham falado comigo passaram a sorrir diferente. Algumas cochichavam. Outras me olhavam com curiosidade demais.— Foi por você, né? — uma garota comentou na fila do café.— Não sei do que você está falando — respondi, automática.Mentira número um daquela manhã.Eu sabia exatamente.E estava tentando não sentir nada.No rinque, Ryan não se aproximava.Não tentava conversar.Não provocava.Não me encarava.E
CAPÍTULO 39 — Hanna MillerAlgumas atitudes não pedem perdão. Elas pedem coragem.Eu não esperava vê-lo.Na verdade, eu tinha passado os últimos dias treinando meu corpo para reagir como se ele não existisse. Caminhar pelo campus sem procurar sua silhueta. Entrar no rinque sem sentir aquele aperto traiçoeiro no peito. Dizer o nome “Ryan” apenas como um som neutro, sem memória.Era mentira.Mas era uma mentira funcional.Até aquele dia.O ginásio estava cheio demais para um treino aberto. Torcida nas arquibancadas, música alta, banners da universidade pendurados nas laterais do gelo. Jogo amistoso, transmissão interna, clima de espetáculo.Eu estava trabalhando.Era só isso.Prancheta em mãos, jaleco fechado até o último botão, postura profissional impecável. Se alguém olhasse de fora, diria que eu estava bem.Mentira número dois.O time entrou no gelo sob aplausos. Adam liderando, concentrado. Os outros jogadores logo atrás. E então…Ryan.Ele entrou por último.Sem acenar.Sem sorrir
CAPÍTULO 38— Ryan SpencerA queda não acontece no gelo. Acontece quando você entende o que perdeu.Eu achei que perder um jogo doía.Que ser derrubado no gelo, ouvir a torcida em silêncio, sentir o corpo falhar no momento errado… isso era o fundo do poço.Eu estava errado.O verdadeiro impacto veio quando Hanna parou de me olhar.Não com raiva.Não com desprezo.Com indiferença.Isso sim me desmontou.O treino estava acontecendo ao meu redor, mas eu não estava ali. Cada passada no gelo era automática, vazia. O disco vinha, eu devolvia. O técnico gritava, eu obedecia. Meu corpo funcionava — minha cabeça, não.Quando o apito final soou, eu fui o último a sair do rinque.— Ei — Adam chamou.Ignorei.Sentei no banco, ainda de luvas, olhando para o chão como se ali estivesse a resposta que eu precisava.Adam se aproximou sem pressa. Tirou o capacete, passou a toalha no rosto e se sentou ao meu lado.— Você está uma merda — disse, direto.Soltei uma risada seca.— Obrigado pela análise prof







